Quem recebe a indicação de cirurgia de Mohs costuma ter a mesma dúvida: "Como vai ser o meu dia?". A resposta tranquiliza a maioria das pessoas. A cirurgia é longa, mas quase todo esse tempo é de espera confortável, e não de procedimento. Este artigo descreve um dia típico, hora a hora, para que você chegue sabendo o que esperar. Se ainda tem dúvidas sobre a técnica em si, comece pela página principal em Cirurgia de Mohs.
O que fazer antes do dia da cirurgia?
Na consulta de avaliação, o cirurgião examina a lesão, revisa o laudo da biópsia e define o plano. É nesse momento que você recebe as orientações pré-operatórias. As mais comuns são:
Medicamentos. Informe todos os remédios que usa, especialmente anticoagulantes (varfarina, rivaroxabana, apixabana, clopidogrel), aspirina e anti-inflamatórios. Na maioria dos casos, os anticoagulantes prescritos por cardiologista ou neurologista não são suspensos, porque o risco de suspender é maior que o risco de sangramento numa cirurgia de pele. Mas essa decisão é individual e sempre combinada com o médico que prescreveu.
Alimentação. Diferente de uma cirurgia com anestesia geral, na Mohs você não precisa ficar em jejum. Pelo contrário: tome café da manhã normalmente. Um paciente alimentado tolera melhor as horas de espera e tem menos chance de sentir tontura.
Álcool e fumo. Evite bebidas alcoólicas nas 48 horas anteriores, porque aumentam o sangramento. Se fuma, reduzir ou parar nas semanas antes e depois da cirurgia melhora bastante a cicatrização, sobretudo quando há retalho ou enxerto.
Exames. Em geral, a cirurgia de Mohs não exige exames pré-operatórios complexos. Para pacientes com doenças cardíacas, diabetes descompensado ou uso de anticoagulantes, o cirurgião pode solicitar avaliação clínica ou exames de sangue simples.
O que levar no dia da cirurgia de Mohs?
Prepare uma pequena bolsa com o que vai tornar a espera mais confortável:
- Documento de identidade, carteira do convênio (se houver) e a guia de autorização
- Laudo da biópsia e receitas dos medicamentos que usa
- Um lanche leve e uma garrafa de água (a espera entre as camadas pode passar de uma hora)
- Livro, revista, fones de ouvido ou o celular com carregador
- Um agasalho leve: salas cirúrgicas costumam ser frias
- Óculos, se usa (os óculos escuros são especialmente úteis ao sair, se a cirurgia for no rosto)
Vista roupas confortáveis, de preferência com abertura na frente ou gola larga, para não passar a blusa pela cabeça na saída se a cirurgia for na face ou no couro cabeludo. Não use maquiagem, cremes ou perfume na área a ser operada. Deixe joias em casa.
Vá com acompanhante. Não é obrigatório, mas é fortemente recomendado. Além do apoio, você não deve dirigir depois, principalmente se a cirurgia for perto dos olhos ou se o curativo atrapalhar a visão.
Como é o dia da cirurgia, hora a hora?
Os horários abaixo são um exemplo. Cada caso tem a sua duração, e o número de camadas necessárias só é conhecido ao longo do dia.
8h — Chegada e preparação
Você é recebido, confirma os dados, assina o termo de consentimento e é levado para a sala de cirurgia. O cirurgião revisa o local da lesão com você, tira fotografias para o registro e marca a área com caneta cirúrgica. Se a lesão foi biopsiada semanas antes e a cicatriz da biópsia está pequena, o registro fotográfico e o laudo ajudam a confirmar exatamente onde estava o tumor.
8h20 — Anestesia local
A pele é limpa com antisséptico e a anestesia local é aplicada com uma agulha fina. Esse é o único momento de desconforto real do dia: um ardor ou uma sensação de queimação por alguns segundos, até o anestésico começar a agir. Depois disso, você sente toque e pressão, mas não dor. Descrevemos as sensações de cada etapa em A cirurgia de Mohs dói? O que você sente em cada etapa.
8h30 — Remoção da primeira camada
Com a área anestesiada, o cirurgião retira o tumor visível com uma margem fina, de 1 a 2 milímetros, em um formato de disco raso e inclinado. Esse formato é o que permite examinar borda e fundo no mesmo plano ao microscópio. A retirada em si leva de 10 a 20 minutos. Um pequeno sangramento é controlado com cauterização e a ferida recebe um curativo compressivo temporário.
8h50 — Mapeamento
Antes de sair da sala, a peça retirada é dividida em setores e cada borda recebe uma tinta de cor diferente. O cirurgião desenha um mapa que reproduz a ferida no seu rosto ou corpo, com as mesmas cores e orientação. Esse mapa é a "bússola" da cirurgia: se aparecer tumor em algum ponto da lâmina, ele sabe exatamente onde está no seu corpo.
9h às 10h — Espera pela análise das lâminas
Aqui começa a parte mais longa do dia, e também a mais tranquila. No laboratório anexo, o tecido é congelado, cortado em fatias finíssimas, corado e montado em lâminas. O próprio cirurgião examina cada lâmina ao microscópio, percorrendo toda a margem.
Enquanto isso, você aguarda na sala de espera ou de recuperação, com o curativo temporário. Pode ler, conversar, usar o celular, lanchar e ir ao banheiro. A anestesia continua fazendo efeito; se o curativo incomodar, avise a equipe. Essa etapa dura, em média, de 40 minutos a 1 hora por camada.
10h — Resultado da primeira camada
Há dois cenários possíveis. No primeiro, todas as margens estão livres e a cirurgia passa para a reconstrução. No segundo, o microscópio mostra tumor em um ou mais pontos. Nesse caso, o cirurgião volta com você para a sala, reforça a anestesia se necessário e retira uma nova camada fina apenas no ponto marcado no mapa, sem ampliar a ferida onde já está limpo. A peça vai novamente para o laboratório e a espera se repete.
Na maioria dos pacientes, o tumor é totalmente removido em 1 a 3 camadas. Tumores maiores, recidivados ou de subtipos infiltrativos podem exigir mais. Cada nova camada acrescenta cerca de uma hora ao dia.
11h — Reconstrução
Com a confirmação de que não sobrou tumor, o cirurgião planeja o fechamento. O tamanho e a profundidade da ferida final, o local e a elasticidade da pele definem a técnica. Existem três caminhos principais.
O fechamento direto aproxima as bordas com pontos, seguindo as linhas naturais da pele. É o mais comum em feridas pequenas e médias.
O retalho desloca pele vizinha, com a sua própria circulação, para cobrir a ferida. É frequente no nariz, na têmpora, na bochecha e na testa, onde não há pele "sobrando" para aproximar diretamente.
O enxerto transfere um pedaço de pele de outra região (atrás da orelha, por exemplo) para a ferida. É usado quando não há pele vizinha disponível.
Em alguns casos, a melhor opção é deixar a ferida cicatrizar sozinha (cicatrização por segunda intenção), especialmente em áreas côncavas, como a parte interna da orelha ou o canto do olho. E há situações, sobretudo em pálpebras e reconstruções extensas, em que a reconstrução é feita em conjunto com um cirurgião plástico ou oculoplástico, no mesmo dia ou no dia seguinte.
A reconstrução dura de 30 minutos a 1 hora e meia, sempre com anestesia local. Ao final, a ferida recebe um curativo firme, que costuma ficar por 24 a 48 horas.
12h30 — Orientações e alta
Antes de sair, você recebe as orientações por escrito: como cuidar do curativo, quais analgésicos usar, o que é normal (inchaço, roxo, pequeno sangramento no curativo) e o que é sinal de alerta (sangramento que não para com compressão, dor intensa, febre). Também sai com a data da retirada dos pontos e do retorno.
Como é a volta para casa?
A anestesia local dura de 2 a 4 horas depois da cirurgia. Quando passa, o normal é sentir uma dor leve a moderada, do tipo "latejar", que responde bem a analgésicos comuns como dipirona ou paracetamol. Evite anti-inflamatórios e aspirina nos primeiros dias, salvo orientação contrária, porque aumentam o sangramento.
Nas primeiras 48 horas, o repouso relativo é a regra: nada de esforço físico, abaixar a cabeça, carregar peso ou atividades que aumentem a pressão no rosto. Se a cirurgia foi na face, dormir com a cabeceira elevada (dois travesseiros) reduz o inchaço. Compressas frias, sem molhar o curativo, ajudam no roxo.
A maioria das pessoas volta a atividades leves e ao trabalho de escritório em 2 a 3 dias; atividades físicas intensas ficam para depois da retirada dos pontos. O guia completo de recuperação, com a lista do que pode e do que não pode a cada semana, está em Pós-operatório da cirurgia de Mohs.
Pacientes de outros estados. Quem vem do Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba ou Pernambuco costuma dormir em Fortaleza na noite da cirurgia e retornar no dia seguinte, após a primeira troca de curativo. Os pontos podem ser retirados por um médico da sua cidade, com orientação por escrito. O fluxo está explicado em Cirurgia de Mohs no Nordeste.
Quanto tempo demora a cirurgia de Mohs?
A resposta honesta é: depende do número de camadas. Uma cirurgia de uma camada com fechamento direto pode terminar em 2 horas. Uma de três camadas com retalho pode chegar a 5 ou 6 horas. Reserve o dia inteiro e não marque compromissos para a tarde. Se você vem de longe, planeje a viagem de volta para o dia seguinte.
A tabela abaixo resume o que ocupa o tempo:
| Etapa | Duração aproximada | O que você faz |
|---|---|---|
| Recepção, fotos e marcação | 15–20 min | Confirma dados e assina o consentimento |
| Anestesia e remoção da camada | 20–30 min | Deitado, acordado, sem dor |
| Processamento e leitura das lâminas | 40–60 min por camada | Aguarda com curativo, lancha, descansa |
| Camadas adicionais (se necessário) | +1 h cada | Repete a etapa anterior |
| Reconstrução | 30–90 min | Deitado, acordado, sem dor |
| Curativo e orientações | 15 min | Recebe instruções por escrito |
Perguntas frequentes
Preciso ficar em jejum para a cirurgia de Mohs?
Não. Como a anestesia é local, você deve se alimentar normalmente antes de sair de casa e pode lanchar durante a espera entre as camadas.
Preciso de acompanhante na cirurgia de Mohs?
Não é obrigatório, mas é muito recomendado. Você não deve dirigir depois da cirurgia, sobretudo se a área operada for próxima dos olhos.
Posso tomar meus remédios no dia da cirurgia?
Sim, salvo orientação específica. Anticoagulantes geralmente são mantidos. Leve a lista dos seus medicamentos e converse com o cirurgião na consulta de avaliação.
E se o tumor for maior do que parecia?
Isso acontece com alguma frequência, sobretudo em subtipos infiltrativos. A vantagem da Mohs é justamente descobrir isso no mesmo dia e remover apenas onde é preciso, em vez de descobrir semanas depois pelo laudo. Nesse caso, a cirurgia dura mais e a reconstrução pode ser um pouco maior.
Posso viajar de avião no dia seguinte?
Na maioria dos casos, sim, após a primeira revisão do curativo. Voos curtos, como os que ligam Fortaleza às capitais vizinhas, não costumam ser um problema. Confirme com o cirurgião, principalmente se houve enxerto.
Onde fazer a cirurgia de Mohs
A cirurgia de Mohs exige um cirurgião com formação específica na técnica e laboratório de congelação ao lado da sala cirúrgica. Por isso a oferta no Nordeste se concentra em poucas capitais. Fortaleza reúne parte dessa estrutura, com cirurgiões formados em centros de referência, e recebe pacientes do interior do Ceará e dos estados vizinhos. Se você mora no Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba ou Pernambuco, veja a situação da oferta no seu estado em Cirurgia de Mohs no Nordeste. Ao escolher, pergunte se o cirurgião tem formação formal em Mohs e se ele mesmo interpreta as lâminas durante a cirurgia.
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