Pular para o conteúdo
Cirurgia de Mohs. Especialidade em Câncer de Pele.

Cirurgia de Mohs · 11 min de leitura

Cirurgia de Mohs em idosos: é segura? O que muda aos 80 ou 90 anos

Cirurgia de Mohs em idoso é segura na grande maioria dos casos, porque é feita com anestesia local, em regime ambulatorial, sem os riscos da anestesia geral e sem internação. Pacientes com 80 ou 90 anos, com pressão alta, diabetes, marcapasso ou uso de anticoagulantes, operam com ajustes simples. A idade por si só não contraindica; o que orienta a decisão é a condição clínica e a preferência do paciente.

Revisado por médico. Conteúdo produzido pela equipe editorial Cirurgia de Mohs e revisado por médico dermatologista com formação em cirurgia micrográfica de Mohs. Este portal é independente: não realiza consultas, não agenda cirurgias e não responde dúvidas clínicas individuais.

Cirurgia de Mohs em idoso feita com anestesia local, paciente acordado

Por que o câncer de pele é tão comum em idosos?

O câncer de pele é resultado do dano solar acumulado ao longo da vida, e por isso a maior parte dos carcinomas basocelulares e espinocelulares aparece depois dos 60 anos. Quem cresceu no interior do Ceará ou passou décadas no roçado, na pesca ou na construção carrega esse dano, e é frequente que o primeiro tumor apareça aos 70, 80 ou mais. Com a população brasileira envelhecendo, o INCA registra o câncer de pele não melanoma como o mais frequente do país, e uma parcela crescente desses pacientes é de idosos com outras doenças.

A pergunta que as famílias fazem é se vale a pena operar alguém tão idoso. A resposta, na maioria dos casos, é sim: o tumor não para de crescer com a idade, e um carcinoma pequeno hoje se torna um problema muito maior em dois ou três anos, com ferida, sangramento, dor e cirurgia mais extensa. Conheça o procedimento em Cirurgia de Mohs.

A cirurgia de Mohs em idosos é segura?

Sim, e o motivo principal é a anestesia. A cirurgia micrográfica de Mohs é feita inteiramente com anestesia local, injetada ao redor do tumor. O paciente permanece acordado, conversa, pode comer, tomar seus remédios habituais e ir ao banheiro entre as etapas. Não há entubação, não há os riscos cardíacos e respiratórios da anestesia geral, não há necessidade de jejum prolongado nem de internação. Quem tem coração fraco, pulmão comprometido, rins que já não funcionam bem ou idade muito avançada, situações que tornam a anestesia geral arriscada, pode fazer a Mohs.

A literatura sobre cirurgia dermatológica em pacientes muito idosos, inclusive acima de 90 anos, mostra taxas de complicação baixas, comparáveis às de pacientes mais jovens, com as complicações mais comuns sendo pequenos sangramentos e infecção da ferida, que são tratáveis. O procedimento tem ainda outra vantagem para o idoso: como as margens são examinadas durante a cirurgia, a chance de precisar de uma segunda operação por margem comprometida é muito menor do que na cirurgia convencional. Veja como é feita em Como é feita a cirurgia de Mohs.

Quais doenças e medicamentos merecem atenção?

Quase todas as condições comuns na terceira idade são compatíveis com a cirurgia, desde que o cirurgião saiba delas com antecedência. A tabela resume o que muda em cada situação.

CondiçãoO que mudaComo é conduzido
Pressão altaPressão descontrolada aumenta o sangramentoTomar os remédios normalmente no dia; a pressão é medida antes de começar
DiabetesCicatrização mais lenta, maior risco de infecçãoManter a medicação e se alimentar normalmente; controle da glicemia no período
Anticoagulantes e antiagregantes (varfarina, rivaroxabana, apixabana, AAS, clopidogrel)Maior sangramento durante e após a cirurgiaEm geral não se suspende: o risco de trombose ou AVC ao parar supera o do sangramento, que é controlável com técnica e curativo compressivo
Marcapasso ou desfibrilador implantávelO bisturi elétrico pode interferir no aparelhoUsa-se eletrocautério bipolar ou térmico, com pequenas adaptações; não é contraindicação
Prótese de válvula cardíaca ou articularDúvida sobre antibiótico preventivoAvaliado caso a caso; na cirurgia de pele limpa, a maioria não precisa
Doença renal ou hepáticaMetabolismo dos anestésicos e dos remédios de dorDoses ajustadas; a anestesia local é bem tolerada
Demência leve ou moderadaDificuldade de permanecer imóvel por horasAcompanhante presente durante todo o procedimento; em demência avançada, discute-se alternativa
Dificuldade de locomoçãoAcesso e permanência na clínicaCadeira de rodas, acompanhante, intervalos para se movimentar

O preparo completo, com a conduta para cada medicamento, a lista do que levar e o que informar, está em Preparo para cirurgia de Mohs. Traga a lista completa de medicamentos, incluindo os "naturais" e os de uso eventual, para a primeira consulta.

Quanto tempo dura a cirurgia e o idoso aguenta?

A cirurgia de Mohs dura em média de 2 a 5 horas, mas a maior parte desse tempo é espera, enquanto o laboratório processa e o cirurgião examina as margens ao microscópio. O tempo efetivo de procedimento, em cada etapa, é de cerca de 15 a 30 minutos. Entre as etapas, o paciente fica com um curativo, sentado ou deitado em uma sala de espera confortável, e pode comer, beber água, ler, dormir ou conversar. Na maioria dos casos, 1 a 3 etapas são suficientes.

Para o idoso, isso significa um dia longo, mas não um dia difícil. As recomendações práticas são:

  • vir com um acompanhante, que ajuda nos deslocamentos, guarda as orientações e leva o paciente para casa;
  • trazer os remédios de horário e um lanche, se tiver restrição alimentar;
  • usar roupa confortável, que abra na frente, e agasalho, porque salas cirúrgicas são frias;
  • trazer óculos, aparelho auditivo, bengala ou andador;
  • avisar a equipe sobre a necessidade de ir ao banheiro com frequência, dor nas costas ao ficar deitado ou qualquer desconforto.

A dor durante a cirurgia é controlada pela anestesia local, e depois dela costuma ser leve, tratável com analgésicos comuns. O tema está em A cirurgia de Mohs dói? O que você sente em cada etapa.

Como é a cicatrização na pele do idoso?

A pele idosa é mais fina, mais frágil e tem menos colágeno e menos elasticidade. Isso traz um paradoxo: por um lado, a cicatrização é um pouco mais lenta e os pontos precisam de mais cuidado, porque a pele rasga com facilidade e forma hematomas com pequenas pancadas. Por outro, a pele fina e frouxa costuma sobrar em torno da ferida, o que permite fechar defeitos maiores com sutura direta ou retalhos simples, e as cicatrizes tendem a ficar pouco visíveis, escondidas nas rugas e linhas naturais do rosto.

Em pacientes muito idosos, ou em feridas do couro cabeludo, das têmporas e das pernas, o cirurgião pode optar por deixar a ferida cicatrizar sozinha, por segunda intenção, com curativos, evitando uma reconstrução mais complexa. É uma escolha válida, com resultado geralmente bom, e a família precisa estar preparada para semanas de curativo. As opções de fechamento estão em Reconstrução após cirurgia de Mohs.

Os cuidados no pós-operatório são simples, mas exigem constância: manter o curativo limpo e seco no início, não fazer esforço nos primeiros dias, evitar o sol na cicatriz e observar sinais de sangramento ou infecção. O guia completo está em Pós-operatório da cirurgia de Mohs.

O que a família e os cuidadores devem saber?

O cuidador é parte da equipe. Nos dias que seguem a cirurgia, é ele quem vai trocar o curativo, dar os remédios no horário, observar a ferida e ligar para a clínica se algo parecer errado. Por isso, o ideal é que o cuidador principal esteja presente na consulta de orientação e no dia da cirurgia, e receba as instruções por escrito.

Pontos práticos para quem cuida de um idoso operado:

  • sangramento: um pouco de sangue no curativo nas primeiras horas é normal; sangramento que encharca o curativo pede compressão firme por 15 minutos sem olhar e, se não parar, contato com a clínica;
  • dor: costuma ser leve; dor forte e crescente após o segundo dia é sinal de alerta;
  • infecção: vermelhidão que se espalha, calor, secreção amarelada, febre;
  • quedas: o idoso com curativo no rosto ou na perna pode ter o equilíbrio ou a visão afetados; supervisionar os primeiros dias;
  • medicamentos: manter os habituais, salvo orientação diferente; evitar anti-inflamatórios sem prescrição;
  • retorno: para retirada de pontos em 5 a 14 dias, conforme o local.

Quando o idoso mora sozinho ou no interior, vale planejar com antecedência quem vai ficar com ele na primeira semana. Pacientes de outras cidades do Ceará e de estados vizinhos, como Piauí e Rio Grande do Norte, podem organizar a cirurgia e o retorno em uma só viagem curta, como descrito em Cirurgia de Mohs no Nordeste.

Quando não operar é a decisão certa?

Nem todo tumor em idoso precisa de cirurgia imediata, e o médico que trata câncer de pele tem a obrigação de ser honesto sobre isso. A pergunta central é: esse tumor vai causar problema dentro do tempo de vida que essa pessoa provavelmente tem, e a cirurgia vai trazer mais benefício do que incômodo?

Um carcinoma basocelular superficial, pequeno, de crescimento lento, nas costas de uma pessoa de 92 anos com demência avançada e várias doenças pode ser acompanhado, tratado com creme ou com um procedimento simples, sem cirurgia. Já um carcinoma no nariz, na pálpebra ou no lábio, ou um carcinoma espinocelular que cresce rápido, tende a causar ferida, sangramento, dor e deformidade em poucos meses, e operar, mesmo aos 90 anos, costuma ser a decisão que evita sofrimento.

Entre um extremo e outro, existe a decisão compartilhada: o médico apresenta as opções (Mohs, cirurgia convencional, radioterapia, tratamentos tópicos, observação), o que se espera de cada uma e o que acontece se nada for feito, e o paciente e a família decidem com base nos valores e nas prioridades daquela pessoa. A radioterapia, por exemplo, é uma alternativa válida para idosos que não podem ou não querem operar, com a desvantagem de exigir várias sessões ao longo de semanas. O que não é razoável é deixar de tratar apenas por causa da idade, ou operar sem conversar sobre o que o paciente quer.

Perguntas frequentes

Idoso de 90 anos pode fazer cirurgia de Mohs?

Sim. A cirurgia de Mohs é feita com anestesia local, sem os riscos da anestesia geral, e a literatura mostra baixas taxas de complicação em pacientes com mais de 90 anos. O que define a indicação é a condição clínica geral, o tipo e a localização do tumor e a vontade do paciente, não a idade.

Precisa suspender o anticoagulante para a cirurgia de Mohs?

Em geral, não. As diretrizes de cirurgia dermatológica recomendam manter varfarina, rivaroxabana, apixabana, AAS e clopidogrel, porque o risco de trombose, infarto ou AVC ao suspender é maior do que o de sangramento, que é controlado com técnica cirúrgica e curativo. A decisão é individual e discutida com o cirurgião e, se preciso, com o cardiologista.

Quem tem marcapasso pode fazer cirurgia de câncer de pele?

Pode. O marcapasso não contraindica a cirurgia de Mohs. O cirurgião usa formas de cauterização que não interferem no aparelho, como o eletrocautério bipolar ou térmico. Informe o modelo do dispositivo na consulta e leve o cartão do marcapasso.

O idoso precisa de acompanhante no dia da cirurgia?

É fortemente recomendado. O acompanhante ajuda nos deslocamentos, guarda as orientações, dá apoio durante a espera entre as etapas e leva o paciente para casa. Para pacientes com demência, dificuldade de locomoção ou audição reduzida, a presença de um familiar durante todo o procedimento é importante.

A cicatrização do idoso demora mais?

Um pouco. A pele idosa é mais fina e frágil, e a cicatrização pode levar mais tempo, principalmente em diabéticos e nas pernas. Em compensação, a pele mais frouxa facilita o fechamento das feridas e as cicatrizes costumam se esconder nas linhas naturais do rosto. Cuidados constantes com o curativo fazem diferença.

Onde fazer a cirurgia de Mohs

A cirurgia de Mohs exige um cirurgião com formação específica na técnica e laboratório de congelação ao lado da sala cirúrgica. Por isso a oferta no Nordeste se concentra em poucas capitais. Fortaleza reúne parte dessa estrutura, com cirurgiões formados em centros de referência, e recebe pacientes do interior do Ceará e dos estados vizinhos. Se você mora no Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba ou Pernambuco, veja a situação da oferta no seu estado em Cirurgia de Mohs no Nordeste. Ao escolher, pergunte se o cirurgião tem formação formal em Mohs e se ele mesmo interpreta as lâminas durante a cirurgia.

Este portal é independente e não realiza atendimento. As indicações seguem os critérios descritos em Sobre o portal Cirurgia de Mohs.

Leia também

Todos os artigos