Revisado por médico. Conteúdo produzido pela equipe editorial Cirurgia de Mohs e revisado por médico dermatologista com formação em cirurgia micrográfica de Mohs. Este portal é independente: não realiza consultas, não agenda cirurgias e não responde dúvidas clínicas individuais.

Para quem é esta área
O câncer de pele não melanoma é o tumor mais frequente na prática dermatológica e clínica, e a maior parte dos casos é resolvida com excisão convencional no consultório do próprio médico assistente. Uma parcela, porém, apresenta características que elevam o risco de margens comprometidas e recidiva, e nesses casos a cirurgia micrográfica de Mohs oferece controle histológico completo das margens e maior taxa de cura na literatura.
Como a oferta de Mohs no Nordeste é limitada e concentrada em poucas capitais, o encaminhamento depende de o médico assistente reconhecer o caso com indicação e conhecer o fluxo. Esta área foi escrita para isso, com linguagem clínica e referências. Ela é pública e pode ser compartilhada com colegas e residentes.
Artigos técnicos
- Ler mais
Quando encaminhar para Mohs
Os critérios de uso apropriado (AUC 2012) da AAD, ACMS, ASDSA e ASMS traduzidos em regras práticas: área anatômica, tamanho, subtipo histológico, recidiva, imunossupressão e radioterapia prévia.
- Ler mais
Como encaminhar um paciente
O que enviar (laudo, foto, descrição da lesão, comorbidades e medicações), como funciona a avaliação, o agendamento, a cirurgia e o retorno de informações ao médico assistente.
- Ler mais
Carcinoma basocelular de alto risco
Estratificação de risco do CBC pelos critérios NCCN e AUC: subtipos agressivos, invasão perineural, área H, bordas mal definidas e implicações para a escolha do tratamento.
- Ler mais
Carcinoma espinocelular de alto risco
Fatores de risco para recidiva e metástase, estadiamento (AJCC 8ª edição e Brigham and Women's), avaliação linfonodal, imunossupressão e quando integrar oncologia e radioterapia.
- Ler mais
Margens e controle histológico
Por que a análise convencional em "pão de forma" examina cerca de 0,1% a 1% da margem, como a Mohs examina praticamente 100%, margens recomendadas na excisão convencional e conduta diante de margens comprometidas.
- Ler mais
Evidências: Mohs vs excisão convencional
Revisão das taxas de cura e recidiva por tipo de tumor, estudos comparativos, custo-efetividade e limitações metodológicas da literatura.
Artigos complementares previstos para a próxima fase: planejamento de reconstrução após Mohs e tumores raros (DFSP, carcinoma anexial microcístico, carcinoma sebáceo, doença de Paget extramamária e o papel limitado da Mohs no carcinoma de Merkel). Enquanto isso, a página para pacientes Tumores raros de pele resume as indicações.
Resumo dos critérios de indicação
Os critérios de uso apropriado (Appropriate Use Criteria, AUC) publicados em 2012 pela American Academy of Dermatology em conjunto com o American College of Mohs Surgery, a American Society for Dermatologic Surgery Association e a American Society for Mohs Surgery classificam 270 cenários clínicos como apropriados, incertos ou inapropriados para Mohs, com base em três eixos: localização, características do tumor e características do paciente. A tabela abaixo resume os cenários mais frequentes na prática.
| Eixo | Critério | Implicação |
|---|---|---|
| Localização — área H (alto risco) | Face central, pálpebras, sobrancelhas, nariz, lábios, mento, mandíbula, região pré e retroauricular, têmporas, orelhas, genitais, mãos, pés, tornozelos, mamilos/aréola | Mohs apropriada para CBC e CEC primários ou recidivados de qualquer tamanho e subtipo, com poucas exceções |
| Localização — área M (médio risco) | Bochechas, fronte, couro cabeludo, pescoço, região pré-tibial | Mohs apropriada para tumores > 1 cm, subtipos agressivos, recidivas e pacientes de risco |
| Localização — área L (baixo risco) | Tronco e extremidades (exceto as áreas acima) | Mohs apropriada para tumores > 2 cm, subtipos agressivos e recidivas; inapropriada para CBC nodular ou superficial primário pequeno |
| Tamanho | > 0,6 cm na área H; > 1 cm na área M; > 2 cm na área L | Aumenta o risco de extensão subclínica e de margens comprometidas |
| Subtipo histológico do CBC | Esclerodermiforme/morfeiforme, infiltrativo, micronodular, basoescamoso | Extensão subclínica ampla; Mohs apropriada em qualquer área |
| Características do CEC | Pouco diferenciado, acantolítico, adenoescamoso, desmoplásico; espessura > 2 mm ou invasão além da gordura; invasão perineural | Maior risco de recidiva e metástase; Mohs apropriada, com estadiamento complementar quando indicado |
| Bordas clínicas | Mal definidas | Mohs apropriada |
| Recidiva | Tumor previamente tratado (cirurgia, curetagem, crioterapia, radioterapia, tópicos) | Mohs apropriada em qualquer área |
| Paciente | Imunossupressão (transplante, LLC, HIV, imunobiológicos), síndromes genéticas (Gorlin, xeroderma pigmentoso), radioterapia prévia no local, tumor em cicatriz ou úlcera crônica | Mohs apropriada em cenários que seriam incertos em pacientes sem esses fatores |
| Outros tumores | Melanoma in situ e lentigo maligno em face (com imuno-histoquímica), DFSP, carcinoma anexial microcístico, carcinoma sebáceo, doença de Paget extramamária, fibroxantoma atípico | Mohs apropriada ou tratamento de escolha, conforme o tumor |
Situações consideradas inapropriadas pelos AUC incluem CBC nodular ou superficial primário com menos de 1 cm no tronco e extremidades em paciente imunocompetente, ceratose actínica sem transformação e tumores em que o tratamento sistêmico ou a radioterapia são a primeira linha. Detalhamento em Quando encaminhar para cirurgia de Mohs.
Por que a Mohs faz diferença nesses cenários
Na excisão convencional, a peça é processada em cortes verticais seriados ("pão de forma"), que amostram cerca de 0,1% a 1% da superfície total da margem. Um foco de tumor entre dois cortes não é detectado, e o laudo de "margens livres" é probabilístico. Na Mohs, a peça é removida em formato de pires com bisel de 45 graus, achatada, mapeada e processada em cortes horizontais que expõem toda a margem periférica e profunda no mesmo plano, examinados pelo próprio cirurgião. Camadas adicionais são retiradas apenas nos setores positivos.
Os resultados na literatura, sintetizados na revisão dos Anais Brasileiros de Dermatologia (2021), refletem essa diferença:
| Tumor | Mohs | Excisão convencional |
|---|---|---|
| CBC primário | até 99% | 87–96% |
| CBC recidivado | 90–93% | ~83% |
| CEC primário | 92–99% | 92–95% |
| CEC recidivado | ~90% | ~76% |
| Melanoma in situ | ~98% | 83–85% |
A vantagem é maior justamente nos tumores de alto risco, recidivados e em áreas de preservação tecidual, onde a excisão com margens amplas implica defeitos maiores e reconstruções mais complexas. Análise crítica dos estudos em Mohs versus excisão convencional.
Como é um bom fluxo de encaminhamento
Um bom fluxo de encaminhamento reduz a burocracia para o médico assistente e o número de viagens para o paciente, especialmente o que vem de outro estado. Os serviços de Mohs que recebem encaminhamentos com regularidade costumam operar assim, e vale usar estas etapas como referência do que esperar do serviço escolhido.
1. Contato profissional. O médico envia ao serviço o laudo histopatológico (ou a descrição clínica, se a biópsia ainda não foi feita), uma foto da lesão com referência anatômica, a localização e o tamanho estimado, a história de tratamentos prévios, comorbidades relevantes, uso de anticoagulantes ou imunossupressores e a cidade de origem. Um breve relato clínico é suficiente.
2. Avaliação de indicação. O caso é avaliado à luz dos AUC e o médico assistente recebe um retorno objetivo: indicação de Mohs, alternativa (excisão convencional pelo próprio colega, radioterapia, tratamento sistêmico) ou necessidade de exames adicionais. Serviços bem organizados devolvem os casos sem indicação com sugestão de conduta.
3. Agendamento e preparo. O serviço contata o paciente para agendar. Para quem mora em outra cidade, avaliação prévia por teleconsulta quando adequado, orientações sobre convênio (a cirurgia micrográfica de Mohs consta no rol da ANS; a autorização depende do contrato) e logística para concentrar cirurgia e retorno em uma viagem.
4. Cirurgia e reconstrução. Realizadas com anestesia local, em regime ambulatorial, com análise das lâminas pelo próprio cirurgião. Reconstrução no mesmo tempo ou, em casos selecionados, em conjunto com cirurgia plástica, oculoplástica ou cabeça e pescoço.
5. Retorno ao médico assistente. Após a cirurgia, o médico recebe o relatório cirúrgico (número de camadas, mapa, margens finais, tipo de reconstrução), o laudo histopatológico e as orientações de pós-operatório e de seguimento. A retirada de pontos e o acompanhamento de longo prazo podem ser feitos pelo médico assistente. Detalhes em Como encaminhar um paciente para cirurgia de Mohs.
Quando não encaminhar (ou encaminhar para outro serviço)
A Mohs é um tratamento local. Não substitui o estadiamento nem o tratamento sistêmico em CEC com metástase linfonodal, melanoma invasivo com indicação de linfonodo sentinela, carcinoma de Merkel ou CBC localmente avançado com indicação de inibidor de hedgehog. Nesses casos, o encaminhamento é para oncologia clínica ou cirurgia oncológica, e a Mohs pode ou não ter papel no controle local dentro de um plano multidisciplinar. Também não há indicação para lesões pré-malignas nem para CBC de baixo risco em áreas L, que devem ser tratados pelo médico assistente.
Para pacientes
Se você é paciente e chegou a esta página, o conteúdo em linguagem acessível está em Cirurgia de Mohs e Câncer de pele.
Perguntas frequentes de médicos encaminhadores
O paciente precisa de biópsia antes do encaminhamento?
Idealmente sim, com laudo informando o tipo e o subtipo histológico, porque isso define a indicação. Se a biópsia não foi feita, o caso pode ser discutido com foto e descrição clínica, e a biópsia pode ser realizada no serviço de Mohs, integrada ao fluxo, ao custo de uma possível segunda viagem. Em lesões suspeitas de melanoma, a preferência é pela biópsia excisional com margem estreita.
Devo suspender anticoagulantes antes da Mohs?
Em geral, não. A literatura e a prática atual favorecem manter anticoagulantes e antiagregantes com indicação clínica, dado o baixo risco de sangramento grave na cirurgia cutânea e o risco tromboembólico da suspensão. Casos específicos são discutidos individualmente.
O paciente volta para o meu acompanhamento?
Sim. O objetivo é que o médico assistente mantenha o vínculo. Em serviços bem organizados, ele recebe laudo, relatório cirúrgico e orientações, e pode realizar a retirada de pontos e o seguimento, com o cirurgião disponível para intercorrências e dúvidas.
Quanto tempo leva entre o contato e a cirurgia?
Depende da agenda do serviço, da urgência clínica e da logística do paciente. Casos de CEC de alto risco e tumores em crescimento rápido devem ser priorizados; ao encaminhar, informe explicitamente o ritmo de crescimento e a presença de fatores de alto risco.
A Mohs é coberta pelo convênio?
A cirurgia micrográfica de Mohs consta no rol de procedimentos da ANS. A autorização depende do contrato e da operadora; o serviço que vai operar costuma orientar o paciente sobre a documentação, e o relatório de indicação do médico assistente ajuda. No SUS, a cobertura é limitada, com poucos serviços públicos. Cirurgia de Mohs pelo SUS
Serviços de referência para encaminhamento
Ao encaminhar um paciente para cirurgia de Mohs, verifique se o serviço reúne três condições: cirurgião com formação formal na técnica, laboratório de congelação anexo à sala cirúrgica e leitura das lâminas pelo próprio cirurgião. No Nordeste, essa estrutura se concentra em poucas capitais. Fortaleza conta com cirurgiões formados em centros de referência e recebe encaminhamentos de todo o Ceará e dos estados vizinhos. O conjunto de informações que agiliza a avaliação (laudo, foto, comorbidades e medicações) está descrito em Como encaminhar um paciente para cirurgia de Mohs.
Este portal é independente e não intermedeia encaminhamentos. As indicações seguem os critérios descritos em Sobre o portal Cirurgia de Mohs.
