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Cirurgia de Mohs. Especialidade em Câncer de Pele.

Cirurgia de Mohs · 9 min de leitura

A cirurgia de Mohs dói? O que você sente em cada etapa

Durante a cirurgia de Mohs, o paciente não sente dor, porque o procedimento é feito com anestesia local. O único desconforto real é o ardor breve da injeção do anestésico. No pós-operatório, a dor costuma ser leve a moderada nos primeiros dois ou três dias e responde bem a analgésicos comuns. Dor forte ou crescente merece contato com o cirurgião.

Revisado por médico. Conteúdo produzido pela equipe editorial Cirurgia de Mohs e revisado por médico dermatologista com formação em cirurgia micrográfica de Mohs. Este portal é independente: não realiza consultas, não agenda cirurgias e não responde dúvidas clínicas individuais.

Anestesia local na cirurgia de Mohs: o que o paciente sente em cada etapa

O medo de sentir dor é uma das razões mais comuns para adiar o tratamento de um câncer de pele, e adiar é justamente o que faz o tumor crescer e a cirurgia ficar maior. Por isso vale responder com franqueza: a cirurgia de Mohs é bem tolerada pela grande maioria dos pacientes, inclusive idosos, e o desconforto é menor do que as pessoas imaginam. Este artigo descreve, etapa por etapa, o que você vai sentir. Para o roteiro completo do dia, veja Como é feita a cirurgia de Mohs.

A cirurgia de Mohs é feita com anestesia local ou geral?

Local. O anestésico (geralmente lidocaína, associada a adrenalina para reduzir o sangramento) é injetado na pele ao redor do tumor. Ele bloqueia a sensação de dor naquela área por algumas horas, enquanto o paciente permanece acordado e conversando.

A anestesia geral não é usada na Mohs por uma razão prática: a cirurgia se desenrola ao longo de várias horas, com pausas longas para a análise das lâminas. Manter alguém sob anestesia geral por esse tempo, para um procedimento de pele, traria riscos desnecessários. A anestesia local, por outro lado, é reaplicada com facilidade quando é preciso retirar uma nova camada, e permite que o paciente lanche, use o banheiro e vá para casa logo depois.

Em situações específicas (pacientes muito ansiosos, crianças, reconstruções muito extensas ou pessoas com dificuldade de permanecer deitadas), pode-se associar uma sedação leve por via oral ou venosa, com acompanhamento de anestesista. Isso é decidido na consulta de avaliação, e não muda o fato de que a dor é controlada pelo anestésico local.

O que se sente em cada etapa da cirurgia de Mohs?

A injeção do anestésico

Esse é o momento mais desconfortável do dia, e dura de 10 a 30 segundos. A agulha é fina, como a de insulina. O que incomoda não é a picada, mas a entrada do líquido, que causa ardor ou queimação. Algumas técnicas reduzem bastante essa sensação: injetar devagar, tamponar o anestésico para deixá-lo menos ácido, resfriar a pele ou vibrar a área ao redor. Em regiões muito sensíveis, como a ponta do nariz e os lábios, o ardor é um pouco mais intenso, mas igualmente breve.

Depois de um a dois minutos, a pele fica dormente. A partir daí, você sente toque, pressão e movimento, mas não dor. Isso é normal e esperado. Se em algum momento sentir dor aguda, avise: o cirurgião complementa a anestesia na hora.

A remoção da camada

Você percebe que algo está sendo feito, ouve o som do bisturi elétrico usado para estancar o sangramento e pode sentir um cheiro característico dessa cauterização. Nada disso dói. Muitos pacientes relatam que a parte "mais difícil" é ficar com a cabeça imóvel na mesma posição por 20 minutos, sobretudo quem tem dor no pescoço ou nas costas. Avise a equipe: travesseiros e apoios ajudam.

A espera pelas lâminas

Entre uma camada e outra, você fica com um curativo compressivo temporário sobre a ferida aberta. A anestesia ainda está agindo, e a maioria das pessoas não sente nada além de um leve peso ou pressão do curativo. Se a espera for longa (mais de uma hora) e a anestesia começar a passar, pode surgir uma dor leve, tipo latejamento. Avise: a anestesia é reforçada antes da próxima etapa, e um analgésico simples pode ser dado nesse intervalo.

As camadas adicionais

Quando é preciso retirar mais tecido, o cirurgião reaplica uma pequena quantidade de anestésico. Como a pele já está parcialmente anestesiada, essa segunda injeção incomoda menos que a primeira.

A reconstrução

A reconstrução é a etapa mais longa e pode exigir anestesia em uma área maior, especialmente se houver retalho (a pele vizinha é deslocada) ou enxerto (a pele é retirada de outra região, como atrás da orelha, que também é anestesiada). Você sente puxões, pressão e os movimentos dos pontos, sem dor. Se o retalho for grande, a sensação de "repuxamento" pode ser mais evidente, mas é tolerável.

Como é a dor depois da cirurgia de Mohs?

A anestesia local dura, em média, de 2 a 4 horas após o fim da cirurgia. Quando passa, a dor que aparece é, na maioria dos casos, leve a moderada, descrita como latejamento, sensação de pressão ou de pele "repuxada". Ela é mais perceptível na primeira noite e nas primeiras 48 horas, e diminui progressivamente.

Alguns fatores influenciam a intensidade:

  • Local. Lábios, nariz, orelhas e couro cabeludo tendem a doer um pouco mais que o tronco ou as bochechas, porque são regiões muito inervadas e com pouca folga de pele.
  • Tipo de fechamento. Fechamentos diretos costumam ser mais confortáveis; retalhos grandes e enxertos (que envolvem duas feridas: a receptora e a doadora) podem incomodar mais nos primeiros dias.
  • Tamanho da ferida e número de camadas.
  • Feridas deixadas para cicatrizar sozinhas (segunda intenção), que doem pouco, mas por mais tempo, até fecharem.

Na literatura sobre cirurgia dermatológica, a maioria dos pacientes classifica a dor do pós-operatório da Mohs como leve, e muitos nem chegam a usar todos os analgésicos prescritos. A dor não deve impedir o sono nem as atividades leves depois do segundo ou terceiro dia. Veja as orientações completas de recuperação em Pós-operatório da cirurgia de Mohs.

Que analgésico tomar depois da cirurgia de Mohs?

A regra geral é começar pelo mais simples. Dipirona ou paracetamol, nas doses habituais e em horários regulares nas primeiras 48 horas, resolvem a grande maioria dos casos. Tomar o analgésico no horário, sem esperar a dor voltar, funciona melhor do que tomar só quando dói.

Evite anti-inflamatórios (ibuprofeno, diclofenaco, nimesulida, cetoprofeno) e aspirina nos primeiros dias, a menos que o cirurgião libere, porque aumentam o risco de sangramento sob o curativo. Se você já usa aspirina ou anticoagulante por prescrição de outro médico, mantenha conforme combinado na consulta pré-operatória.

Analgésicos mais potentes, como os derivados de codeína ou tramadol, raramente são necessários e ficam reservados a reconstruções grandes ou a pacientes com dor acima do esperado, sempre com prescrição.

Medidas simples somam bastante:

  • Compressas frias (gelo envolto em pano, sem molhar o curativo), 15 minutos a cada 2 horas nas primeiras 24 a 48 horas
  • Cabeceira elevada ao dormir, se a cirurgia foi na face ou no couro cabeludo
  • Evitar abaixar a cabeça, esforço físico e calor direto na área
  • Não fumar, porque o cigarro piora a dor e a cicatrização

Quando a dor é sinal de alerta?

A dor normal do pós-operatório melhora a cada dia. Se ela fizer o contrário, procure o cirurgião. Fique atento a estes sinais:

Dor que aumenta em vez de diminuir, sobretudo depois do terceiro dia, pode indicar infecção ou acúmulo de sangue (hematoma) sob a ferida.

Dor intensa, súbita, com sensação de inchaço ou pressão sob o curativo nas primeiras 24 horas pode indicar hematoma em expansão, que às vezes precisa ser drenado.

Dor acompanhada de vermelhidão que se espalha, calor local, secreção amarelada ou febre sugere infecção, que é rara na Mohs, mas exige antibiótico.

Dor forte em enxerto ou retalho com mudança de cor (escurecimento, roxo intenso ou palidez) deve ser avaliada rapidamente, porque pode indicar sofrimento do tecido.

Dor em queimação, formigamento ou choques ao longo de um trajeto, depois das primeiras semanas, costuma ser da regeneração dos nervos da pele e é benigna, mas vale relatar na consulta de retorno.

Na dúvida, entre em contato. É sempre melhor uma mensagem a mais do que um problema descoberto tarde. Pacientes de outros estados recebem orientação à distância nos primeiros dias, como explicamos em Cirurgia de Mohs no Nordeste.

Dormência e sensibilidade alterada são normais?

Sim. A cirurgia corta pequenos ramos nervosos da pele, e é comum ficar uma área de dormência ao redor da cicatriz por semanas ou meses, especialmente na testa, no couro cabeludo e ao lado do nariz. Formigamentos, coceira e pequenos "choques" fazem parte da regeneração e tendem a desaparecer em 6 a 12 meses. Em raras situações, uma pequena área de dormência persiste. Isso não é dor, e não indica problema.

Perguntas frequentes

A cirurgia de Mohs dói durante o procedimento?

Não. A anestesia local elimina a dor. O paciente sente toque, pressão e movimento, mas não dor. O único desconforto é o ardor breve da injeção do anestésico.

Posso pedir anestesia geral para a cirurgia de Mohs?

Anestesia geral não é indicada, porque a cirurgia dura várias horas com pausas para análise das lâminas. Em casos selecionados, uma sedação leve pode ser associada à anestesia local.

Quantos dias dói depois da cirurgia de Mohs?

A dor é mais perceptível nas primeiras 48 a 72 horas e diminui progressivamente. Na maioria dos casos, analgésicos comuns são suficientes.

Posso tomar ibuprofeno depois da cirurgia de Mohs?

Nos primeiros dias, prefira dipirona ou paracetamol. Anti-inflamatórios e aspirina aumentam o risco de sangramento e devem ser evitados, salvo orientação do cirurgião.

A dor da injeção de anestesia é forte?

É um ardor de 10 a 30 segundos, comparado à dor de uma vacina. Técnicas como injeção lenta e anestésico tamponado reduzem bastante a sensação.

Onde fazer a cirurgia de Mohs

A cirurgia de Mohs exige um cirurgião com formação específica na técnica e laboratório de congelação ao lado da sala cirúrgica. Por isso a oferta no Nordeste se concentra em poucas capitais. Fortaleza reúne parte dessa estrutura, com cirurgiões formados em centros de referência, e recebe pacientes do interior do Ceará e dos estados vizinhos. Se você mora no Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba ou Pernambuco, veja a situação da oferta no seu estado em Cirurgia de Mohs no Nordeste. Ao escolher, pergunte se o cirurgião tem formação formal em Mohs e se ele mesmo interpreta as lâminas durante a cirurgia.

Este portal é independente e não realiza atendimento. As indicações seguem os critérios descritos em Sobre o portal Cirurgia de Mohs.

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