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Cirurgia de Mohs. Especialidade em Câncer de Pele.

Pós-operatório · 10 min de leitura

Cicatriz após a cirurgia de Mohs: como evolui e como cuidar

Toda cirurgia deixa cicatriz, e a de Mohs também. A diferença é que a ferida é a menor possível para aquele tumor e a reconstrução é planejada para seguir as linhas naturais da pele. A cicatriz fica vermelha e elevada nos primeiros meses e amadurece ao longo de 12 meses, quando costuma se tornar clara, plana e pouco perceptível.

Revisado por médico. Conteúdo produzido pela equipe editorial Cirurgia de Mohs e revisado por médico dermatologista com formação em cirurgia micrográfica de Mohs. Este portal é independente: não realiza consultas, não agenda cirurgias e não responde dúvidas clínicas individuais.

Evolução da cicatriz após cirurgia de Mohs ao longo de 12 meses

"Como vai ficar?" é a pergunta que quase todo paciente faz, e merece uma resposta honesta: a cicatriz vai existir, vai parecer pior nas primeiras semanas do que no resultado final, e vai depender de fatores que você controla (sol, cigarro, cuidados) e de outros que não controla (tipo de pele, local, genética). Este artigo explica o que esperar em cada fase e o que fazer para ajudar. Antes, se quiser entender como a reconstrução é decidida no dia da cirurgia, leia Como é feita a cirurgia de Mohs.

Como a cicatriz evolui ao longo de 12 meses?

A cicatrização passa por fases bem conhecidas, e saber disso evita sustos.

Primeira semana: a ferida

Com o curativo e os pontos, a área fica inchada, avermelhada e às vezes roxa, sobretudo no rosto, onde a pele é fina e muito vascularizada. Pequenas crostas nas bordas são normais. O que você vê nessa fase não tem relação com o resultado final.

Semanas 2 a 4: retirada dos pontos e a "pior fase"

Os pontos são retirados entre 5 e 14 dias, dependendo do local (mais cedo no rosto, mais tarde no tronco e nos membros). Logo depois, a cicatriz costuma ficar mais vermelha, mais dura e um pouco elevada. Isso acontece porque o corpo está produzindo colágeno novo em grande quantidade, e é a fase em que muitos pacientes se preocupam. É esperado. Ao toque, a área parece um cordão firme.

Meses 2 a 3: o pico da vermelhidão

A cicatriz atinge o máximo de vermelhidão e endurecimento em torno de 6 a 8 semanas. Coceira, repuxamento e sensibilidade alterada são comuns. A partir daí, começa a remodelação: o colágeno se reorganiza e a cicatriz começa a amolecer.

Meses 4 a 6: o amaciamento

A vermelhidão diminui, a cicatriz fica mais plana e macia, e o repuxamento cede. Retalhos que estavam "inchados" (o chamado efeito de alçapão, quando a pele do retalho parece um travesseiro elevado) começam a assentar.

Meses 6 a 12: a maturação

A cicatriz vai clareando até ficar próxima da cor da pele ao redor, às vezes um pouco mais clara. O relevo se nivela. É só ao fim desse período que se pode avaliar o resultado final e decidir se algum retoque faz sentido. Em peles muito claras, a cicatriz pode permanecer discretamente rosada por mais tempo; em peles morenas e negras, pode ficar mais escura ou mais clara que a pele ao redor.

Como cada tipo de fechamento cicatriza?

O tipo de reconstrução define o formato e o comportamento da cicatriz.

Fechamento direto

As bordas da ferida são aproximadas com pontos, formando uma linha. Para que a pele feche sem "orelhas" (pregas nas extremidades), o cirurgião geralmente transforma o círculo da ferida em uma elipse, e a cicatriz final é mais longa do que o tumor era, em geral três vezes o diâmetro da ferida. É a cicatriz mais previsível e a que amadurece mais rápido. Quando é posicionada nas linhas naturais de tensão da pele (as rugas de expressão, no rosto), tende a se disfarçar bem.

Retalho

Um retalho desloca pele vizinha, mantendo a circulação, para cobrir a ferida. Isso cria uma cicatriz com formato geométrico (em "L", em "Z", em lobos), com mais linhas do que o fechamento direto, mas com a vantagem de usar pele de cor e textura idênticas. Retalhos são a regra no nariz, na têmpora e nas bochechas. Duas particularidades: o inchaço do retalho (efeito de alçapão) pode persistir por 3 a 6 meses e melhora com massagem e, se necessário, com injeção de corticoide; e as linhas do retalho, quando planejadas nas bordas das subunidades do rosto, tendem a desaparecer visualmente. Detalhamos os retalhos nasais em Cirurgia de Mohs no nariz.

Enxerto

O enxerto transfere um pedaço de pele de outra região (atrás da orelha, clavícula, pálpebra superior) para a ferida. Como a pele vem de outro lugar, a cor e a textura podem ficar diferentes da pele ao redor, e o enxerto costuma ficar um pouco mais afundado e mais claro ou mais escuro. Nas primeiras semanas, o enxerto pode ficar arroxeado ou escurecido, o que assusta, mas geralmente é a fase de "pega". A maturação do enxerto é mais lenta e o resultado final pode ser refinado com dermoabrasão ou laser após alguns meses. Há também a cicatriz da área doadora, normalmente discreta e bem escondida.

Cicatrização por segunda intenção

Em algumas áreas côncavas (canto interno do olho, concha da orelha, têmpora) e em feridas superficiais, o cirurgião pode optar por deixar a ferida fechar sozinha, sem pontos. Leva mais tempo (3 a 6 semanas), exige curativos diários, mas o resultado costuma ser uma cicatriz plana, clara e discreta.

Quais cuidados melhoram a cicatriz?

A maior parte do resultado é definida no planejamento e na execução da reconstrução. Mas o que o paciente faz nos meses seguintes faz diferença real.

Proteção solar

É o cuidado mais importante, sobretudo no Nordeste. A cicatriz nova não tem a proteção natural da pele e escurece com facilidade quando exposta ao sol, e essa mancha pode ser permanente. Use protetor solar FPS 50 ou mais sobre a cicatriz, todos os dias, por pelo menos 12 meses, reaplicando a cada 2 a 3 horas quando estiver ao ar livre. Chapéu de aba larga e óculos escuros completam a proteção no rosto. Nas primeiras semanas, enquanto há crosta, a proteção é física (curativo, chapéu), não química.

Silicone

Placas ou géis de silicone, aplicados diariamente a partir da retirada dos pontos e mantidos por 2 a 3 meses, ajudam a manter a cicatriz hidratada, reduzem a vermelhidão e diminuem a chance de cicatriz elevada. O gel é mais prático para o rosto; a placa, para o tronco e os membros.

Massagem

A partir de 2 a 3 semanas após a retirada dos pontos, quando a ferida já está firme, massagear a cicatriz com pressão moderada, em movimentos circulares, por 5 minutos, duas a três vezes ao dia, ajuda a amolecer o tecido e a reduzir o inchaço dos retalhos. Use um hidratante simples ou o próprio gel de silicone.

Hidratação e não manipular

Mantenha a área hidratada, não arranque crostas e não coce. Evite maquiagem sobre a cicatriz até a completa epitelização (geralmente após a retirada dos pontos e o desaparecimento das crostas).

Não fumar

O cigarro reduz a circulação da pele e é o principal fator evitável de má cicatrização, sobretudo em retalhos e enxertos.

O guia completo, semana a semana, está em Pós-operatório da cirurgia de Mohs.

Cicatriz hipertrófica e queloide: qual é o risco?

Cicatriz hipertrófica é aquela que fica elevada, avermelhada e endurecida além do esperado, mas respeita os limites da ferida original. É mais comum em áreas de tensão (ombros, tórax, mandíbula) e em pessoas jovens. Costuma melhorar com o tempo e responde bem a silicone, massagem, injeções de corticoide e, em alguns casos, laser.

Queloide é uma cicatriz que cresce além dos limites da ferida, como um tumor benigno de colágeno. É mais frequente em pessoas com pele negra ou morena, em quem já teve queloide antes, e em locais como orelhas, tórax e ombros. É raro no rosto central. Quem tem histórico de queloide deve informar o cirurgião na consulta, porque medidas preventivas (corticoide na ferida, silicone precoce, compressão) podem ser adotadas desde o dia da cirurgia.

Um sinal simples para diferenciar: a hipertrófica tende a regredir a partir de 6 meses; o queloide continua crescendo. Nas duas situações, o tratamento é mais eficaz quanto mais cedo começa, então não espere o "resultado final" para relatar uma cicatriz que está piorando.

Quando procurar retoque da cicatriz?

A regra geral é esperar de 6 a 12 meses antes de avaliar qualquer revisão, porque muitas cicatrizes que parecem ruins aos 3 meses ficam boas aos 12. Passado esse período, há situações em que uma revisão faz sentido:

  • Retalho persistentemente elevado ou "inchado" (efeito de alçapão), que pode ser corrigido com corticoide ou um pequeno afinamento cirúrgico
  • Enxerto com cor ou textura muito diferente, que pode melhorar com dermoabrasão ou laser
  • Cicatriz retraída que puxa a pálpebra, a asa do nariz ou o lábio, alterando a função
  • Cicatriz larga ou em degrau, que pode ser reposicionada
  • Vermelhidão persistente, tratável com laser vascular

Muitos desses procedimentos são simples, feitos em consultório com anestesia local. Vale lembrar que a prioridade da Mohs é retirar todo o tumor; a cicatriz, embora importante, é uma etapa que pode ser aprimorada depois, e uma pequena cicatriz é sempre preferível a um tumor que volta, como explicamos em Câncer de pele que voltou.

Perguntas frequentes

A cirurgia de Mohs deixa cicatriz?

Sim, como toda cirurgia. A vantagem é que a ferida é a menor possível para aquele tumor e a reconstrução segue as linhas naturais da pele, o que torna a cicatriz mais discreta com o tempo.

Quanto tempo leva para a cicatriz da cirurgia de Mohs clarear?

A vermelhidão atinge o pico em 6 a 8 semanas e vai diminuindo até 6 a 12 meses. O resultado final é avaliado após um ano.

Posso usar maquiagem sobre a cicatriz?

Sim, depois que os pontos foram retirados e não há mais crostas, geralmente a partir da terceira ou quarta semana. Prefira produtos hipoalergênicos e remova com delicadeza.

Quando posso tomar sol depois da cirurgia de Mohs?

Evite exposição direta nas primeiras semanas. Depois, use protetor solar FPS 50 ou mais sobre a cicatriz diariamente por pelo menos 12 meses, além de chapéu, porque a cicatriz nova mancha com facilidade.

O que fazer se a cicatriz ficar elevada e dura?

Nos primeiros meses, isso é esperado. Silicone, massagem e proteção solar ajudam. Se a elevação persistir ou aumentar, o cirurgião pode indicar injeções de corticoide ou laser. Relate cedo: o tratamento funciona melhor quanto antes começa.

Onde fazer a cirurgia de Mohs

A cirurgia de Mohs exige um cirurgião com formação específica na técnica e laboratório de congelação ao lado da sala cirúrgica. Por isso a oferta no Nordeste se concentra em poucas capitais. Fortaleza reúne parte dessa estrutura, com cirurgiões formados em centros de referência, e recebe pacientes do interior do Ceará e dos estados vizinhos. Se você mora no Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba ou Pernambuco, veja a situação da oferta no seu estado em Cirurgia de Mohs no Nordeste. Ao escolher, pergunte se o cirurgião tem formação formal em Mohs e se ele mesmo interpreta as lâminas durante a cirurgia.

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