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Cirurgia de Mohs. Especialidade em Câncer de Pele.

Pós-operatório · 10 min de leitura

Queloide após cirurgia de pele: como prevenir, reconhecer cedo e tratar

Queloide é uma cicatriz que cresce além dos limites do corte original, formando um relevo firme, brilhante e muitas vezes doloroso ou com coceira, e que não regride sozinha. Ela difere da cicatriz hipertrófica, que fica alta mas respeita a linha da cirurgia e melhora com o tempo. Ambas podem surgir após cirurgia de pele e têm prevenção e tratamento bem estabelecidos.

Revisado por médico. Conteúdo produzido pela equipe editorial Cirurgia de Mohs e revisado por médico dermatologista com formação em cirurgia micrográfica de Mohs. Este portal é independente: não realiza consultas, não agenda cirurgias e não responde dúvidas clínicas individuais.

Diferença entre queloide e cicatriz hipertrófica após cirurgia de pele

Qual é a diferença entre queloide e cicatriz hipertrófica?

As duas são cicatrizes "exageradas", em que o corpo produz colágeno demais durante a cicatrização. A diferença está no comportamento.

CaracterísticaCicatriz hipertróficaQueloide
LimiteFica dentro da linha do corteInvade a pele sadia ao redor, como uma garra
Quando apareceNas primeiras 4 a 8 semanasPode surgir meses após a cirurgia
EvoluçãoTende a achatar em 6 a 18 mesesNão regride; pode crescer por anos
SintomasLeve coceira, às vezesCoceira, dor, sensibilidade ao toque, frequentes
Resposta ao tratamentoBoaParcial; recidiva frequente após remoção
Locais mais comunsArticulações, áreas de tensãoTórax, ombros, lóbulo da orelha, mandíbula

Na prática, nas primeiras semanas é difícil separar as duas, e a conduta inicial é a mesma. O que define o diagnóstico é a observação ao longo dos meses: se a cicatriz ultrapassou a borda do corte, é queloide.

Quem tem mais risco de formar queloide?

O risco de queloide depende de três fatores: a pessoa, o local e a cirurgia.

A pessoa. Queloides são mais frequentes em pele parda e negra (fototipos altos, IV a VI na classificação de Fitzpatrick), em jovens entre 10 e 30 anos e em quem já teve queloide ou tem parentes próximos com queloide. Uma cicatriz de vacina, de acne ou de furo de orelha que cresceu demais é um sinal de alerta que o cirurgião precisa saber antes de operar.

O local. Tórax anterior (região do esterno), ombros, parte superior das costas, lóbulo e concha da orelha, mandíbula e pescoço são as áreas de maior risco, em geral porque a pele está sob tensão constante ou tem características próprias de cicatrização. O rosto central, onde se concentra a maior parte das cirurgias de Mohs, tem risco baixo, com exceção da orelha e da linha da mandíbula.

A cirurgia. Feridas que cicatrizam com inflamação prolongada, infecção, tensão nas bordas ou pontos deixados por tempo demais formam mais cicatrizes exageradas. Por isso, a técnica de fechamento e o cuidado pós-operatório fazem diferença.

Uma cirurgia de Mohs no nariz de um paciente de 70 anos, de pele clara, praticamente não forma queloide. Uma cirurgia de pele no ombro de uma pessoa de 25 anos, de pele negra, com histórico familiar, merece prevenção ativa desde o primeiro dia. Entenda o processo normal de cicatrização em Cicatriz após a cirurgia de Mohs.

Como evitar queloide depois da cirurgia?

A prevenção começa antes da cirurgia e continua por meses. Se você sabe que forma queloide, avise o cirurgião na primeira consulta.

  1. Reduza a tensão sobre a cicatriz. O cirurgião planeja o corte seguindo as linhas de menor tensão da pele e usa pontos internos para aliviar a borda. Da sua parte, evite movimentos que estiquem a área nas primeiras semanas e siga o que está em Sol depois da cirurgia de Mohs.
  2. Use fita ou curativo de silicone. A partir da retirada dos pontos, com a ferida fechada, aplica-se fita de silicone ou gel de silicone sobre a cicatriz por 12 a 24 horas por dia, durante 2 a 6 meses. Fitas microporosas comuns, trocadas a cada poucos dias, também ajudam ao reduzir a tensão e a umidade. É a medida preventiva com melhor evidência nas diretrizes internacionais de manejo de cicatrizes.
  3. Proteja do sol. A cicatriz nova escurece com facilidade; use protetor solar e cubra a área durante o primeiro ano.
  4. Não deixe infectar. Siga as orientações de limpeza e procure o médico ao primeiro sinal de vermelhidão que se espalha, calor ou secreção.
  5. Em pacientes de alto risco, considere prevenção medicamentosa. Injeções de corticoide na cicatriz logo após a retirada dos pontos, repetidas em intervalos de algumas semanas, reduzem a chance de queloide em quem tem histórico forte. Em locais como o lóbulo da orelha, a compressão com brincos de pressão é usada após a cirurgia.

Quais são os sinais precoces de queloide?

Quanto mais cedo se intervém, melhor a resposta. Fique atento, entre a terceira semana e o sexto mês, a estes sinais:

  • a cicatriz, que estava plana, começa a ficar elevada e endurecida;
  • a cor passa de rosada para vermelho-escura ou arroxeada;
  • coceira persistente ou pontadas na cicatriz;
  • sensibilidade ao toque ou ao roçar da roupa;
  • a borda da cicatriz começa a avançar sobre a pele normal.

Uma cicatriz rosada, um pouco mais alta e ligeiramente sensível nas primeiras seis semanas é normal e não significa queloide. O sinal que mais importa é a progressão: a cicatriz que piora em vez de melhorar entre um mês e outro.

Como é o tratamento do queloide?

Não existe um tratamento único; o padrão é combinar métodos, e a resposta é gradual. As opções com melhor suporte na literatura são as seguintes.

Corticoide intralesional

É a primeira linha. Injeta-se corticoide (geralmente triancinolona) diretamente dentro do queloide, em sessões a cada 3 a 6 semanas, em média de 3 a 6 sessões. O queloide amolece, achata e a coceira melhora. Pode causar afinamento e clareamento da pele ao redor se a dose for excessiva, e por isso é feito por profissional experiente. Em queloides muito duros, associa-se crioterapia antes da injeção para facilitar a penetração.

Silicone e compressão

Mantidos durante todo o tratamento. Fita ou gel de silicone diariamente e, quando o local permite, compressão com curativos elásticos ou brincos de pressão na orelha.

Laser

O laser de corante pulsado e outros lasers vasculares reduzem a vermelhidão e a coceira; lasers fracionados ablativos, muitas vezes combinados com aplicação de medicamento na sequência, melhoram a textura e a espessura. São usados como complemento, não isoladamente.

Cirurgia de remoção

Remover um queloide com bisturi e nada mais leva a recidiva na maioria dos casos, muitas vezes maior que o original. Por isso, a excisão só é feita quando combinada a outra medida logo em seguida: injeções de corticoide, betaterapia ou compressão prolongada. É a estratégia habitual para queloides grandes do lóbulo da orelha.

Betaterapia (radioterapia superficial)

Aplicação de radiação de baixa penetração na cicatriz nas primeiras 24 a 72 horas após a remoção cirúrgica do queloide, em poucas sessões. Reduz de forma importante a recidiva e é reservada para queloides resistentes, em adultos, pela preocupação com efeitos a longo prazo.

Outras opções

Injeção de 5-fluorouracil ou bleomicina, isoladas ou combinadas ao corticoide, em queloides que não respondem; toxina botulínica em investigação; e, para a cicatriz hipertrófica, muitas vezes basta silicone, tempo e paciência.

Queloide é comum depois da cirurgia de Mohs?

Não. A maioria das cirurgias de Mohs é feita no rosto, uma região de baixo risco para queloide, e em pacientes acima dos 60 anos, faixa em que a tendência a cicatrizes exageradas já diminuiu muito. O cuidado especial fica para as cirurgias de câncer de pele na orelha, no pescoço, no tórax e nos ombros, sobretudo em pessoas de pele parda ou negra e mais jovens. Nesses casos, o planejamento da reconstrução já leva o risco em conta, como descrevemos em Reconstrução após cirurgia de Mohs.

Vale separar duas situações que confundem o paciente. Uma cicatriz em relevo, avermelhada e um pouco dura nos dois primeiros meses após a Mohs é a fase normal de maturação, não um queloide. E uma área endurecida logo abaixo da cicatriz, que aparece em retalhos, é o edema e a fibrose de cicatrização, que amolece ao longo de meses. O guia de recuperação em Pós-operatório da cirurgia de Mohs explica cada fase.

Quando procurar o médico?

Procure avaliação se a cicatriz continuar crescendo depois do segundo mês, se ultrapassar a linha do corte, se a coceira ou a dor atrapalharem o sono, se houver sinais de infecção ou se você tiver histórico de queloide e quiser iniciar prevenção antes de qualquer sinal. Uma cicatriz avaliada no terceiro mês responde muito melhor do que um queloide de dois anos.

Em Fortaleza, a combinação de sol intenso o ano inteiro e uma população com grande diversidade de tons de pele faz com que o dermatologista veja muitas cicatrizes escurecidas e algumas exageradas; a orientação de fotoproteção e silicone vale para todos, não apenas para quem tem risco alto.

Perguntas frequentes

Toda cicatriz alta é queloide?

Não. A maioria das cicatrizes elevadas é hipertrófica: fica dentro da linha do corte e melhora ao longo de 6 a 18 meses. O queloide invade a pele sadia ao redor, não regride e costuma coçar ou doer. Nas primeiras semanas as duas parecem iguais, e a diferença só fica clara com o acompanhamento.

Como evitar queloide depois de cirurgia?

Reduza a tensão sobre a ferida, use fita ou gel de silicone diariamente por 2 a 6 meses a partir da retirada dos pontos, proteja do sol, evite infecção e, se você já teve queloide, avise o cirurgião para planejar injeções preventivas de corticoide e o tipo de fechamento.

Queloide tem cura?

O queloide pode ser controlado e reduzido de forma significativa com corticoide intralesional, silicone, laser e, em casos selecionados, cirurgia combinada com betaterapia. Ele tende a recidivar, principalmente quando removido sem tratamento complementar, e por isso o acompanhamento continua por pelo menos um ano após a melhora.

Quanto tempo depois da cirurgia o queloide aparece?

Geralmente entre o primeiro e o sexto mês, mas pode surgir até um ano ou mais após a cirurgia. Os primeiros sinais são endurecimento, elevação progressiva, cor mais escura e coceira. A cicatriz hipertrófica aparece mais cedo, nas primeiras 4 a 8 semanas.

Pessoas de pele negra têm mais queloide?

Sim. Queloides são várias vezes mais frequentes em pele parda e negra, sobretudo em jovens e em áreas como tórax, ombros e orelha. Isso não impede a cirurgia de câncer de pele; significa que a prevenção deve ser planejada desde o início, com técnica de fechamento adequada e silicone ou corticoide preventivo.

Onde fazer a cirurgia de Mohs

A cirurgia de Mohs exige um cirurgião com formação específica na técnica e laboratório de congelação ao lado da sala cirúrgica. Por isso a oferta no Nordeste se concentra em poucas capitais. Fortaleza reúne parte dessa estrutura, com cirurgiões formados em centros de referência, e recebe pacientes do interior do Ceará e dos estados vizinhos. Se você mora no Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba ou Pernambuco, veja a situação da oferta no seu estado em Cirurgia de Mohs no Nordeste. Ao escolher, pergunte se o cirurgião tem formação formal em Mohs e se ele mesmo interpreta as lâminas durante a cirurgia.

Este portal é independente e não realiza atendimento. As indicações seguem os critérios descritos em Sobre o portal Cirurgia de Mohs.

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