Em resumo, como se preparar:
- Informe todos os medicamentos e suplementos na consulta pré-operatória e siga a orientação individual sobre cada um.
- Não faça jejum: tome café da manhã normalmente e leve um lanche.
- Tome banho, lave o cabelo e vá sem maquiagem, sem cremes e sem joias no rosto.
- Vista roupa confortável com abertura na frente e leve um agasalho.
- Vá com acompanhante e reserve o dia inteiro.
Preciso fazer jejum para a cirurgia de Mohs?
Não. A cirurgia de Mohs é feita com anestesia local, injetada apenas na região do tumor, e o paciente permanece acordado o tempo todo. O jejum é exigido para anestesia geral ou sedação, quando há risco de vômito com o paciente inconsciente; nada disso se aplica aqui. Pelo contrário: ir em jejum é um erro comum que aumenta a chance de mal-estar, tontura e queda de pressão, sobretudo em pessoas com diabetes.
Tome um café da manhã completo, com o que costuma comer. Como o procedimento dura de 2 a 5 horas, com intervalos de espera enquanto as camadas são examinadas no laboratório, leve um lanche leve, uma fruta e água. Em muitos serviços é possível comer durante a espera entre as etapas. O funcionamento do procedimento está explicado em Como é feita a cirurgia de Mohs.
Quais medicamentos devo manter ou suspender?
Esta é a dúvida mais importante do preparo, e a regra geral é: não suspenda nada por conta própria. A orientação sobre cada remédio é dada na consulta, com base no seu histórico e, quando necessário, em contato com o seu cardiologista ou clínico. A tabela resume a conduta habitual.
| Grupo de medicamentos | Exemplos | Conduta habitual |
|---|---|---|
| Anticoagulantes e antiagregantes prescritos | Varfarina, AAS, clopidogrel, rivaroxabana, apixabana, dabigatrana | Geralmente mantidos, porque o risco de trombose ao suspender supera o risco de sangramento na Mohs; decisão individual com o médico prescritor |
| AAS por conta própria (sem indicação médica) | Aspirina "para prevenir" | Pode ser suspenso alguns dias antes, com orientação do cirurgião |
| Anti-inflamatórios | Ibuprofeno, diclofenaco, nimesulida, naproxeno | Evitar na semana anterior; para dor, preferir paracetamol ou dipirona |
| Suplementos e fitoterápicos | Vitamina E, ômega 3, ginkgo biloba, alho em cápsula, gengibre, ginseng | Suspender de 7 a 10 dias antes, pois aumentam o sangramento |
| Remédios de pressão, tireoide, colesterol, diabetes oral | Losartana, anlodipino, levotiroxina, sinvastatina, metformina | Manter normalmente, tomar no dia com um gole de água |
| Insulina | Todos os tipos | Manter, com ajuste de dose conforme o médico se houver mudança na alimentação |
| Antibióticos preventivos | Conforme prescrição | Apenas em situações específicas (próteses recentes, válvulas cardíacas, imunossupressão), definidas pelo cirurgião |
O tema dos anticoagulantes é o que gera mais receio, e por isso tem um artigo próprio: Anticoagulantes e cirurgia de Mohs. O ponto essencial é que, na maior parte dos casos, a recomendação atual é manter, porque um sangramento durante a Mohs é controlável no consultório, enquanto um AVC ou infarto por suspensão do remédio não é.
Também não suspenda medicamentos psiquiátricos, anticonvulsivantes, remédios para Parkinson ou qualquer tratamento de uso contínuo. Se estiver com gripe, febre ou infecção de pele ativa perto do local da cirurgia, avise antes: pode ser prudente remarcar.
E o álcool e o cigarro?
Evite bebidas alcoólicas nas 48 horas anteriores e na semana seguinte à cirurgia. O álcool dilata os vasos e aumenta o risco de sangramento e de hematoma. Quanto ao cigarro, o ideal é parar pelo menos duas semanas antes e manter a abstinência por duas semanas depois. A nicotina reduz a circulação da pele e é um dos principais fatores de má cicatrização, sobretudo quando a reconstrução envolve retalho ou enxerto. Se não conseguir parar, reduza ao máximo e conte ao cirurgião: isso influencia a escolha da reconstrução.
Tenho diabetes, hipertensão ou marcapasso. Posso operar?
Sim, com alguns cuidados. A cirurgia de Mohs é ambulatorial, sob anestesia local, e é realizada com segurança em pacientes idosos e com doenças crônicas controladas.
Quem tem hipertensão deve tomar os remédios normalmente no dia. Chegar com a pressão alta, por nervosismo ou por ter pulado a dose, aumenta o sangramento durante a cirurgia e pode até adiar o procedimento. Quem tem diabetes deve tomar café da manhã, manter os medicamentos e trazer um lanche para não ter hipoglicemia durante a espera; se usa insulina, o médico orienta se há ajuste de dose. Glicemia bem controlada nas semanas anteriores favorece a cicatrização.
Quem tem marcapasso ou desfibrilador implantável deve informar antes. O eletrocautério usado para estancar o sangramento pode, em teoria, interferir no dispositivo. Em geral, o cirurgião usa cautério bipolar ou térmico, que são seguros, e pode pedir o cartão do dispositivo e uma orientação do cardiologista. Não é motivo para cancelar a cirurgia.
Pacientes com prótese articular recente, válvula cardíaca artificial ou histórico de endocardite podem precisar de antibiótico antes do procedimento; essa decisão é individual e segue diretrizes específicas.
Preciso de exames antes da cirurgia?
Na maioria dos casos, não. Como a anestesia é local e o procedimento é de pequeno porte, exames de sangue de rotina e eletrocardiograma não costumam ser necessários para pacientes sem doenças descompensadas. Eles podem ser pedidos em situações específicas: uso de varfarina (para conferir o INR), doenças da coagulação, pacientes com doenças graves ou quando o convênio exige. O documento realmente indispensável é o laudo da biópsia, que confirma o tipo de tumor e define a indicação. Se o exame foi feito em outro laboratório, leve o laudo original e, se possível, as lâminas.
Fotos da lesão feitas ao longo do tempo e o relatório de cirurgias anteriores no mesmo local também ajudam, especialmente se o tumor é uma recidiva.
O que vestir e como se arrumar no dia?
Tome banho e lave o cabelo na manhã da cirurgia, porque nos primeiros dias o curativo não pode molhar, e lavar a cabeça fica mais difícil se a cirurgia for na face ou no couro cabeludo. Vá sem maquiagem, sem cremes, sem protetor solar e sem perfume na região a ser operada. Retire brincos, colares, piercings e óculos se o tumor estiver perto; leve os óculos em um estojo. Homens podem fazer a barba no dia anterior, sem raspar a área da lesão.
Vista roupa confortável, folgada, de preferência com abertura na frente (camisa de botão ou zíper), para não precisar passar a roupa pela cabeça na saída, quando haverá um curativo no rosto. As salas de cirurgia costumam ser frias por causa do ar-condicionado; leve um agasalho leve ou uma manta. Calçado fechado e confortável, sem salto.
Preciso de acompanhante?
Sim, é fortemente recomendado. Embora a anestesia seja local e você esteja acordado, a cirurgia é longa, pode haver um pouco de cansaço e ansiedade, e o curativo pode atrapalhar a visão se o tumor estiver perto do olho. Dirigir depois não é aconselhável. O acompanhante também ouve as orientações de curativo junto com você, o que reduz esquecimentos.
Para pacientes que vêm do interior ou de outros estados até Fortaleza, o acompanhante é ainda mais importante para a viagem de volta e para a hospedagem nos primeiros dias, quando pode ser necessário retornar ao consultório para revisão. Veja como o atendimento é organizado em Cirurgia de Mohs no Nordeste.
O que levar no dia da cirurgia?
Leve o laudo da biópsia, documentos pessoais e carteira do convênio, a lista completa de medicamentos com doses (ou as caixas), o cartão do marcapasso se tiver, exames recentes se foram solicitados, um lanche leve e água, óculos de leitura, celular com carregador, um livro ou fone de ouvido para as horas de espera, e o agasalho. Se usa aparelho auditivo, leve-o. Se usa colírio, leve também.
Reserve o dia inteiro. Mesmo que a cirurgia termine cedo, evite compromissos à tarde: o ideal é ir para casa, ficar em repouso e manter a cabeça elevada. A recuperação, dia a dia, está descrita em Pós-operatório da cirurgia de Mohs, e as orientações sobre sol e exercício em Sol depois da cirurgia de Mohs.
Checklist do preparo
| Quando | O que fazer |
|---|---|
| Na consulta pré-operatória | Entregar a lista de medicamentos e suplementos; informar alergias, marcapasso, próteses, diabetes, problemas de coagulação, cirurgias anteriores no local |
| 7 a 10 dias antes | Suspender suplementos e fitoterápicos que aumentam sangramento (vitamina E, ômega 3, ginkgo, alho, gengibre); evitar anti-inflamatórios; reduzir ou parar o cigarro |
| 48 horas antes | Não beber álcool; confirmar acompanhante e transporte; separar documentos e laudo |
| Na véspera | Dormir bem; preparar o lanche; separar roupa com abertura na frente e agasalho |
| No dia | Tomar café da manhã; tomar os remédios habituais (salvo orientação contrária); banho e cabelo lavado; sem maquiagem ou cremes; sem joias; chegar no horário |
| Levar | Laudo da biópsia, documentos, cartão do convênio, lista de remédios, cartão do marcapasso, lanche, água, óculos, celular, agasalho |
Perguntas frequentes
A cirurgia de Mohs precisa de jejum?
Não. A anestesia é local e o paciente fica acordado, então não há necessidade de jejum. O recomendado é tomar café da manhã normalmente e levar um lanche para as horas de espera entre as camadas, evitando tontura, mal-estar e queda de açúcar no sangue.
Posso tomar meus remédios de pressão no dia da cirurgia de Mohs?
Sim. Os remédios de pressão, tireoide, colesterol, diabetes e todos os de uso contínuo devem ser tomados normalmente. Chegar com a pressão alta aumenta o sangramento durante o procedimento. Só suspenda algum medicamento se o cirurgião ou o médico prescritor orientar expressamente.
Preciso parar o anticoagulante antes da cirurgia de Mohs?
Na maioria dos casos, não. A recomendação atual é manter anticoagulantes e antiagregantes prescritos, como varfarina, AAS e clopidogrel, porque o risco de trombose ao suspender supera o risco de sangramento, que é controlável no consultório. A decisão é individual e envolve o cardiologista.
Quanto tempo devo reservar para o dia da cirurgia?
O dia inteiro. O procedimento dura de 2 a 5 horas, dependendo do número de camadas necessárias, e depois é recomendável ir para casa e repousar. Evite marcar compromissos, viagens de retorno longas ou trabalho na tarde da cirurgia.
Posso ir sozinho para a cirurgia de Mohs?
É desaconselhado. Mesmo com anestesia local, a cirurgia é longa, o curativo pode atrapalhar a visão e dirigir depois não é seguro. O acompanhante também ouve as orientações de curativo e ajuda nos primeiros dias, o que é especialmente importante para quem viaja de outra cidade.
Onde fazer a cirurgia de Mohs
A cirurgia de Mohs exige um cirurgião com formação específica na técnica e laboratório de congelação ao lado da sala cirúrgica. Por isso a oferta no Nordeste se concentra em poucas capitais. Fortaleza reúne parte dessa estrutura, com cirurgiões formados em centros de referência, e recebe pacientes do interior do Ceará e dos estados vizinhos. Se você mora no Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba ou Pernambuco, veja a situação da oferta no seu estado em Cirurgia de Mohs no Nordeste. Ao escolher, pergunte se o cirurgião tem formação formal em Mohs e se ele mesmo interpreta as lâminas durante a cirurgia.
Este portal é independente e não realiza atendimento. As indicações seguem os critérios descritos em Sobre o portal Cirurgia de Mohs.


