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Cirurgia de Mohs. Especialidade em Câncer de Pele.

Cirurgia de Mohs · 12 min de leitura

Reconstrução após cirurgia de Mohs: fechamento direto, retalho ou enxerto?

A reconstrução após cirurgia de Mohs é a etapa em que a ferida deixada pela retirada do tumor é fechada. Existem quatro caminhos: fechamento primário (sutura direta), cicatrização por segunda intenção (a pele fecha sozinha), retalho local (pele vizinha deslocada) e enxerto de pele (pele retirada de outro lugar). A escolha depende do tamanho, do local e da profundidade da ferida.

Revisado por médico. Conteúdo produzido pela equipe editorial Cirurgia de Mohs e revisado por médico dermatologista com formação em cirurgia micrográfica de Mohs. Este portal é independente: não realiza consultas, não agenda cirurgias e não responde dúvidas clínicas individuais.

Opções de reconstrução após cirurgia de Mohs: fechamento primário, segunda intenção, retalho e enxerto

Por que a reconstrução só é planejada depois de retirar o tumor?

Na cirurgia de Mohs, o tumor é retirado em camadas finas e cada camada é examinada ao microscópio durante o procedimento, até que toda a margem esteja livre. Isso significa que o cirurgião só sabe o tamanho e o formato final da ferida quando o último exame confirma que não restou tumor. Por isso a reconstrução não pode ser desenhada com antecedência: ela é definida na hora, com a ferida real à frente.

Essa é uma das vantagens da técnica. Como a Mohs examina praticamente 100% da margem, o cirurgião retira apenas o tecido comprometido e preserva o máximo de pele saudável, o que costuma resultar em uma ferida menor do que na cirurgia convencional. A ferida menor abre mais opções de fechamento. Se você ainda não conhece as etapas da cirurgia, vale ler antes Como é feita a cirurgia de Mohs e a página completa sobre a Cirurgia de Mohs.

O que é fechamento primário?

O fechamento primário é a sutura direta: as bordas da ferida são aproximadas e costuradas, formando uma linha fina. É a opção mais simples e a preferida sempre que possível, porque a cicatriz resultante é uma linha única, geralmente bem discreta.

Para que isso funcione, a pele ao redor precisa ter alguma folga. O cirurgião costuma transformar a ferida redonda em um formato de elipse (fuso), para que as bordas se encaixem sem formar "orelhas" de pele. Essa elipse é posicionada ao longo das chamadas linhas de tensão da pele, que são as linhas naturais de relaxamento, muitas vezes coincidindo com rugas e dobras. Uma cicatriz alinhada com essas linhas tende a ficar menos visível com o tempo.

O fechamento primário é comum em feridas pequenas e médias na testa, nas bochechas, no pescoço, no tronco e nos membros. No nariz e nas pálpebras, onde a pele é mais justa, ele funciona apenas em feridas bem pequenas.

O que é cicatrização por segunda intenção?

Cicatrização por segunda intenção significa deixar a ferida aberta, protegida por curativo, para que o organismo a feche sozinho. Parece contraintuitivo, mas em locais específicos ela produz um resultado estético comparável ou até superior ao de uma sutura. A ferida vai se preenchendo de dentro para fora ao longo de algumas semanas, e a pele nova cresce das bordas em direção ao centro.

Funciona bem em áreas côncavas, ou seja, nas "cavidades" do rosto: o canto interno do olho, a concha e a região atrás da orelha, a têmpora, a lateral do nariz junto à bochecha e algumas áreas do couro cabeludo. Nessas regiões, a ferida se contrai de forma favorável e a cicatriz costuma ficar plana e pouco perceptível.

A desvantagem é o tempo: em vez de retirar pontos em uma ou duas semanas, o paciente faz curativos diários por três a seis semanas, dependendo do tamanho. Em áreas convexas ou perto de estruturas móveis, como a pálpebra, o lábio e a asa do nariz, a contração pode repuxar essas estruturas e por isso a segunda intenção é evitada nesses pontos.

O que é um retalho local?

Retalho local é um pedaço de pele vizinha que é descolado e movido para cobrir a ferida, mas que permanece ligado à sua base original, mantendo a própria circulação. Como a pele vem do lado, tem a mesma cor, espessura e textura da região, o que dá resultados bastante naturais. É a solução mais usada nas feridas de tamanho médio do rosto, principalmente no nariz, onde não há folga de pele para fechar diretamente.

Há vários desenhos de retalho, e o nome indica o movimento que a pele faz:

Retalho de avanço

A pele de um lado é descolada e "empurrada" em linha reta sobre a ferida. Muito usado na testa, nas sobrancelhas e no lábio superior, onde as cicatrizes podem ser escondidas em linhas naturais.

Retalho de rotação

A pele gira em torno de um ponto fixo, descrevendo um arco, para cobrir a ferida. Comum nas bochechas, no couro cabeludo e no queixo, onde há pele em quantidade ao redor.

Retalho de transposição

A pele "salta" por cima de uma faixa de pele normal para chegar à ferida. É o grupo mais usado no nariz. Os retalhos bilobado e romboide são exemplos de transposição, e o retalho nasolabial (que traz pele da dobra entre o nariz e a bochecha) é um dos mais tradicionais para a asa nasal. Falamos mais sobre eles em Cirurgia de Mohs no nariz.

Depois do retalho, a cicatriz é maior que a ferida original, porque o desenho inclui as linhas por onde a pele foi movida. Em troca, a cobertura fica com qualidade de pele muito próxima da original. As cicatrizes são planejadas, sempre que possível, nas bordas das chamadas subunidades estéticas, explicadas adiante.

O que é um enxerto de pele?

Enxerto de pele é um fragmento de pele retirado por completo de outra região do corpo e costurado sobre a ferida. Diferente do retalho, ele não leva a própria circulação: nos primeiros dias, o enxerto sobrevive absorvendo nutrientes do leito da ferida até que novos vasos cresçam para dentro dele. Por isso o local precisa ficar bem imóvel e protegido na primeira semana.

O tipo mais usado na reconstrução após Mohs é o enxerto de pele total, em que se retira toda a espessura da pele (sem a gordura) de áreas com pele semelhante à do rosto e com sobra: a frente ou a parte de trás da orelha, a região acima da clavícula, a pálpebra superior em pacientes com excesso de pele, ou a prega do pescoço. O local doador é fechado com sutura direta.

O enxerto é escolhido quando a ferida é grande demais para um retalho, quando o paciente prefere uma cirurgia menor, ou em regiões em que ele se adapta bem, como a ponta do nariz, a pálpebra inferior, a orelha e o couro cabeludo. Ele pode ficar, no começo, com cor e textura um pouco diferentes da pele ao redor, e essa diferença costuma diminuir ao longo dos meses. Em alguns casos, é usado um enxerto de pele parcial (mais fino), especialmente em feridas grandes do couro cabeludo e dos membros.

O que são subunidades estéticas e por que elas importam?

O rosto pode ser dividido em regiões que o olho humano enxerga como blocos: a testa, cada bochecha, o nariz (que por sua vez tem ponta, dorso, asas e laterais), os lábios, o queixo, as pálpebras. Essas regiões são as subunidades estéticas. As fronteiras entre elas, como o sulco entre o nariz e a bochecha ou a borda do lábio, são lugares onde a sombra e a mudança de contorno já existem naturalmente.

Uma cicatriz colocada exatamente nessas fronteiras tende a "desaparecer" na anatomia do rosto, enquanto uma cicatriz que atravessa o meio de uma subunidade chama mais atenção. Por isso, em alguns casos, o cirurgião prefere ampliar levemente a ferida para reconstruir uma subunidade inteira, em vez de fechar apenas o buraco e deixar um remendo no meio dela. Esse princípio orienta a escolha entre retalho, enxerto e a direção de cada cicatriz.

Como o cirurgião escolhe entre as técnicas?

Não existe uma técnica melhor em abstrato; existe a mais adequada para cada ferida e cada pessoa. A tabela abaixo resume os critérios usados na decisão.

TécnicaQuando é escolhidaVantagensPontos de atenção
Fechamento primárioFerida pequena ou média em área com folga de peleCicatriz em linha única, recuperação rápida, pontos em 5–14 diasExige pele disponível; pode repuxar estruturas se houver tensão
Segunda intençãoFerida em área côncava (canto do olho, têmpora, concha da orelha) ou paciente que prefere evitar nova cirurgiaSem pontos, sem incisão adicional, resultado natural em locais adequadosCurativos por 3–6 semanas; evitar perto de pálpebra, lábio e asa nasal
Retalho localFerida média no nariz, bochecha, testa ou lábio, sem folga diretaPele idêntica em cor e textura; boa circulaçãoCicatriz mais longa, pode haver inchaço e pequenas correções depois
Enxerto de pele totalFerida grande, ponta do nariz, orelha, pálpebra, couro cabeludoCirurgia menor, cobre áreas extensasCor e textura diferentes no início; precisa de repouso da área na 1ª semana

Também pesam a idade e a saúde do paciente, o hábito de fumar (que prejudica a circulação de retalhos e enxertos), medicamentos em uso, o desejo de evitar procedimentos adicionais e a facilidade de retorno ao consultório, o que é relevante para pacientes que viajam de outros estados do Nordeste até Fortaleza.

A reconstrução é feita no mesmo dia? Quem faz?

Na grande maioria dos casos, a reconstrução é feita no mesmo dia, logo após a confirmação de que as margens estão livres, pelo próprio cirurgião de Mohs, que tem treinamento em reconstrução da face. O paciente entra e sai do consultório com o tumor retirado e a ferida fechada, tudo sob anestesia local.

Em algumas situações a reconstrução é feita em dois tempos: a ferida é protegida com curativo e fechada em um segundo dia, dias depois. Isso acontece quando a ferida é muito grande, quando envolve estruturas como a pálpebra ou o lábio em profundidade, ou quando o fechamento exige um retalho em etapas, como o retalho da testa usado para reconstruir o nariz. Esse último, chamado retalho paramediano frontal, é feito em duas ou três etapas com semanas de intervalo.

Nesses cenários, o cirurgião de Mohs pode trabalhar em conjunto com um cirurgião plástico ou com um oftalmologista especializado em oculoplástica. O trabalho em equipe é rotina nos serviços de Mohs e não significa que algo deu errado: significa que cada profissional cuida da parte em que tem mais experiência. Falamos sobre a pálpebra em Cirurgia de Mohs na pálpebra.

Como fica a cicatriz e quanto tempo leva para melhorar?

Toda cirurgia deixa cicatriz; o objetivo da reconstrução é que ela fique discreta e não altere a função. Nas primeiras semanas, a cicatriz costuma estar avermelhada, endurecida e às vezes elevada. Retalhos podem parecer "inchados" ou levemente abaulados no primeiro mês. Enxertos ficam mais escuros ou mais claros no início. Esse é o curso normal.

A maturação da cicatriz leva de seis meses a um ano. Nesse período, a cor se aproxima da pele ao redor e o relevo se acomoda. Pequenos ajustes (dermoabrasão, laser, uma correção mínima de contorno) podem ser propostos após alguns meses, se necessário. Massagem, proteção solar rigorosa e paciência fazem parte do tratamento. Há um guia completo em Cicatriz após a cirurgia de Mohs e as orientações de recuperação em Pós-operatório da cirurgia de Mohs.

Perguntas frequentes

A reconstrução após a cirurgia de Mohs é feita na mesma hora?

Na maioria dos casos, sim. Depois que o exame das camadas confirma que as margens estão livres, o cirurgião fecha a ferida no mesmo dia, sob anestesia local. A reconstrução em dois tempos é reservada para feridas muito grandes, complexas ou que exigem retalhos em etapas.

Preciso de cirurgião plástico depois da Mohs?

Não necessariamente. O cirurgião de Mohs é treinado para reconstruir a maioria das feridas da face. Em casos selecionados, como reconstruções extensas de pálpebra, lábio ou nariz, o trabalho pode ser compartilhado com cirurgião plástico ou oculoplástico, sempre planejado com o paciente.

Retalho ou enxerto: qual deixa a cicatriz menos visível?

Depende do local. Retalhos usam pele idêntica à da região e costumam ter melhor combinação de cor, mas a cicatriz é mais longa. Enxertos deixam uma cicatriz menor no rosto, porém com cor e textura que podem diferir no início. O cirurgião escolhe pensando no resultado final, não apenas no tamanho da cicatriz.

Deixar a ferida cicatrizar sozinha é seguro?

Sim, quando o local é adequado. A cicatrização por segunda intenção é uma técnica reconhecida e, em áreas côncavas como o canto do olho e a têmpora, produz resultados naturais. Ela exige curativos diários por algumas semanas e acompanhamento para garantir que a ferida evolua bem.

Quanto tempo a cicatriz da reconstrução leva para ficar boa?

A cicatriz passa por uma fase avermelhada e endurecida nas primeiras semanas e amadurece ao longo de seis a doze meses. A proteção solar diária é fundamental nesse período, sobretudo com o sol intenso do Nordeste, para evitar que a cicatriz escureça.

O enxerto pode "não pegar"?

Pode, embora seja incomum. O enxerto depende de repouso, curativo bem aplicado e boa circulação. Fumo, infecção e sangramento sob o enxerto são os principais fatores de risco. Quando parte do enxerto não se integra, a área costuma cicatrizar por segunda intenção, e correções podem ser feitas depois.

Onde fazer a cirurgia de Mohs

A cirurgia de Mohs exige um cirurgião com formação específica na técnica e laboratório de congelação ao lado da sala cirúrgica. Por isso a oferta no Nordeste se concentra em poucas capitais. Fortaleza reúne parte dessa estrutura, com cirurgiões formados em centros de referência, e recebe pacientes do interior do Ceará e dos estados vizinhos. Se você mora no Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba ou Pernambuco, veja a situação da oferta no seu estado em Cirurgia de Mohs no Nordeste. Ao escolher, pergunte se o cirurgião tem formação formal em Mohs e se ele mesmo interpreta as lâminas durante a cirurgia.

Este portal é independente e não realiza atendimento. As indicações seguem os critérios descritos em Sobre o portal Cirurgia de Mohs.

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