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Cirurgia de Mohs. Especialidade em Câncer de Pele.

Tipos de câncer de pele · 10 min de leitura

Sinais de câncer de pele: como identificar e quando procurar o dermatologista

Os sinais mais comuns de câncer de pele são uma ferida que não cicatriza em quatro semanas, um nódulo perolado ou brilhante que sangra com facilidade, uma lesão áspera e endurecida que cresce, e uma pinta assimétrica, de bordas irregulares, cores variadas, maior que 6 mm ou que mudou. Qualquer um desses sinais merece avaliação de um dermatologista.

Revisado por médico. Conteúdo produzido pela equipe editorial Cirurgia de Mohs e revisado por médico dermatologista com formação em cirurgia micrográfica de Mohs. Este portal é independente: não realiza consultas, não agenda cirurgias e não responde dúvidas clínicas individuais.

Sinais de câncer de pele: carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular e melanoma

O câncer de pele é o mais frequente no Brasil, e no Ceará foram estimados cerca de 10 mil novos casos de câncer de pele não melanoma entre 2023 e 2025, segundo o INCA. A boa notícia é que ele aparece na superfície, onde pode ser visto, e a grande maioria é curável quando tratada cedo. A dificuldade é que os primeiros sinais são discretos e parecem coisas banais: uma espinha, um machucado, uma mancha de sol. Este artigo ensina a reconhecer os sinais de cada tipo. Para a visão completa dos tumores, veja Câncer de pele.

Quais são os sinais do carcinoma basocelular?

O carcinoma basocelular (CBC) é o câncer de pele mais comum, respondendo por cerca de 70% a 80% dos casos. Ele cresce devagar, quase nunca se espalha para outros órgãos, mas destrói o tecido ao redor se não for tratado. Aparece sobretudo no rosto (nariz, pálpebras, bochechas, testa), nas orelhas, no pescoço e nas costas, em pessoas acima de 40 anos, mas cada vez mais em jovens.

Os sinais clássicos são:

Ferida que não cicatriza. Uma pequena "espinha" ou "machucado" que sangra, forma crosta, parece melhorar e volta a abrir, por semanas ou meses. Qualquer ferida na pele que não fecha em quatro semanas deve ser examinada.

Nódulo perolado. Uma bolinha de superfície lisa e brilhante, cor de pele ou rosada, com aspecto de pérola ou de cera, muitas vezes com vasinhos finos visíveis na superfície (telangiectasias). Costuma crescer lentamente e ter uma depressão ou uma ferida no centro.

Sangramento fácil. A lesão sangra com o mínimo trauma: secar o rosto com a toalha, fazer a barba, coçar.

Mancha rosada e descamativa. No tronco, o CBC superficial se parece com uma mancha de eczema ou micose, rosada, plana, que não responde a cremes.

Cicatriz que surgiu sozinha. A forma esclerodermiforme aparece como uma área esbranquiçada, endurecida, parecida com uma cicatriz, sem que tenha havido ferimento. É a mais traiçoeira, porque as bordas são mal definidas. Saiba mais em Carcinoma basocelular.

Quais são os sinais do carcinoma espinocelular?

O carcinoma espinocelular (CEC) é o segundo mais comum e tem maior potencial de agressividade: pode invadir mais profundamente e, em uma minoria dos casos, se espalhar para gânglios. Surge em áreas de exposição solar crônica: rosto, orelhas, lábio inferior, couro cabeludo de pessoas calvas, dorso das mãos e antebraços. É frequente em quem trabalhou ao sol por décadas (agricultores, pescadores, pedreiros, motoristas) e em pacientes transplantados ou imunossuprimidos.

Os sinais principais são:

Lesão áspera e endurecida. Uma placa ou nódulo de superfície rugosa, às vezes com escamas grossas ou um "chifre" de queratina, que fica firme ao toque e pode doer.

Crescimento rápido. Diferente do CBC, o CEC pode dobrar de tamanho em semanas. Uma lesão que cresce visivelmente em um ou dois meses é sinal de alerta.

Ferida com bordas elevadas. Uma úlcera de fundo irregular, com bordas grossas, que sangra e não cicatriza.

Mancha áspera que engrossou. A ceratose actínica (uma lesão pré-maligna comum em quem tem pele clara e muita exposição solar) é uma manchinha áspera, como lixa fina. Quando uma dessas engrossa, endurece, cresce ou dói, pode ter se transformado em CEC.

No lábio inferior, uma área esbranquiçada e ressecada que descama e forma feridas (queilite actínica) é a fase pré-maligna; um nódulo ou uma ferida persistente no lábio já pode ser o tumor. Detalhes em Carcinoma espinocelular.

Quais são os sinais do melanoma?

O melanoma é menos comum (cerca de 270 novos casos estimados por ano no Ceará), mas é o mais perigoso, porque pode se espalhar para outros órgãos. Surge de uma pinta que muda ou, na maioria das vezes, como uma pinta nova. Em pessoas de pele negra ou morena, aparece com frequência nas palmas das mãos, nas plantas dos pés e sob as unhas, e é diagnosticado mais tarde por isso.

A regra ABCDE

A regra ABCDE resume os sinais de alerta em uma pinta:

LetraSinalO que observar
AAssimetriaUma metade da pinta é diferente da outra
BBordasIrregulares, recortadas, mal definidas
CCorMais de uma cor: tons de marrom, preto, vermelho, azul, branco
DDiâmetroMaior que 6 mm (o tamanho de uma borracha de lápis)
EEvoluçãoMudou de tamanho, forma, cor, relevo, ou passou a coçar ou sangrar

O "E" de evolução é o mais importante. Uma pinta que era estável há anos e começou a mudar merece avaliação, mesmo que os outros critérios pareçam normais.

O sinal do "patinho feio"

A maioria das pintas de uma pessoa se parece entre si. O melanoma costuma ser a pinta que destoa das outras: mais escura, maior, com formato diferente. Ao olhar as costas ou os braços, procure a que "não pertence ao grupo". Esse sinal, chamado de "patinho feio", é tão útil quanto o ABCDE.

Outros sinais

Uma linha escura sob a unha que não desaparece com o crescimento, uma pinta com área de cor que "sumiu" (regressão), um nódulo escuro ou rosado de crescimento rápido, ou uma mancha escura irregular no rosto de uma pessoa idosa (lentigo maligno). Leia mais em Melanoma.

Quando procurar o dermatologista?

Procure avaliação quando notar qualquer uma destas situações:

  • Ferida que não cicatriza em quatro semanas, em qualquer lugar do corpo
  • Lesão que sangra com facilidade ou repetidamente
  • Nódulo perolado, brilhante ou com vasinhos, sobretudo no rosto
  • Lesão áspera, endurecida, que cresceu nos últimos meses
  • Pinta com qualquer critério do ABCDE ou que destoa das outras
  • Pinta nova depois dos 40 anos
  • Mancha escura sob a unha ou na planta do pé que não some
  • Área de "cicatriz" que surgiu sem ferimento

Não espere para ver se melhora. Lesões pequenas são tratadas com cirurgias pequenas; lesões que esperaram meses exigem reconstruções maiores. Se o dermatologista suspeitar de câncer, ele fará uma biópsia, e o laudo define o tratamento. Explicamos como ler esse laudo em Como entender o laudo da biópsia de pele.

O dermatologista tem um instrumento chamado dermatoscópio, uma lupa com luz polarizada que mostra estruturas invisíveis a olho nu e aumenta bastante a precisão do exame. Muitas lesões que parecem suspeitas são benignas à dermatoscopia, e outras que parecem inocentes revelam sinais de alerta.

Como fazer o autoexame da pele?

Uma vez por mês, em ambiente bem iluminado, com um espelho grande e um de mão:

  1. Examine o rosto, incluindo nariz, lábios, orelhas (frente e trás) e couro cabeludo (com o auxílio de um pente ou secador).
  2. Veja mãos, palmas, unhas, punhos e antebraços, dos dois lados.
  3. Levante os braços e examine as axilas e as laterais do tronco.
  4. Com o espelho de mão, veja o pescoço, as costas e as nádegas.
  5. Sentado, examine as pernas, os pés, as plantas, entre os dedos e as unhas dos pés.
  6. Não esqueça a região genital.

Fotografe as lesões que quer acompanhar, com uma régua ao lado, para comparar nos meses seguintes. Pessoas com muitas pintas, história de câncer de pele na família ou episódios de queimadura solar na infância devem fazer, além do autoexame, uma consulta dermatológica anual com mapeamento das pintas.

Quem já teve um câncer de pele tem risco maior de desenvolver outro, e o acompanhamento com o dermatologista é mantido por anos, como explicamos em Câncer de pele que voltou.

Por que a proteção solar importa tanto no Nordeste?

Fortaleza e as capitais vizinhas têm índice ultravioleta alto ou muito alto na maior parte do ano, inclusive em dias nublados. O sol das 10h às 16h é o mais agressivo. A exposição que causa câncer de pele é a acumulada ao longo da vida, e no Nordeste ela começa na infância, na praia, no campo e no caminho para a escola.

As medidas eficazes são conhecidas: protetor solar FPS 30 ou mais, aplicado 15 minutos antes de sair e reaplicado a cada 2 horas (ou após suar ou entrar na água); chapéu de aba larga, que protege nariz, orelhas e nuca; óculos com filtro UV; roupas com proteção solar para quem trabalha ao ar livre; e sombra nos horários de pico. Vale lembrar que a proteção solar não é só para dias de praia: é para o trajeto diário, o trabalho e o esporte.

Para quem já teve câncer de pele, a fotoproteção rigorosa reduz a chance de novos tumores e protege as cicatrizes. Para todo mundo, ela é a forma mais barata de prevenção que existe.

Perguntas frequentes

Câncer de pele dói?

Na maioria das vezes, não, e é por isso que passa despercebido. Dor, ardência ou coceira em uma lesão podem aparecer, principalmente no carcinoma espinocelular, mas a ausência de dor não afasta o diagnóstico.

Toda ferida que não cicatriza é câncer?

Não, mas toda ferida que não fecha em quatro semanas deve ser examinada. Infecções, inflamações e outras doenças também causam feridas persistentes, e o dermatologista diferencia.

Pessoas de pele negra têm câncer de pele?

Sim, com menor frequência, mas muitas vezes diagnosticado mais tarde. O melanoma em pele negra surge com frequência nas palmas, plantas e unhas, e o carcinoma espinocelular pode aparecer sobre cicatrizes antigas.

Uma pinta pode virar câncer?

Uma pequena parte dos melanomas surge de pintas preexistentes; a maioria aparece como pinta nova. Por isso vale observar tanto as mudanças nas pintas antigas quanto o surgimento de novas depois dos 40 anos.

Carcinoma basocelular pode virar melanoma?

Não. São tumores de células diferentes. O carcinoma basocelular não se transforma em melanoma, mas quem teve um tipo de câncer de pele tem risco aumentado de desenvolver outros, incluindo o melanoma, e deve manter acompanhamento.

Onde fazer a cirurgia de Mohs

A cirurgia de Mohs exige um cirurgião com formação específica na técnica e laboratório de congelação ao lado da sala cirúrgica. Por isso a oferta no Nordeste se concentra em poucas capitais. Fortaleza reúne parte dessa estrutura, com cirurgiões formados em centros de referência, e recebe pacientes do interior do Ceará e dos estados vizinhos. Se você mora no Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba ou Pernambuco, veja a situação da oferta no seu estado em Cirurgia de Mohs no Nordeste. Ao escolher, pergunte se o cirurgião tem formação formal em Mohs e se ele mesmo interpreta as lâminas durante a cirurgia.

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