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Cirurgia de Mohs. Especialidade em Câncer de Pele.

Tipos de câncer de pele · 11 min de leitura

Câncer de pele no couro cabeludo: por que é descoberto tarde e como tratar

Câncer de pele no couro cabeludo é frequente em homens com calvície e em quem trabalhou muitos anos sob o sol sem chapéu. Os tipos mais comuns são o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular, que costumam ser descobertos tarde porque a lesão fica escondida pelo cabelo ou é confundida com uma "casquinha" ou uma ferida de pente. O tratamento é cirúrgico, e a cirurgia de Mohs tem papel importante.

Revisado por médico. Conteúdo produzido pela equipe editorial Cirurgia de Mohs e revisado por médico dermatologista com formação em cirurgia micrográfica de Mohs. Este portal é independente: não realiza consultas, não agenda cirurgias e não responde dúvidas clínicas individuais.

Câncer de pele no couro cabeludo: lesão com crosta em homem calvo

Câncer de pele no couro cabeludo: lesão com crosta em homem calvo

Por que o câncer de pele no couro cabeludo é descoberto tarde?

Por três razões que se somam. A primeira é que ninguém vê o próprio couro cabeludo: é preciso um espelho de mão ou outra pessoa. A segunda é que, nas áreas com cabelo, a lesão fica coberta e só é sentida quando já tem tamanho. A terceira é que uma ferida na cabeça é facilmente atribuída a uma pancada, a uma escoriação de pente ou a "caspa grossa", e a pessoa espera meses ou anos que ela "cicatrize sozinha".

Não é raro que o primeiro a perceber seja o cabeleireiro ou o barbeiro, que notam uma casquinha que sangra ao pentear ou um caroço ao cortar o cabelo. Vale dizer ao profissional que qualquer ferida ou caroço no couro cabeludo merece um aviso ao cliente. Quando o tumor finalmente chega ao consultório, ele costuma ser maior do que os tumores do rosto, e isso muda o planejamento da cirurgia e da reconstrução. Conheça os tipos de tumor em Câncer de pele.

Quem tem mais risco de câncer de pele na cabeça?

O couro cabeludo é uma das áreas mais expostas ao sol quando não há cabelo para protegê-lo, e recebe a radiação em ângulo quase direto ao meio-dia. Os principais fatores de risco são:

  • calvície, principalmente em homens com padrão avançado e há muitos anos;
  • trabalho ao ar livre sem chapéu: agricultores, pescadores, pedreiros, motoristas, vendedores ambulantes;
  • pele clara, olhos claros e facilidade para queimar;
  • idade acima de 60 anos, porque o dano solar se acumula;
  • imunossupressão, como em transplantados, em que o couro cabeludo é um dos locais mais comuns de carcinoma espinocelular (veja Câncer de pele em transplantados e imunossuprimidos);
  • radioterapia prévia na cabeça, por exemplo na infância, para tratar micose do couro cabeludo (tinha), prática comum até a década de 1960;
  • cicatrizes antigas e queimaduras no couro cabeludo.

No Nordeste, onde o índice UV é alto o ano inteiro, homens calvos que passaram a vida no roçado ou no mar sem chapéu formam um grupo de risco especialmente alto, e não é incomum encontrar mais de um tumor no mesmo couro cabeludo, cercado por ceratoses actínicas.

Quais são os sinais de câncer de pele no couro cabeludo?

Os sinais variam conforme o tipo de tumor. A tabela resume os mais comuns.

Tipo de tumorComo costuma aparecer no couro cabeludoComportamento
Carcinoma basocelular (CBC)Nódulo perolado ou rosado, com vasos finos, que forma crosta e sangra; ou placa avermelhada plana; ou área esbranquiçada endurecida parecida com cicatrizCresce devagar, mas pode se aprofundar até o osso se ignorado por anos
Carcinoma espinocelular (CEC)Placa áspera e espessa que descama, caroço firme que cresce em semanas, ferida com bordas elevadas, chifre cutâneo; frequentemente em meio a ceratoses actínicasCresce mais rápido, pode invadir nervos e dar metástase para linfonodos do pescoço
MelanomaMancha escura ou caroço preto, azulado ou avermelhado que muda; às vezes sem pigmentoRaro no couro cabeludo, mas com prognóstico pior nessa localização pela descoberta tardia
AngiossarcomaMancha arroxeada ou avermelhada que parece hematoma e se espalha, em idososRaro, muito agressivo, exige tratamento em centro especializado

A regra prática é simples: ferida no couro cabeludo que não cicatriza em quatro semanas, caroço que cresce ou mancha que muda precisam de avaliação. Os sinais gerais estão em Sinais de câncer de pele. As ceratoses actínicas, aquelas áreas ásperas que parecem lixa na careca, não são câncer, mas indicam risco e podem se transformar em CEC; explicamos em Ceratose actínica.

Como o diagnóstico é confirmado?

O dermatologista examina a lesão a olho nu e com o dermatoscópio, que mostra estruturas típicas de cada tumor, como os vasos arboriformes do carcinoma basocelular. A confirmação, porém, vem sempre da biópsia, um procedimento rápido com anestesia local em que um fragmento da lesão é retirado e enviado ao patologista. O laudo informa o tipo de tumor, o subtipo e a profundidade, informações que definem o tratamento; saiba interpretar em Como entender o laudo da biópsia de pele.

Em tumores grandes, muito aderidos ou presentes há anos, pode ser necessário um exame de imagem (tomografia ou ressonância) para avaliar se há comprometimento do osso do crânio. Em CEC de alto risco, o exame dos linfonodos do pescoço, clinicamente e às vezes por ultrassom, faz parte da avaliação.

Por que o couro cabeludo é uma área especial para a cirurgia?

O couro cabeludo tem características que tornam a cirurgia diferente da de outras áreas. A pele é espessa e pouco elástica, presa a uma camada fibrosa chamada gálea; por baixo dela ficam o periósteo (a membrana que reveste o osso) e o osso do crânio. Um tumor que cresce por muito tempo pode atravessar a gálea e atingir o periósteo, e nesses casos a cirurgia precisa remover essa camada e, raramente, uma lâmina superficial do osso.

A pouca elasticidade significa que feridas maiores que 2 a 3 cm dificilmente fecham com pontos simples. Além disso, o couro cabeludo é muito vascularizado, o que faz sangrar mais durante a cirurgia, mas também cicatriza bem e aceita enxertos com facilidade. Os tumores nessa região, sobretudo os CBC de subtipos infiltrativo ou esclerodermiforme, costumam ter raízes que se estendem além do que se vê, o que explica as recidivas após cirurgias com margem estreita.

A cirurgia de Mohs é indicada para o couro cabeludo?

Sim, em muitos casos. Pelos critérios de uso apropriado, o couro cabeludo é classificado como área de risco intermediário (área M), o que significa que a cirurgia micrográfica de Mohs é apropriada para tumores maiores que 1 cm, para todos os subtipos agressivos, para tumores recidivados, para pacientes imunossuprimidos e para lesões com bordas mal definidas. Como os tumores do couro cabeludo tendem a chegar grandes e com bordas difíceis de delimitar, boa parte deles se encaixa nesses critérios. Veja os detalhes em Quando a cirurgia de Mohs é indicada (e quando não é).

A vantagem da Mohs nessa região é dupla. Primeiro, o controle: a técnica examina praticamente 100% da margem durante a cirurgia, contra cerca de 1% na cirurgia convencional, e a literatura mostra taxas de cura de até 99% para o carcinoma basocelular primário e em torno de 90% a 93% para o recidivado. Segundo, a economia de tecido: em uma área onde cada centímetro de pele faz diferença para fechar a ferida, retirar apenas o necessário reduz o tamanho da reconstrução. A cirurgia é feita com anestesia local, em regime ambulatorial, e o passo a passo está em Como é feita a cirurgia de Mohs.

Para tumores pequenos, bem delimitados e de subtipo indolente, a cirurgia convencional com margem adequada continua sendo uma opção apropriada. A comparação está em Mohs ou cirurgia convencional.

Como é feita a reconstrução no couro cabeludo?

Depois que o tumor é removido, há quatro caminhos para fechar a ferida, escolhidos conforme o tamanho, a profundidade e as condições do paciente.

Fechamento direto

Para feridas pequenas, as bordas são aproximadas e suturadas. O cirurgião pode descolar a pele ao redor para ganhar mobilidade. A cicatriz fica linear e costuma ser bem escondida pelo cabelo, quando ele existe.

Retalho

Em feridas médias, a pele vizinha é mobilizada e girada para cobrir o defeito, mantendo a própria irrigação. Os retalhos de rotação são os mais usados no couro cabeludo, e costumam exigir incisões longas para movimentar a pele pouco elástica. Têm a vantagem de trazer pele com cabelo para a área operada. Saiba mais em Reconstrução após cirurgia de Mohs.

Enxerto de pele

Em feridas grandes, uma lâmina fina de pele retirada da coxa ou de outra região é fixada sobre o defeito. O enxerto pega bem no couro cabeludo desde que o periósteo esteja preservado; se ele foi removido, o cirurgião pode preparar o leito de outras formas antes de enxertar. O enxerto não tem cabelo e fica com uma coloração um pouco diferente, o que é aceito pela maioria dos pacientes calvos.

Cicatrização por segunda intenção

Deixar a ferida cicatrizar sozinha, com curativos, é uma opção válida no couro cabeludo para feridas de tamanho pequeno a médio com periósteo intacto, especialmente em pacientes idosos ou que não querem uma segunda etapa cirúrgica. O processo leva semanas e exige curativos regulares, mas o resultado final costuma ser uma cicatriz plana e clara. Os cuidados estão em Pós-operatório da cirurgia de Mohs.

MétodoIndicado paraVantagemPonto de atenção
Fechamento diretoFeridas pequenasCicatriz linear, rápidoLimitado pela pouca elasticidade
RetalhoFeridas médiasTraz pele com cabelo, boa corIncisões longas, mais sangramento
EnxertoFeridas grandesFecha qualquer tamanho com periósteo intactoSem cabelo, cor diferente, segunda ferida na área doadora
Segunda intençãoPequenas a médias, pacientes frágeisSem nova cirurgiaSemanas de curativo
Reconstrução do couro cabeludo com retalho de rotação após cirurgia de Mohs

Como prevenir e acompanhar depois do tratamento?

Quem teve um câncer de pele no couro cabeludo tem risco alto de desenvolver outro, no mesmo local ou em áreas vizinhas, porque toda a região recebeu o mesmo sol por décadas. A prevenção passa pelo chapéu de aba larga, que protege também orelhas e nuca, pelo protetor solar na careca sempre que estiver ao ar livre (veja Protetor solar) e pelo tratamento das ceratoses actínicas.

O acompanhamento com o dermatologista deve ser feito a cada 6 a 12 meses nos primeiros anos, com exame de todo o couro cabeludo e dos linfonodos do pescoço nos casos de CEC. Em casa, peça a alguém para olhar a sua cabeça uma vez por mês, ou use dois espelhos, e avise o cabeleireiro para reportar qualquer novidade.

Perguntas frequentes

Ferida na cabeça que não cicatriza pode ser câncer?

Pode. Uma ferida no couro cabeludo que sangra ao pentear, forma crosta, melhora e volta, e não fecha em quatro semanas é um dos sinais mais típicos de carcinoma basocelular e de carcinoma espinocelular. A avaliação com dermatologista e a biópsia definem o diagnóstico.

O câncer de pele no couro cabeludo pode chegar ao osso?

Sim, se for ignorado por muito tempo. O carcinoma basocelular e o espinocelular podem atravessar a gálea e atingir o periósteo e o osso do crânio. Nesses casos, a cirurgia é maior e pode envolver a retirada de parte do periósteo. Por isso é importante tratar as lesões enquanto ainda são superficiais.

A cirurgia no couro cabeludo deixa falha no cabelo?

Nas áreas com cabelo, a cicatriz do fechamento direto e dos retalhos costuma ficar bem escondida. O enxerto de pele não tem cabelo e fica visível se a região ao redor tiver fios. O cirurgião discute essas opções antes da cirurgia, levando em conta a expectativa do paciente e o tamanho da ferida.

A cirurgia de Mohs no couro cabeludo é feita com anestesia local?

Sim. A cirurgia micrográfica de Mohs é feita com anestesia local, em regime ambulatorial, e dura em média de 2 a 5 horas incluindo o tempo de análise das margens. A reconstrução costuma ser feita no mesmo dia. Pacientes idosos e com comorbidades geralmente toleram bem o procedimento.

Cabeleireiro pode identificar câncer de pele?

O cabeleireiro não faz diagnóstico, mas é frequentemente a primeira pessoa a notar uma lesão no couro cabeludo, porque vê a região de perto com regularidade. Um aviso do profissional sobre uma ferida, caroço ou mancha nova é motivo para procurar o dermatologista.

Onde fazer a cirurgia de Mohs

A cirurgia de Mohs exige um cirurgião com formação específica na técnica e laboratório de congelação ao lado da sala cirúrgica. Por isso a oferta no Nordeste se concentra em poucas capitais. Fortaleza reúne parte dessa estrutura, com cirurgiões formados em centros de referência, e recebe pacientes do interior do Ceará e dos estados vizinhos. Se você mora no Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba ou Pernambuco, veja a situação da oferta no seu estado em Cirurgia de Mohs no Nordeste. Ao escolher, pergunte se o cirurgião tem formação formal em Mohs e se ele mesmo interpreta as lâminas durante a cirurgia.

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