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Cirurgia de Mohs. Especialidade em Câncer de Pele.

Tipos de câncer de pele · 11 min de leitura

Câncer de pele em pele negra e parda: por que os sinais são diferentes

Câncer de pele em pele negra existe, é menos frequente do que em pessoas de pele clara, mas costuma ser descoberto tarde e por isso tem pior prognóstico. Os tipos mais comuns nessa população aparecem em lugares pouco lembrados: plantas dos pés, palmas das mãos, unhas, cicatrizes antigas e áreas que nunca pegam sol. Este artigo mostra o que procurar e quando procurar ajuda.

Revisado por médico. Conteúdo produzido pela equipe editorial Cirurgia de Mohs e revisado por médico dermatologista com formação em cirurgia micrográfica de Mohs. Este portal é independente: não realiza consultas, não agenda cirurgias e não responde dúvidas clínicas individuais.

Câncer de pele em pele negra: melanoma subungueal com faixa escura irregular na unha

Câncer de pele em pele negra: melanoma subungueal com faixa escura irregular na unha

Pele negra tem câncer de pele?

Sim. A melanina oferece proteção real contra a radiação ultravioleta, e por isso os tumores ligados ao sol, como o carcinoma basocelular e o melanoma comum do tronco e das costas, são bem menos frequentes em pessoas de fototipos altos (V e VI na classificação de Fitzpatrick). Mas proteção não é imunidade. O mito de que "pele negra não tem câncer de pele" faz com que muita gente ignore uma mancha nova na sola do pé ou uma listra escura na unha por anos, até que o tumor esteja avançado.

Estudos nos Estados Unidos, citados pela American Academy of Dermatology, mostram que pessoas negras com melanoma têm sobrevida menor do que pessoas brancas, e a principal explicação é o atraso no diagnóstico, não uma biologia mais agressiva por si só. No Brasil, onde mais da metade da população se declara preta ou parda, o INCA lembra que o câncer de pele é o mais frequente do país e que a prevenção e o exame precoce valem para todos os tons de pele. Conheça os tipos de tumor na página Câncer de pele.

Quais tipos de câncer de pele são mais comuns em pessoas negras e pardas?

A proporção entre os tipos muda em relação ao que se vê em pele clara. A tabela resume o que a literatura dermatológica descreve.

Tipo de tumorEm pele claraEm pele negra e parda
Carcinoma basocelularO mais comum; áreas de sol (rosto, nariz)Raro; quando aparece, costuma ser pigmentado (escuro) no rosto, confundido com sinal ou verruga
Carcinoma espinocelular (CEC)Áreas de sol; ligado a queimaduras e ceratoses actínicasO câncer de pele mais frequente nesse grupo; aparece em cicatrizes, úlceras crônicas, pernas e áreas sem sol
MelanomaTronco (homens), pernas (mulheres); ligado ao solPredomina o melanoma acral: plantas dos pés, palmas das mãos e unhas
Dermatofibrossarcoma protuberansRaroUm pouco mais frequente; nódulo firme no tronco ou ombros que cresce lentamente

Melanoma acral: o melanoma das palmas, plantas e unhas

Melanoma acral lentiginoso é o subtipo de melanoma que surge nas regiões acrais, ou seja, nas extremidades: sola do pé, palma da mão e ao redor ou embaixo das unhas. Ele não tem relação com o sol e ocorre em todas as etnias na mesma proporção absoluta, mas como os outros melanomas são raros em pele negra, ele passa a ser o tipo predominante nessa população. O sinal típico é uma mancha escura, de bordas irregulares, na planta do pé ou no calcanhar, que cresce devagar e não dói. Muitos pacientes acham que é "sujeira", "calo" ou "mancha de chinelo". Veja mais sobre o tumor em Melanoma.

Melanoma subungueal: a listra escura na unha

Melanoma subungueal é o melanoma que nasce na matriz da unha e se manifesta como uma faixa escura longitudinal, do começo ao fim da unha, geralmente no polegar ou no dedão do pé. Listras finas e uniformes nas unhas (melanoníquia) são comuns e benignas em pessoas negras, o que dificulta o diagnóstico. Os sinais de alerta são: faixa que se alarga, cor irregular ou com vários tons, pigmento que avança para a pele ao redor da unha (sinal de Hutchinson), unha que racha ou se destrói e uma única unha afetada em adulto, principalmente após os 50 anos.

Carcinoma espinocelular em cicatrizes e áreas não expostas

Em pessoas negras, o CEC aparece com frequência em locais que nunca viram sol: cicatrizes de queimadura antigas, úlceras crônicas nas pernas, áreas de lúpus discoide, virilha e região genital e anal. A chamada úlcera de Marjolin é um CEC que nasce dentro de uma cicatriz de queimadura décadas depois. Uma ferida que abre em uma cicatriz antiga e não fecha, ou uma cicatriz que começa a crescer, sangrar ou doer, precisa de biópsia. O tumor nessas situações tende a ser mais agressivo do que o CEC comum ligado ao sol. Saiba mais em Carcinoma espinocelular.

Por que o diagnóstico é mais tardio em pele negra?

Vários fatores se somam. O primeiro é a falsa sensação de segurança, tanto do paciente quanto, às vezes, do profissional de saúde. O segundo é a localização: pouca gente olha a sola do próprio pé ou repara em uma unha. O terceiro é que as campanhas de prevenção, as fotos de livros e os sites tradicionalmente mostram lesões em pele clara, e um carcinoma basocelular pigmentado ou um melanoma em pele escura não se parece com aquelas imagens. O quarto é o acesso: consultas de rotina com dermatologista são menos frequentes nas populações de menor renda, que no Brasil são desproporcionalmente negras e pardas.

O resultado é que o tumor chega ao consultório maior, mais profundo e, no caso do melanoma, com maior chance de já ter se espalhado. A diferença de sobrevida entre grupos étnicos, descrita na literatura, é em grande parte uma diferença de estágio no momento do diagnóstico.

Quais são os sinais de alerta em pele negra e parda?

Os sinais gerais de câncer de pele valem para todos, e estão detalhados em Sinais de câncer de pele. Para pele negra e parda, preste atenção especial a:

  • mancha escura nova ou que mudou na planta do pé, no calcanhar, entre os dedos ou na palma da mão;
  • faixa escura na unha que se alargou, ficou irregular ou passou para a pele ao redor;
  • ferida que não cicatriza em mais de 4 semanas, principalmente na perna, em cicatriz antiga ou na região genital;
  • cicatriz de queimadura que voltou a crescer, endurecer ou sangrar;
  • "sinal" escuro e brilhante no rosto que cresce devagar (pode ser um carcinoma basocelular pigmentado);
  • caroço firme, da cor da pele ou arroxeado, no tronco ou nos ombros, que cresce lentamente há meses ou anos;
  • lesão de aparência esbranquiçada ou mais clara que a pele ao redor e que não some, especialmente em áreas de lúpus ou inflamação crônica.

Nenhum desses sinais significa câncer com certeza, mas todos justificam uma consulta e, quando indicado, uma biópsia. O passo seguinte é entender o resultado, e explicamos como em Como entender o laudo da biópsia de pele.

Como fazer o autoexame das plantas dos pés e das unhas?

O autoexame mensal é a ferramenta mais simples para antecipar o diagnóstico. Em pele negra e parda, ele precisa incluir lugares que a maioria das pessoas nunca olha.

  1. Sente-se em local bem iluminado com um espelho de mão. Examine a planta dos dois pés, o calcanhar, as laterais e o espaço entre os dedos. Se não conseguir, peça a alguém da família.
  2. Olhe todas as vinte unhas sem esmalte. Procure faixas escuras, principalmente as que mudaram de tamanho ou de cor desde a última vez.
  3. Examine as palmas das mãos e a pele entre os dedos.
  4. Passe a mão sobre cicatrizes antigas, sobretudo de queimadura, procurando áreas endurecidas, elevadas ou feridas.
  5. Verifique pernas, virilha e região genital, procurando feridas que não fecham.
  6. Fotografe qualquer lesão que chame atenção, com uma régua ou moeda ao lado, e repita a foto no mês seguinte para comparar.

Uma consulta anual com dermatologista, com exame de toda a pele e dermatoscopia, complementa o autoexame. A dermatoscopia é especialmente útil para diferenciar uma melanoníquia benigna de um melanoma subungueal em fase inicial, e explicamos como ela funciona em Dermatoscopia.

Autoexame da planta do pé para detectar melanoma acral

O sol ainda importa para quem tem pele escura?

Sim, embora com menos peso. Fototipos V e VI queimam raramente, mas a exposição intensa e crônica ao sol do Nordeste, com índice UV alto durante o ano inteiro, contribui para o envelhecimento da pele, para manchas e para uma parte dos carcinomas espinocelulares do rosto e dos braços, especialmente em pessoas pardas de fototipo IV. Trabalhadores ao ar livre, como pescadores, agricultores e profissionais da construção, se beneficiam de chapéu, camisa de manga longa e protetor solar. Um guia prático está em Protetor solar. Para os tumores acrais e os que surgem em cicatrizes, porém, o protetor solar não previne, e o que faz diferença é o exame regular.

Como é o tratamento do câncer de pele em pele negra?

O tratamento depende do tipo e do estágio, exatamente como em qualquer pessoa. Carcinomas basocelulares e espinocelulares localizados são tratados com cirurgia. Em tumores do rosto, das mãos, dos pés, dos genitais e das unhas, ou em tumores agressivos como o CEC em cicatriz, a cirurgia micrográfica de Mohs permite retirar todo o tumor com controle completo das margens durante o procedimento, preservando o máximo de pele saudável, o que é importante em áreas com pouco tecido para reconstruir. Os critérios estão em Quando a cirurgia de Mohs é indicada (e quando não é).

O melanoma acral e o subungueal são tratados com cirurgia ampla, por vezes com amputação parcial do dedo nos tumores da unha, e avaliação do linfonodo sentinela quando indicado. Quanto mais fino o melanoma no momento do diagnóstico, maior a chance de cura, o que reforça a importância de olhar os pés e as unhas.

Um ponto importante para pele negra e parda é a cicatrização: há maior tendência a queloides e a manchas escuras ou claras no local da cirurgia. Isso não deve adiar o tratamento, mas o cirurgião pode planejar a incisão e o acompanhamento para reduzir esse risco. Veja o que esperar em Cicatriz após a cirurgia de Mohs.

Perguntas frequentes

Pessoa negra pode ter melanoma?

Sim. O melanoma é mais raro em pessoas negras do que em pessoas brancas, mas ocorre, principalmente nas plantas dos pés, palmas das mãos e unhas (melanoma acral). Como costuma ser descoberto tarde, o prognóstico tende a ser pior. Uma mancha escura nova ou que muda nesses locais deve ser avaliada por um dermatologista.

Mancha escura na sola do pé é câncer?

Na maioria das vezes não: pode ser um sinal comum, uma mancha de pressão ou um pequeno sangramento sob a pele. Mas a sola do pé é o local mais frequente do melanoma acral, e uma mancha nova, que cresce, tem bordas irregulares ou várias cores, precisa de exame com dermatoscopia e, se houver dúvida, de biópsia.

Faixa escura na unha é normal em pele negra?

Faixas finas, uniformes e presentes em várias unhas (melanoníquia longitudinal) são comuns e geralmente benignas em pessoas negras e pardas. Uma faixa única, larga, com cores irregulares, que se alarga com o tempo ou avança para a pele ao redor da unha merece avaliação, principalmente em adultos acima de 50 anos.

Pele negra precisa usar protetor solar?

A melanina protege parcialmente, mas não totalmente. Para quem trabalha ou passa muito tempo ao sol, o protetor solar, o chapéu e a roupa com proteção ajudam a prevenir manchas, envelhecimento e parte dos carcinomas. Para os tumores das plantas dos pés, unhas e cicatrizes, o que previne o diagnóstico tardio é o autoexame e a consulta regular.

Cicatriz antiga que abriu e não fecha pode ser câncer?

Pode. O carcinoma espinocelular pode surgir dentro de cicatrizes de queimadura e úlceras crônicas, décadas depois da lesão original (úlcera de Marjolin). Uma cicatriz que cresce, endurece, sangra ou vira ferida que não cicatriza em quatro semanas deve ser biopsiada.

Onde fazer a cirurgia de Mohs

A cirurgia de Mohs exige um cirurgião com formação específica na técnica e laboratório de congelação ao lado da sala cirúrgica. Por isso a oferta no Nordeste se concentra em poucas capitais. Fortaleza reúne parte dessa estrutura, com cirurgiões formados em centros de referência, e recebe pacientes do interior do Ceará e dos estados vizinhos. Se você mora no Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba ou Pernambuco, veja a situação da oferta no seu estado em Cirurgia de Mohs no Nordeste. Ao escolher, pergunte se o cirurgião tem formação formal em Mohs e se ele mesmo interpreta as lâminas durante a cirurgia.

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