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Cirurgia de Mohs. Especialidade em Câncer de Pele.

Tipos de câncer de pele · 11 min de leitura

Como entender o laudo da biópsia de pele: glossário para pacientes

O laudo da biópsia de pele informa o tipo de tumor (carcinoma basocelular, espinocelular ou melanoma), o subtipo (que indica se o crescimento é mais ou menos agressivo), a profundidade e, quando a lesão foi retirada por completo, se as margens estão livres ou comprometidas. Esses dados definem se o tratamento será cirurgia convencional, cirurgia de Mohs ou outra opção.

Revisado por médico. Conteúdo produzido pela equipe editorial Cirurgia de Mohs e revisado por médico dermatologista com formação em cirurgia micrográfica de Mohs. Este portal é independente: não realiza consultas, não agenda cirurgias e não responde dúvidas clínicas individuais.

Como ler o laudo da biópsia de pele: diagnóstico, subtipo, margens e outros campos

O laudo chega em uma folha com termos que parecem escritos em outra língua, e o paciente costuma ler "carcinoma" e parar ali, assustado. A verdade é que o laudo é um documento cheio de informações úteis, e entender cada linha ajuda a compreender por que o médico está propondo determinado tratamento. Este glossário traduz os termos mais comuns. Ele não substitui a consulta: o laudo só faz sentido quando combinado com o exame da lesão e o histórico de cada pessoa.

O que é uma biópsia de pele e como o laudo é organizado?

A biópsia é a retirada de um fragmento (ou de toda a lesão) para exame ao microscópio pelo patologista. Há três tipos principais: por punch (um cilindro pequeno), por shaving (raspagem superficial) e excisional (retirada completa, com margem). O tipo de biópsia importa, porque uma biópsia parcial informa o diagnóstico, mas não diz nada sobre o tamanho real do tumor nem sobre as margens.

O laudo costuma ter: identificação, material recebido e descrição macroscópica (o que o patologista viu a olho nu), descrição microscópica (o que viu na lâmina), diagnóstico (a conclusão) e, às vezes, notas ou comentários. É no diagnóstico e nas notas que estão as informações decisivas. O prazo para o resultado varia de uma a três semanas na maioria dos laboratórios.

Glossário: os termos do laudo e o que significam para o tratamento

Carcinoma basocelular (CBC)

O câncer de pele mais comum e de menor agressividade. Cresce localmente, quase nunca dá metástase. O que define o tratamento é o subtipo e a localização. Página completa em Carcinoma basocelular.

CBC nodular

O subtipo mais frequente. Cresce como uma massa compacta, com limites relativamente nítidos. É considerado de comportamento não agressivo. Em áreas de baixo risco (tronco, membros), a cirurgia convencional costuma resolver; no rosto, a Mohs ainda é preferida pela preservação de tecido.

CBC superficial

Cresce em placas finas, na camada mais alta da pele, geralmente no tronco. Também de baixa agressividade. Pode ser tratado com cirurgia, curetagem ou métodos não cirúrgicos (cremes, terapia fotodinâmica), dependendo do caso.

CBC esclerodermiforme (ou morfeiforme)

Subtipo agressivo. Cresce em cordões finos em meio a um tecido fibroso, como uma cicatriz, muito além do que se vê na superfície. A margem clínica engana. É uma das indicações mais claras de cirurgia de Mohs, em qualquer localização.

CBC infiltrativo

Subtipo agressivo, com cordões irregulares que se infiltram entre as estruturas da pele. Comportamento parecido com o esclerodermiforme. Indicação de Mohs.

CBC micronodular

Subtipo agressivo formado por muitos ninhos pequenos que se espalham de forma dispersa, com alta chance de deixar resíduo nas margens de uma cirurgia convencional. Indicação de Mohs.

CBC basoescamoso (metatípico)

Tem características de carcinoma basocelular e de espinocelular ao mesmo tempo. Comportamento mais agressivo, com maior risco de recidiva e, raramente, de metástase. Indicação de Mohs.

"Padrão misto" ou "componente infiltrativo"

Muitos laudos descrevem mais de um subtipo na mesma lesão, por exemplo "CBC nodular com áreas infiltrativas". Nesse caso, o tratamento é guiado pelo componente mais agressivo. Veja como esses critérios definem a indicação em Quando a cirurgia de Mohs é indicada (e quando não é).

Carcinoma espinocelular (CEC) ou carcinoma de células escamosas

O segundo câncer de pele mais comum, com maior potencial de invasão e de metástase que o CBC. O laudo costuma trazer o grau de diferenciação, a espessura e a presença ou não de invasão perineural. Página completa em Carcinoma espinocelular.

Grau de diferenciação (bem, moderadamente ou pouco diferenciado)

Diz o quanto as células do tumor se parecem com as células normais. Bem diferenciado significa que se parecem bastante: comportamento mais previsível. Pouco diferenciado significa células muito alteradas: tumor mais agressivo, com maior risco de recidiva e disseminação. Tumores pouco diferenciados são considerados de alto risco.

In situ

Significa "no lugar": o tumor está restrito à camada mais superficial da pele (a epiderme) e ainda não invadiu as camadas mais profundas. É o estágio mais inicial, sem capacidade de metástase. No CEC, a forma in situ é também chamada de doença de Bowen. No melanoma, o "melanoma in situ" tem prognóstico excelente quando totalmente removido, e a Mohs é uma opção em áreas como o rosto.

Invasivo

O contrário de in situ: o tumor ultrapassou a epiderme e atingiu a derme (a camada mais profunda). É o comportamento esperado da maioria dos CBC e CEC. Não significa metástase; significa que o tumor tem raízes na pele.

Ulcerado

O tumor tem uma ferida em sua superfície. No CBC e no CEC, é um achado comum que não muda muito a conduta. No melanoma, a ulceração é um fator de pior prognóstico e altera o estadiamento.

Invasão perineural

O tumor cresce ao longo da bainha de um nervo. É um sinal de alto risco, sobretudo no CEC, porque o tumor pode se estender por distâncias maiores seguindo o nervo, e a recidiva é mais frequente. Muda a conduta: cirurgia de Mohs, às vezes com exames de imagem e radioterapia complementar. Quando o laudo cita o calibre do nervo (por exemplo, "nervo maior que 0,1 mm"), isso refina o risco.

Invasão vascular ou linfática

O tumor foi visto dentro de vasos sanguíneos ou linfáticos. Achado de alto risco, que leva a uma avaliação mais ampla.

Espessura ou profundidade (nível de Clark e Breslow)

No CEC, a espessura em milímetros e a profundidade (se atinge a gordura, o músculo ou o osso) são fatores de risco; tumores com mais de 2 mm de espessura ou que invadem além da gordura são de alto risco.

No melanoma, a espessura de Breslow é a medida mais importante do laudo: a distância, em milímetros, da superfície da pele até a célula tumoral mais profunda. Ela define o estadiamento, a margem da cirurgia e a necessidade de pesquisa do linfonodo sentinela. Melanomas com Breslow abaixo de 0,8 mm têm prognóstico muito favorável. O nível de Clark é uma classificação mais antiga, por camadas da pele, hoje menos usada. Detalhes em Melanoma.

Índice mitótico

Número de células em divisão por milímetro quadrado. Aparece nos laudos de melanoma e indica a velocidade de crescimento.

Margens cirúrgicas livres

Quando a lesão foi retirada por completo (biópsia excisional ou cirurgia), o patologista examina as bordas da peça. "Margens livres" significa que não há tumor nas bordas examinadas. Lembre-se de que a análise convencional examina apenas uma fração da margem, então "livre" não é sinônimo de garantia de cura; é um bom sinal, que exige acompanhamento. Comparamos os métodos em Mohs ou cirurgia convencional.

Margens comprometidas (ou positivas)

Há tumor na borda da peça: ficou tumor no paciente. A conduta habitual é uma nova cirurgia, e a Mohs é a técnica preferida nesse cenário, porque localiza o resíduo com precisão em meio à cicatriz. O laudo pode especificar qual margem está comprometida (lateral, profunda) e às vezes em qual direção, o que ajuda no planejamento.

Margens exíguas (ou estreitas, ou "coincidentes")

O tumor está muito próximo da borda, a menos de 1 mm, ou toca a borda sem ultrapassá-la claramente. É uma situação intermediária. Dependendo do subtipo, da localização e da margem em questão, o médico pode indicar ampliação, Mohs ou acompanhamento rigoroso. Não é para ignorar.

"Lesão atinge os limites do fragmento" (em biópsia parcial)

Quando a biópsia foi por punch ou shaving, é esperado que a lesão chegue às bordas, porque só um pedaço foi retirado. Essa frase não significa "margem comprometida" no sentido cirúrgico; significa que o tumor ainda está lá e precisa de tratamento.

Ceratose actínica

Não é câncer. É uma lesão pré-maligna causada pelo sol, que pode evoluir para CEC em uma pequena parte dos casos. Tem tratamentos próprios, geralmente não cirúrgicos.

Displasia, atipia

Alterações nas células que não chegam a ser câncer. Em pintas ("nevo displásico" ou "nevo com atipia"), o grau (leve, moderado, intenso) orienta se é preciso ampliar a retirada.

Imuno-histoquímica

Exame complementar com marcadores que ajudam o patologista a definir o tipo de tumor em casos duvidosos ou a identificar invasão perineural. Aparece como um "adendo" ao laudo.

Tabela: o que cada achado significa para o tratamento

Termo no laudoRiscoTratamento mais provável
CBC nodular ou superficial, troncoBaixoCirurgia convencional ou métodos não cirúrgicos
CBC nodular, rostoAlto pela localizaçãoCirurgia de Mohs
CBC esclerodermiforme, infiltrativo, micronodular, basoescamosoAltoCirurgia de Mohs
CEC bem diferenciado, pequeno, troncoBaixo a médioCirurgia convencional
CEC pouco diferenciado, > 2 mm, rosto, orelha, lábioAltoCirurgia de Mohs, avaliação de linfonodos
Invasão perineuralAltoMohs; imagem e radioterapia complementar em casos selecionados
Margens comprometidasTumor residualNova cirurgia, preferencialmente Mohs
Margens exíguasIntermediárioAmpliação, Mohs ou acompanhamento, conforme o caso
Melanoma in situBaixoCirurgia com margem de 5 a 10 mm; Mohs em áreas nobres
Melanoma invasivo (Breslow em mm)Depende do BreslowCirurgia com margens amplas; linfonodo sentinela conforme espessura

O que perguntar ao médico com o laudo em mãos?

Leve o laudo à consulta e faça estas perguntas:

  1. Qual é o tipo e o subtipo do meu tumor, e ele é considerado agressivo?
  2. A biópsia retirou toda a lesão ou só uma parte? O que dizem as margens?
  3. Pela localização e pelo subtipo, o meu caso é de baixo ou alto risco?
  4. Quais são as opções de tratamento e qual é a taxa de recidiva de cada uma?
  5. A cirurgia de Mohs é indicada para o meu caso? Se não estiver disponível aqui, para onde posso ser encaminhado?
  6. Preciso de algum exame adicional (imagem, linfonodo sentinela)?
  7. Depois do tratamento, com que frequência devo voltar?

Guarde o laudo original e as lâminas ou blocos de parafina (o laboratório costuma guardá-los por anos e pode cedê-los para revisão). Uma segunda opinião de patologia é possível e, em casos duvidosos, recomendada.

Perguntas frequentes

Quanto tempo demora o resultado da biópsia de pele?

De uma a três semanas na maioria dos laboratórios. Exames complementares, como imuno-histoquímica, podem acrescentar alguns dias.

"Margens comprometidas" significa que o câncer se espalhou?

Não. Significa que ficou tumor na borda da área retirada, na pele, e que é preciso uma nova cirurgia para completar a remoção. Não tem relação com metástase.

O laudo diz "carcinoma basocelular". É grave?

O carcinoma basocelular é o câncer de pele menos agressivo e quase nunca se espalha. Mas cresce localmente e precisa ser tratado. O subtipo e a localização definem o tipo de cirurgia.

Posso pedir uma segunda opinião sobre o laudo?

Sim. As lâminas ou os blocos podem ser solicitados ao laboratório e revisados por outro patologista. Isso é comum em casos de melanoma e de lesões de diagnóstico difícil.

O laudo da biópsia mostra o tamanho real do tumor?

Só quando a lesão foi retirada por completo. Em biópsias parciais (punch, shaving), o laudo informa o diagnóstico, mas o tamanho real só é conhecido na cirurgia, o que é uma das razões para a Mohs em áreas de risco.

Onde fazer a cirurgia de Mohs

A cirurgia de Mohs exige um cirurgião com formação específica na técnica e laboratório de congelação ao lado da sala cirúrgica. Por isso a oferta no Nordeste se concentra em poucas capitais. Fortaleza reúne parte dessa estrutura, com cirurgiões formados em centros de referência, e recebe pacientes do interior do Ceará e dos estados vizinhos. Se você mora no Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba ou Pernambuco, veja a situação da oferta no seu estado em Cirurgia de Mohs no Nordeste. Ao escolher, pergunte se o cirurgião tem formação formal em Mohs e se ele mesmo interpreta as lâminas durante a cirurgia.

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