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Cirurgia de Mohs. Especialidade em Câncer de Pele.

Tipos de câncer de pele · 11 min de leitura

Protetor solar: qual o fator ideal e como usar de verdade no sol do Nordeste

Protetor solar com fator ideal é o de FPS 30 ou mais, de amplo espectro (com proteção UVA indicada por PPD ou pelo selo UVA), aplicado em quantidade suficiente e reaplicado a cada 2 horas ao ar livre. No Nordeste, onde o índice UV é alto o ano inteiro, o FPS 50 é a escolha mais prática para rosto, pescoço e braços. O que mais falha não é o fator, é a quantidade e a reaplicação.

Revisado por médico. Conteúdo produzido pela equipe editorial Cirurgia de Mohs e revisado por médico dermatologista com formação em cirurgia micrográfica de Mohs. Este portal é independente: não realiza consultas, não agenda cirurgias e não responde dúvidas clínicas individuais.

Quantidade de protetor solar para o rosto: regra dos dois dedos

Qual FPS é o ideal: 30, 50 ou 70?

O FPS (fator de proteção solar) mede a proteção contra a radiação UVB, a principal responsável pela queimadura e por boa parte do dano que leva ao câncer de pele. O FPS 30 bloqueia cerca de 97% do UVB; o FPS 50, cerca de 98%; o FPS 70 ou 100, pouco mais que isso. A diferença entre 30 e 50 é pequena no laboratório, mas na vida real ela importa, porque quase ninguém aplica a quantidade usada nos testes. Com metade da quantidade, um FPS 50 se comporta mais ou menos como um FPS 15 a 25, e um FPS 30 cai para algo próximo de 10.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda FPS de no mínimo 30 para o uso diário. Para quem mora em Fortaleza ou em qualquer cidade do Nordeste, tem pele clara, já teve câncer de pele ou trabalha ao ar livre, o FPS 50 dá uma margem de segurança maior contra a aplicação insuficiente. Acima de 50, o ganho é marginal e o produto costuma ser mais caro e mais pesado.

O que importa tanto quanto o FPS é a proteção UVA. O UVA penetra mais fundo, atravessa vidro e nuvens, não queima, mas envelhece a pele e também contribui para o câncer, incluindo o melanoma. No rótulo, procure "amplo espectro", o valor de PPD (idealmente pelo menos um terço do FPS) ou o selo "UVA" dentro de um círculo. Um protetor FPS 60 sem proteção UVA adequada é uma proteção pela metade. Entenda os tipos de tumor que o sol provoca em Câncer de pele.

Filtro físico ou químico: qual é melhor para mim?

Os dois protegem. A escolha depende do tipo de pele, da tolerância e do uso.

CaracterísticaFiltro físico (mineral)Filtro químico (orgânico)
IngredientesÓxido de zinco, dióxido de titânioAvobenzona, octocrileno, Tinosorb, Mexoryl e outros
Como ageReflete e dispersa a radiação na superfícieAbsorve a radiação e a transforma em calor
Começa a protegerImediatamenteCerca de 15 a 20 minutos após aplicar
TexturaMais espesso, pode deixar aspecto esbranquiçadoMais leve, fluido, sem resíduo
Indicado paraPele sensível, rosácea, crianças, gestantes, pós-cirurgiaUso diário, pele oleosa, esportes, quem prefere textura leve
Resistência ao suor e à águaBoa nas versões resistentesBoa nas versões resistentes

Muitos produtos combinam os dois tipos. Para quem operou câncer de pele recentemente, o filtro físico é mais confortável na cicatriz nas primeiras semanas, e o cuidado com o sol nesse período está descrito em Sol depois da cirurgia de Mohs.

Protetor solar com cor

O protetor com cor (tinted) tem uma vantagem além da estética: os pigmentos, em especial os óxidos de ferro, bloqueiam parte da luz visível, que os filtros comuns não bloqueiam. A luz visível piora o melasma e as manchas escuras, principalmente em peles morenas, pardas e negras. Para quem tem manchas ou quer proteção mais completa no rosto, o protetor com cor é uma boa escolha.

Quanto protetor solar passar?

Esta é a parte que quase todo mundo erra. A quantidade usada nos testes de FPS é de 2 miligramas por centímetro quadrado de pele, o que na prática significa:

  • rosto e pescoço: cerca de uma colher de chá cheia (ou o comprimento de dois dedos, a chamada "regra dos dois dedos");
  • cada braço: uma colher de chá;
  • cada perna: duas colheres de chá;
  • tronco (frente e costas): duas colheres de chá cada;
  • corpo inteiro de um adulto: cerca de 30 a 35 ml, o equivalente a uma dose de licor.

Em spray, é preciso borrifar até a pele ficar visivelmente úmida e depois espalhar com a mão. Um frasco de 200 ml deve durar poucas idas à praia se estiver sendo usado corretamente. Se o seu dura o verão inteiro, a quantidade está abaixo do necessário.

Não esqueça orelhas, nuca, pálpebras, lábios (use um protetor labial com FPS), dorso das mãos e dos pés e o couro cabeludo em quem tem calvície. Esses são exatamente os lugares onde o câncer de pele aparece com frequência e onde a cirurgia é mais delicada, como mostramos em Cirurgia de Mohs no nariz.

De quanto em quanto tempo reaplicar?

A cada 2 horas ao ar livre, e imediatamente depois de nadar, suar muito ou se enxugar com toalha, mesmo com produtos "resistentes à água" (a resistência é testada para 40 ou 80 minutos de imersão, não para o dia inteiro). No trabalho em ambiente fechado, sem sol direto pela janela, uma aplicação pela manhã e outra no início da tarde costumam ser suficientes.

A primeira aplicação deve ser feita cerca de 15 a 20 minutos antes de sair, principalmente com filtros químicos. Aplicar já na praia, com a pele suada e molhada, reduz muito a eficácia.

O protetor solar sozinho resolve?

Não. O protetor solar é uma das camadas de proteção, e não a principal. As medidas em ordem de importância são:

  1. Evitar o sol entre 10h e 16h. Nesse intervalo concentra-se a maior parte da radiação UV do dia. Em Fortaleza, o índice UV atinge níveis muito altos ou extremos praticamente todos os dias do ano, inclusive nos meses de chuva. A regra da sombra ajuda: se a sua sombra é menor do que você, o sol está forte.
  2. Roupas com proteção. Camisa de manga longa, calça e tecidos com UPF (fator de proteção ultravioleta) 50+ bloqueiam a radiação de forma constante, sem depender de reaplicação. Uma camiseta comum de algodão claro tem UPF baixo, em torno de 5 a 7, e menos quando molhada.
  3. Chapéu de aba larga (pelo menos 7 cm em toda a volta), que protege rosto, orelhas, nuca e couro cabeludo. O boné protege apenas a testa e o nariz.
  4. Óculos escuros com proteção UV, que protegem os olhos e a pele das pálpebras.
  5. Protetor solar nas áreas que ficaram expostas.

Quem cuida bem da pele e faz autoexame percebe as lesões cedo. Veja o que observar em Sinais de câncer de pele.

Como proteger quem trabalha ao sol no Nordeste?

Pescadores, agricultores, trabalhadores da construção, ambulantes, carteiros, motoristas e guardas de trânsito passam horas diárias sob o sol e têm risco muito maior de ceratose actínica, carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular. Para esse grupo, o protetor solar é útil, mas a roupa é a proteção que funciona de verdade, porque não precisa ser reaplicada e não sai com o suor.

A combinação mais eficaz e barata é: camisa de manga longa de tecido leve e claro (idealmente com UPF), chapéu de aba larga ou chapéu de palha com protetor de nuca, calça comprida, óculos escuros e protetor solar FPS 50 no rosto, orelhas, pescoço e dorso das mãos, reaplicado no intervalo do almoço. O braço esquerdo dos motoristas e a orelha do lado da janela merecem atenção especial. Quem trabalha na água, como pescadores e jangadeiros, recebe além do sol direto o reflexo da água e da areia, que aumenta a exposição.

Trabalhadores com exposição intensa e prolongada devem ter uma consulta dermatológica anual com exame de toda a pele. As ceratoses actínicas, que precedem o carcinoma espinocelular, são tratáveis e sua presença indica que a proteção precisa melhorar; explicamos essas lesões em Ceratose actínica.

Como usar protetor solar em crianças?

Bebês com menos de 6 meses não devem usar protetor solar nem ser expostos ao sol direto; a proteção é sombra, roupa e chapéu. A partir dos 6 meses, usa-se protetor infantil, de preferência com filtro físico (óxido de zinco e dióxido de titânio), que irrita menos a pele e os olhos. O FPS 30 ou mais é adequado, aplicado na mesma quantidade proporcional e reaplicado a cada 2 horas, sempre após o banho de mar ou de piscina.

As queimaduras solares na infância e na adolescência são um dos principais fatores de risco para melanoma na vida adulta, e a maior parte da exposição solar da vida acontece antes dos 18 anos. Ensinar a criança a usar chapéu, camisa UV na praia e a brincar na sombra nos horários de pico é uma das prevenções mais eficazes contra o câncer de pele que existem.

Quais erros mais comuns anulam a proteção?

Alguns hábitos tornam o protetor quase inútil, mesmo com FPS alto:

  • passar pouca quantidade, uma "camada fina" para não ficar branco;
  • aplicar só uma vez de manhã e passar o dia na praia;
  • confiar em "resistente à água" e não reaplicar após o mergulho;
  • usar o protetor de dois verões atrás, aberto e guardado no carro quente (o produto degrada);
  • esquecer orelhas, nuca, lábios, pés e couro cabeludo;
  • usar boné em vez de chapéu;
  • achar que dia nublado dispensa proteção (as nuvens deixam passar a maior parte do UV);
  • usar base ou hidratante com FPS 15 como única proteção diária;
  • confiar apenas no protetor e ficar mais tempo ao sol por causa dele.

Quem já teve um câncer de pele tem risco maior de desenvolver outro, e a fotoproteção rigorosa faz parte do tratamento. Saiba mais em Câncer de pele que voltou.

Perguntas frequentes

Qual é o melhor FPS para o dia a dia?

Para uso diário, o FPS 30 é o mínimo recomendado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. Em regiões de sol intenso como o Nordeste, para pele clara, para quem trabalha ao ar livre ou já teve câncer de pele, o FPS 50 é mais seguro, porque compensa a quantidade menor que a maioria das pessoas aplica.

FPS 50 protege muito mais que FPS 30?

No laboratório, a diferença é de cerca de 97% para 98% de bloqueio do UVB. Na prática, como quase ninguém usa a quantidade correta, o FPS 50 acaba oferecendo uma proteção real mais alta. O que faz mais diferença é a quantidade aplicada e a reaplicação a cada 2 horas.

Precisa usar protetor solar em dia nublado?

Sim. As nuvens bloqueiam apenas uma parte da radiação ultravioleta, e em dias parcialmente nublados a exposição pode ser até maior por causa do reflexo. Em Fortaleza, o índice UV se mantém alto durante todo o ano, com ou sem sol aparente.

Protetor solar em spray funciona?

Funciona se for aplicado em quantidade suficiente e espalhado com a mão até cobrir toda a pele. O spray costuma ser aplicado em quantidade menor do que a loção e não deve ser borrifado diretamente no rosto, para evitar inalar o produto. Para crianças, prefira loção ou bastão.

O protetor solar previne o câncer de pele?

Estudos mostram que o uso regular de protetor solar reduz o risco de carcinoma espinocelular, de ceratoses actínicas e de melanoma. A proteção mais eficaz combina protetor solar com roupas, chapéu, sombra e a redução da exposição entre 10h e 16h. Nenhuma medida isolada substitui as outras.

Onde fazer a cirurgia de Mohs

A cirurgia de Mohs exige um cirurgião com formação específica na técnica e laboratório de congelação ao lado da sala cirúrgica. Por isso a oferta no Nordeste se concentra em poucas capitais. Fortaleza reúne parte dessa estrutura, com cirurgiões formados em centros de referência, e recebe pacientes do interior do Ceará e dos estados vizinhos. Se você mora no Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba ou Pernambuco, veja a situação da oferta no seu estado em Cirurgia de Mohs no Nordeste. Ao escolher, pergunte se o cirurgião tem formação formal em Mohs e se ele mesmo interpreta as lâminas durante a cirurgia.

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