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Cirurgia de Mohs. Especialidade em Câncer de Pele.

Tipos de câncer de pele · 11 min de leitura

Carcinoma basocelular esclerodermiforme: por que esse subtipo exige cirurgia de Mohs

O carcinoma basocelular esclerodermiforme é um subtipo agressivo de câncer de pele que cresce como uma placa endurecida semelhante a uma cicatriz, com bordas mal definidas e raízes que se estendem muito além do que se vê. Por causa dessa extensão invisível, a cirurgia convencional falha com frequência, e a cirurgia de Mohs é a primeira escolha de tratamento.

Revisado por médico. Conteúdo produzido pela equipe editorial Cirurgia de Mohs e revisado por médico dermatologista com formação em cirurgia micrográfica de Mohs. Este portal é independente: não realiza consultas, não agenda cirurgias e não responde dúvidas clínicas individuais.

Carcinoma basocelular esclerodermiforme: placa semelhante a cicatriz com bordas mal definidas, comparada ao subtipo nodular

O que é carcinoma basocelular esclerodermiforme?

O carcinoma basocelular (CBC) é o câncer de pele mais comum, e existe em vários subtipos, definidos pela forma como as células tumorais se organizam ao microscópio. O subtipo nodular, o mais frequente, forma ninhos compactos e cresce como um "carocinho" perolado, com bordas fáceis de identificar. O subtipo esclerodermiforme, também chamado de morfeiforme, é diferente: as células se dispõem em cordões finos e alongados, envoltos por um tecido fibroso denso, como se o tumor produzisse a própria cicatriz ao redor.

Esse padrão de crescimento é o que dá o nome. "Esclerodermiforme" e "morfeiforme" fazem referência à esclerodermia e à morfeia, doenças em que a pele fica endurecida e esbranquiçada. O CBC esclerodermiforme se parece com uma dessas placas, e não com um tumor típico. Ele responde por uma fração pequena dos carcinomas basocelulares, mas por uma parcela desproporcional dos casos de recidiva e das cirurgias complexas na face. A visão geral do CBC está em Carcinoma basocelular.

Como ele se parece na pele?

O CBC esclerodermiforme costuma aparecer como uma placa lisa, plana ou levemente deprimida, de cor esbranquiçada, amarelada ou rosada, com brilho discreto e consistência endurecida ao toque. A pele por cima pode ficar fina, com pequenos vasos visíveis. Não costuma formar bolinha, nem ulcerar cedo, nem sangrar como os outros subtipos, ao menos no início.

O grande problema é que ele se parece com uma cicatriz. Muitos pacientes relatam "uma cicatriz que apareceu sem eu ter me machucado" ou "uma mancha branca dura que está crescendo devagar". Não é raro que a lesão seja atribuída a uma acne antiga, a um arranhão ou ao envelhecimento, e que passe anos sem avaliação. Quando o tumor finalmente é biopsiado, já pode ter vários centímetros de extensão subclínica.

As localizações mais comuns são a face, especialmente o nariz, as bochechas, a testa, a região ao redor dos olhos e as têmporas. Um dermatologista atento suspeita de CBC esclerodermiforme diante de qualquer área endurecida, cicatricial e de crescimento lento em pele com dano solar, mesmo sem ferida. A dermatoscopia ajuda, mas o diagnóstico só é confirmado pela biópsia, cujo laudo deve trazer o subtipo. Se o seu laudo menciona os termos "esclerodermiforme", "morfeiforme", "infiltrativo" ou "padrão de crescimento agressivo", saiba que isso muda o planejamento do tratamento. Ajudamos a interpretar essas palavras em Como entender o laudo da biópsia de pele.

Por que as bordas são tão difíceis de definir?

Nos subtipos comuns, o tumor cresce de forma compacta e "empurra" a pele saudável, criando um limite razoavelmente nítido. No esclerodermiforme e no infiltrativo, as células avançam em fileiras finas, às vezes com apenas uma ou duas células de espessura, que se infiltram entre as fibras da derme e seguem ao longo de nervos, vasos e planos de menor resistência. Essas fileiras não formam volume, não mudam a cor da pele e não podem ser vistas nem sentidas.

O resultado é a chamada extensão subclínica: a diferença entre o tamanho que o tumor aparenta ter e o tamanho real. Estudos que compararam a margem clínica com a margem microscópica mostram que, no CBC esclerodermiforme, o tumor real costuma ultrapassar em vários milímetros, e às vezes em mais de um centímetro, aquilo que o olho identifica como borda. Em um tumor de aparência pequena no nariz, isso pode significar a diferença entre uma ferida de 1 cm e uma de 3 cm.

Por que a cirurgia convencional falha nesse subtipo?

A cirurgia convencional funciona assim: o cirurgião olha o tumor, marca uma margem de segurança ao redor (geralmente 4 mm para um CBC comum, e mais para os agressivos), retira o bloco de pele e o envia ao laboratório. Lá, o patologista corta a peça em fatias verticais em alguns pontos, como fatias de um pão, e examina essas fatias. Esse método, chamado de análise por cortes seriados ou "em pão de forma", avalia apenas cerca de 0,1% a 1% de toda a superfície da margem.

Para um tumor nodular, com bordas regulares, isso costuma ser suficiente. Para o esclerodermiforme, é uma armadilha por dois motivos. Primeiro, a margem marcada a olho nu parte de uma borda que não é a borda verdadeira; o cirurgião está medindo a partir do lugar errado. Segundo, os cordões finos de tumor podem passar exatamente entre as fatias examinadas e não aparecer no laudo. O paciente recebe um resultado de "margens livres", a cicatriz fecha, e meses ou anos depois o tumor reaparece, agora dentro do tecido cicatricial, ainda mais difícil de tratar.

A literatura mostra que as taxas de recidiva dos subtipos agressivos após cirurgia convencional são claramente superiores às dos subtipos nodulares, e que a chance de margens comprometidas no laudo é maior. Por isso as diretrizes internacionais, como as da NCCN, classificam o CBC esclerodermiforme e o infiltrativo como tumores de alto risco, independentemente do tamanho ou da localização. A comparação completa entre as técnicas está em Mohs ou cirurgia convencional.

Por que a cirurgia de Mohs é a primeira escolha?

A cirurgia micrográfica de Mohs foi desenvolvida exatamente para o problema do tumor com raízes invisíveis. Em vez de confiar em uma margem estimada, o cirurgião retira uma camada fina de tecido ao redor e abaixo do tumor, mapeia sua orientação, e a examina inteira ao microscópio ainda durante o procedimento, com cortes horizontais que mostram praticamente 100% da margem. Se aparecer tumor em algum ponto do mapa, apenas aquele ponto é retirado em uma nova camada. O ciclo se repete até que toda a margem esteja livre, e só então a ferida é fechada.

Isso resolve os dois problemas do esclerodermiforme de uma vez. Nenhuma raiz escapa, porque toda a margem é vista; e nenhum tecido saudável é retirado sem necessidade, porque o cirurgião só avança onde há tumor. Na literatura, a Mohs alcança taxas de cura de até 99% para o CBC primário, contra 87% a 96% da cirurgia convencional, e para tumores recidivados a diferença é maior: 90% a 93% contra cerca de 83% (Anais Brasileiros de Dermatologia, 2021). Para o subtipo esclerodermiforme, em que a excisão às cegas tem mais chance de falhar, o benefício da técnica é ainda mais evidente.

Os critérios de uso apropriado da Mohs e as diretrizes da NCCN colocam o CBC esclerodermiforme, morfeiforme e infiltrativo como indicação apropriada em praticamente qualquer localização e tamanho. A tabela abaixo resume por que o subtipo pesa tanto na decisão.

CaracterísticaCBC nodular típicoCBC esclerodermiforme / infiltrativo
AparênciaNódulo perolado, bordas nítidasPlaca endurecida semelhante a cicatriz, bordas mal definidas
Crescimento microscópicoNinhos compactosCordões finos que se infiltram na derme
Extensão subclínicaPequenaGrande, com frequência vários milímetros além do visível
Chance de margem comprometida na cirurgia convencionalBaixaAlta
Risco de recidivaBaixoElevado
Tratamento de primeira escolha (áreas de risco)Convencional ou Mohs, conforme local e tamanhoCirurgia de Mohs

Saiba mais sobre como o procedimento acontece em Como é feita a cirurgia de Mohs e sobre a técnica na página Cirurgia de Mohs.

O que muda na reconstrução?

Como o CBC esclerodermiforme costuma ser maior do que aparenta, a ferida final pode surpreender o paciente. É comum que um tumor "do tamanho de uma lentilha" resulte em uma ferida do tamanho de uma moeda depois que todas as raízes foram removidas. Isso não é um erro nem um excesso: é o tamanho real do tumor, que só a Mohs revelou.

Feridas maiores no nariz, nas pálpebras e nas bochechas frequentemente precisam de retalhos ou enxertos, e em alguns casos a reconstrução é feita em dois tempos, com participação de cirurgião plástico ou oculoplástico. As opções são explicadas em Reconstrução após cirurgia de Mohs. Vale lembrar que a Mohs, apesar de revelar uma ferida maior do que a estimada, ainda produz a menor ferida possível para aquele tumor, já que a cirurgia convencional teria que adotar margens ampliadas "no escuro".

E se ele já voltou depois de uma cirurgia anterior?

O CBC esclerodermiforme é um dos subtipos que mais recidivam, e uma parte dos pacientes chega ao cirurgião de Mohs justamente porque o tumor reapareceu na cicatriz de uma cirurgia convencional, ou de uma curetagem, crioterapia ou radioterapia. Nesses casos, a indicação de Mohs é ainda mais forte: o tumor recidivado cresce de forma irregular dentro do tecido cicatricial, e a extensão subclínica é maior.

Em tumores muito grandes, com invasão profunda de osso ou órbita, ou com sintomas como dormência e dor que sugerem invasão de nervos, o tratamento pode exigir exames de imagem e uma abordagem combinada com radioterapia ou medicamentos. Isso é discutido caso a caso. Falamos sobre o câncer de pele recidivado em Câncer de pele que voltou.

Pacientes do Nordeste: o tempo importa

Sob o sol intenso de Fortaleza e do interior do Nordeste, a pele com dano solar crônico é terreno fértil para o CBC, incluindo os subtipos agressivos. Como o esclerodermiforme demora a ser reconhecido, é comum que o paciente já venha do interior do Ceará, do Piauí ou do Maranhão com um tumor de anos de evolução. A boa notícia é que o CBC raramente se espalha para outros órgãos; o risco é local, de destruição do tecido ao redor. Quanto antes tratado, menor a cirurgia e mais simples a reconstrução. O atendimento para quem vem de outros estados está descrito em Cirurgia de Mohs no Nordeste.

Perguntas frequentes

Carcinoma basocelular esclerodermiforme é grave?

É um subtipo agressivo do ponto de vista local: cresce de forma infiltrativa, com raízes invisíveis, e recidiva mais que os outros subtipos. Raramente causa metástase, mas pode destruir estruturas do rosto se não for tratado. Com a cirurgia de Mohs, as taxas de cura na literatura são altas.

CBC esclerodermiforme sempre precisa de cirurgia de Mohs?

Na grande maioria dos casos, sim. As diretrizes classificam esse subtipo como de alto risco em qualquer localização e tamanho, e a Mohs é a única técnica que examina toda a margem durante a cirurgia. A decisão final depende da avaliação do cirurgião, das condições do paciente e da localização.

Como saber se o meu carcinoma basocelular é esclerodermiforme?

Pelo laudo da biópsia. O patologista descreve o subtipo histológico, e termos como "esclerodermiforme", "morfeiforme", "infiltrativo" ou "padrão agressivo" indicam esse grupo. Se o laudo não menciona o subtipo, vale pedir ao médico que solicite a revisão.

A cirurgia de Mohs deixa uma ferida maior nesse tipo de tumor?

A ferida costuma ser maior do que o tumor aparentava, porque a Mohs remove as raízes que não eram visíveis. Ainda assim, ela é a menor ferida possível para aquele tumor, já que a cirurgia convencional precisaria de margens ampliadas sem saber onde o tumor termina.

O carcinoma basocelular esclerodermiforme pode voltar depois da Mohs?

Pode, mas a chance é baixa. Estudos mostram taxas de cura de até 99% para o CBC primário tratado com Mohs. O acompanhamento dermatológico periódico continua sendo necessário, tanto pela área operada quanto pelo risco de novos tumores em pele com dano solar.

Onde fazer a cirurgia de Mohs

A cirurgia de Mohs exige um cirurgião com formação específica na técnica e laboratório de congelação ao lado da sala cirúrgica. Por isso a oferta no Nordeste se concentra em poucas capitais. Fortaleza reúne parte dessa estrutura, com cirurgiões formados em centros de referência, e recebe pacientes do interior do Ceará e dos estados vizinhos. Se você mora no Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba ou Pernambuco, veja a situação da oferta no seu estado em Cirurgia de Mohs no Nordeste. Ao escolher, pergunte se o cirurgião tem formação formal em Mohs e se ele mesmo interpreta as lâminas durante a cirurgia.

Este portal é independente e não realiza atendimento. As indicações seguem os critérios descritos em Sobre o portal Cirurgia de Mohs.

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