Pular para o conteúdo
Cirurgia de Mohs. Especialidade em Câncer de Pele.

Tipos de câncer de pele · 11 min de leitura

Câncer de pele em trabalhador rural e ao ar livre: riscos, sinais e como se proteger

Câncer de pele em trabalhador rural é mais frequente do que na população geral porque a exposição ao sol se repete todos os dias, por décadas, sem proteção adequada. Agricultores, pescadores, pedreiros, motoristas e carteiros concentram os tumores no rosto, nas orelhas, no lábio inferior, no pescoço e nos braços. A boa notícia é que esses tumores são visíveis, curáveis quando tratados cedo e, em grande parte, evitáveis.

Revisado por médico. Conteúdo produzido pela equipe editorial Cirurgia de Mohs e revisado por médico dermatologista com formação em cirurgia micrográfica de Mohs. Este portal é independente: não realiza consultas, não agenda cirurgias e não responde dúvidas clínicas individuais.

Câncer de pele em trabalhador rural: prevenção com chapéu de abas largas e manga longa

Por que o trabalhador rural tem mais câncer de pele?

A radiação ultravioleta do sol é o principal fator de risco para o câncer de pele, e o efeito é cumulativo: a pele "guarda" a dose recebida ao longo da vida. Um agricultor do sertão do Ceará que começou a trabalhar na roça aos 12 anos e chega aos 60 acumulou dezenas de milhares de horas de sol, quase todas entre 8 e 16 horas, sem sombra, muitas vezes sem chapéu e de camisa aberta. Estudos europeus e brasileiros mostram que trabalhadores ao ar livre recebem de duas a três vezes mais radiação ultravioleta do que quem trabalha em ambientes fechados, e têm risco proporcionalmente maior de carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular e ceratose actínica.

No Nordeste, o problema se agrava por dois motivos. O primeiro é geográfico: a região está próxima à linha do Equador, e o índice ultravioleta é alto o ano inteiro, mesmo em dias nublados. O segundo é cultural: o uso de protetor solar e de roupas de manga longa ainda é visto como coisa de "gente da cidade", e o trabalhador rural costuma procurar o médico apenas quando a ferida não fecha há meses. O INCA estima o câncer de pele não melanoma como o tipo mais frequente de câncer no Brasil, com centenas de milhares de casos novos por ano, e a região Nordeste responde por parcela expressiva. A página Câncer de pele apresenta os tipos e os sinais gerais.

Quais profissões têm mais risco?

Qualquer ocupação com muitas horas ao ar livre eleva o risco. As mais estudadas e as mais comuns no consultório são estas.

ProfissãoPadrão de exposiçãoÁreas mais atingidas
Agricultor, vaqueiro, trabalhador de roçaSol direto o dia todo, por décadas, desde a infânciaRosto, orelhas, lábio inferior, pescoço (nuca), antebraços e dorso das mãos
Pescador, jangadeiro, marisqueiraSol direto mais reflexo da água e da areiaRosto, lábio inferior, orelhas, colo, dorso das mãos
Pedreiro, servente, trabalhador da construçãoSol direto mais reflexo do cimento e do concreto; muitos trabalham sem camisaRosto, ombros, costas, braços, couro cabeludo (calvos)
Motorista de caminhão, ônibus, mototaxistaSol lateral pela janela, sempre do mesmo ladoLado esquerdo do rosto, orelha e braço esquerdos (no Brasil)
Carteiro, gari, vendedor ambulante, guarda de trânsitoCaminhadas longas nas horas de maior solRosto, pescoço, braços
Trabalhador de salinas, carcinicultura e energia solarSol direto mais reflexo intenso de sal, água e painéisRosto e olhos, orelhas, lábio

A assimetria nos motoristas é característica: o lado voltado para a janela envelhece mais e concentra os tumores. Vale lembrar que o vidro comum bloqueia parte dos raios UVB, mas deixa passar boa parte dos UVA.

Quais são os cânceres de pele mais comuns nesses trabalhadores?

Os três tipos principais aparecem, mas em proporções diferentes de quem trabalha em ambiente fechado.

Ceratose actínica. Não é câncer, mas é a lesão precursora mais frequente. São manchas ásperas, avermelhadas ou cor da pele, que se sentem mais do que se veem, no rosto, no couro cabeludo calvo, nas orelhas e nos antebraços. O trabalhador rural costuma ter dezenas delas, o chamado campo de cancerização. Uma pequena parte se transforma em carcinoma espinocelular com o tempo. O tratamento é simples e está descrito em Ceratose actínica.

Carcinoma basocelular. É o tipo mais comum. Aparece como uma "ferida que não fecha", um carocinho brilhante com vasos finos ou uma mancha rosada que descama, quase sempre no rosto. Cresce devagar e raramente se espalha, mas destrói o tecido ao redor se não for tratado. Saiba mais em Carcinoma basocelular.

Carcinoma espinocelular. É proporcionalmente mais frequente em quem tem exposição ocupacional crônica do que na população geral. Duas localizações merecem atenção especial: o lábio inferior e a orelha. No lábio, começa como uma queilite actínica (lábio ressecado, esbranquiçado, que descama e racha sem cicatrizar) e evolui para uma ferida ou um caroço. Na orelha, surge sobre a pele espessada e escamosa da hélice. Nesses dois locais, o carcinoma espinocelular tem maior chance de atingir os gânglios do pescoço, e por isso o diagnóstico precoce importa mais. Detalhes em Carcinoma espinocelular.

Melanoma. É menos ligado à exposição crônica e mais às queimaduras solares intermitentes, mas ocorre em qualquer pessoa. Uma pinta nova, que cresce, muda de cor ou tem bordas irregulares deve ser avaliada.

Quais sinais o trabalhador rural deve observar?

O câncer de pele avisa, mas de forma discreta. Preste atenção a estes sinais e procure avaliação se qualquer um durar mais de três ou quatro semanas:

  • ferida que não fecha, ou que fecha e abre de novo, principalmente no rosto e nas orelhas;
  • caroço brilhante, cor de pérola, com vasinhos, que sangra ao ser tocado ou ao enxugar o rosto;
  • mancha áspera que sangra ou que ficou espessa e dolorida;
  • lábio inferior com uma "casquinha" que não sai, uma ferida ou uma área endurecida;
  • crosta na orelha que sempre volta;
  • pinta que cresceu, mudou de cor ou tem mais de uma cor.

O guia completo de sinais está em Sinais de câncer de pele. Muitos trabalhadores atribuem a ferida a um "arranhão de galho", a um "espinho" ou a uma "queimadura de sol" e esperam meses. Nesse tempo, um tumor de 5 mm pode virar um tumor de 2 cm, e a cirurgia passa de simples a complexa.

Como se proteger do sol no trabalho?

A proteção precisa ser realista para quem passa oito ou dez horas no campo, na obra ou no mar. O que funciona, na ordem de importância:

  1. Chapéu de abas largas. Aba de pelo menos 7 cm em toda a volta protege rosto, orelhas, nuca e lábio. O boné protege só a testa e o nariz e deixa orelhas e nuca expostas, que são justamente áreas de alto risco. O chapéu de palha tradicional do sertão, quando tem aba larga e trama fechada, é uma boa opção.
  2. Camisa de manga longa e calça. Tecido de trama fechada, de cor escura ou média, seco, protege mais do que qualquer protetor solar. Camisas leves de manga longa, como as usadas por pescadores e vaqueiros, são melhores que ficar sem camisa. Existem tecidos com proteção UV certificada, mas uma camisa comum de algodão já reduz bastante a radiação.
  3. Sombra nos horários de pico. Organizar as tarefas mais pesadas para antes das 9 e depois das 15 horas, quando possível, e fazer as pausas na sombra.
  4. Protetor solar acessível. FPS 30 ou mais, aplicado nas áreas que a roupa não cobre (rosto, orelhas, nuca, mãos) 20 minutos antes de sair e reaplicado a cada duas horas ou após suar muito. Os protetores de farmácia em embalagens grandes e as versões distribuídas em unidades de saúde e por sindicatos rurais são adequados; não é preciso comprar o mais caro.
  5. Protetor labial com FPS. O lábio inferior é uma das áreas mais atingidas e a mais esquecida. Um batom protetor com FPS 30, reaplicado ao longo do dia, previne a queilite actínica.
  6. Óculos com proteção UV, que protegem os olhos e a pele fina das pálpebras.

No clima do Nordeste, com suor intenso, as versões em gel ou loção leve, resistentes à água, são mais fáceis de manter ao longo do dia de trabalho.

Câncer de pele pode ser considerado doença do trabalho?

Sim, em determinadas condições. O câncer de pele causado por exposição solar ocupacional consta em listas oficiais de doenças relacionadas ao trabalho no Brasil, e pode haver enquadramento como doença ocupacional quando se comprova a relação entre a atividade profissional e o tumor. Isso tem implicações previdenciárias e trabalhistas que variam conforme o vínculo (empregado com carteira, trabalhador rural segurado especial, autônomo) e devem ser avaliadas com o médico do trabalho, o sindicato ou um profissional da área jurídica. Não detalhamos leis aqui, mas vale saber que a possibilidade existe e que o laudo médico com a descrição do tumor e da história ocupacional é o primeiro passo.

Do lado do empregador, a legislação de segurança do trabalho prevê medidas de proteção contra agentes físicos, o que inclui, em muitas atividades, o fornecimento de chapéu, roupas e protetor solar.

Como é o tratamento para quem vem do interior?

O tratamento depende do tipo e da localização do tumor. Muitos carcinomas basocelulares pequenos do tronco e dos braços são resolvidos com cirurgia convencional no próprio município ou na regional de saúde. Os tumores do rosto, das orelhas e do lábio, os tumores grandes, os agressivos e os que já voltaram têm indicação de Cirurgia de Mohs, que remove o tumor com controle de praticamente 100% das margens e preserva o máximo de tecido em áreas onde cada milímetro faz diferença. Explicamos os critérios em Quando a cirurgia de Mohs é indicada (e quando não é).

Para o trabalhador rural de Quixadá, Crateús, Sobral ou do interior do Piauí e do Maranhão, a logística importa. A cirurgia de Mohs é feita em um único dia, com anestesia local, e o paciente volta para casa em um ou dois dias, com os pontos retirados na cidade de origem quando necessário. O atendimento à distância e as opções pelo SUS, convênio e particular estão descritos em Cirurgia de Mohs no Nordeste e em Cirurgia de Mohs pelo SUS.

Perguntas frequentes

Trabalhador rural tem mais chance de ter câncer de pele?

Sim. Estudos mostram que trabalhadores ao ar livre recebem duas a três vezes mais radiação ultravioleta do que quem trabalha em ambiente fechado e têm risco maior de carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular e ceratose actínica, concentrados no rosto, orelhas, lábio, nuca e braços. No Nordeste, o índice ultravioleta alto o ano todo agrava esse risco.

Qual o câncer de pele mais comum em quem trabalha no sol?

O carcinoma basocelular é o mais comum em qualquer grupo. Em quem tem exposição ocupacional crônica, o carcinoma espinocelular é proporcionalmente mais frequente, especialmente no lábio inferior e na orelha, e a ceratose actínica, sua lesão precursora, aparece em grande número.

Chapéu protege do câncer de pele?

Protege, desde que tenha abas largas (7 cm ou mais) em toda a volta, cobrindo rosto, orelhas e nuca. Boné protege apenas testa e nariz. Combinado com camisa de manga longa e protetor solar nas áreas expostas, o chapéu de abas largas é a medida de proteção mais eficaz para quem trabalha ao ar livre.

Câncer de pele de trabalhador rural é doença ocupacional?

Pode ser. O câncer de pele por exposição solar no trabalho consta em listas oficiais de doenças relacionadas ao trabalho e, comprovada a relação com a atividade profissional, pode haver enquadramento como doença ocupacional. A avaliação depende do tipo de vínculo e deve ser feita com médico do trabalho, sindicato ou profissional jurídico.

Ferida no lábio que não cicatriza pode ser câncer?

Pode. Uma ferida, crosta ou área endurecida no lábio inferior que dura mais de três semanas, principalmente em quem trabalha ao ar livre, deve ser avaliada por dermatologista. Pode ser queilite actínica (lesão precursora) ou carcinoma espinocelular, que no lábio tem maior chance de atingir os gânglios e por isso deve ser tratado cedo.

Onde fazer a cirurgia de Mohs

A cirurgia de Mohs exige um cirurgião com formação específica na técnica e laboratório de congelação ao lado da sala cirúrgica. Por isso a oferta no Nordeste se concentra em poucas capitais. Fortaleza reúne parte dessa estrutura, com cirurgiões formados em centros de referência, e recebe pacientes do interior do Ceará e dos estados vizinhos. Se você mora no Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba ou Pernambuco, veja a situação da oferta no seu estado em Cirurgia de Mohs no Nordeste. Ao escolher, pergunte se o cirurgião tem formação formal em Mohs e se ele mesmo interpreta as lâminas durante a cirurgia.

Este portal é independente e não realiza atendimento. As indicações seguem os critérios descritos em Sobre o portal Cirurgia de Mohs.

Leia também

Todos os artigos
Tipos de câncer de pele

Vários carcinomas basocelulares: síndrome de Gorlin e outras causas de tumores repetidos

11 min de leitura