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Cirurgia de Mohs. Especialidade em Câncer de Pele.

Tipos de câncer de pele · 9 min de leitura

Dermatoscopia: o que é, como é feita e por que antecipa o diagnóstico do câncer de pele

Dermatoscopia é o exame em que o dermatologista observa as lesões da pele com um dermatoscópio, um aparelho portátil com lente de aumento e iluminação especial que revela cores e estruturas invisíveis a olho nu. Ela não causa dor, dura poucos minutos e aumenta a precisão para identificar melanoma e carcinomas em fase inicial. Não substitui a biópsia, mas ajuda a decidir quais lesões precisam dela.

Revisado por médico. Conteúdo produzido pela equipe editorial Cirurgia de Mohs e revisado por médico dermatologista com formação em cirurgia micrográfica de Mohs. Este portal é independente: não realiza consultas, não agenda cirurgias e não responde dúvidas clínicas individuais.

Dermatoscopia: exame de pinta com dermatoscópio no consultório

O que é a dermatoscopia e como funciona o dermatoscópio?

A pele reflete e espalha a luz na sua superfície, e é isso que impede o olho de enxergar o que está logo abaixo. O dermatoscópio resolve esse problema de duas formas: com um líquido ou gel entre a lente e a pele (dermatoscopia de contato) ou com luz polarizada, que atravessa a camada mais superficial sem depender do contato. Com aumento de 10 vezes ou mais, o médico passa a ver a distribuição do pigmento, os vasos sanguíneos, as estruturas dos folículos e padrões que cada tipo de lesão desenha de forma característica.

O exame é feito no consultório, com o paciente sentado ou deitado, e não causa dor nem exige preparo. O aparelho é encostado sobre cada lesão por alguns segundos. Em uma consulta de rastreamento, o dermatologista examina toda a pele, incluindo couro cabeludo, orelhas, plantas dos pés, unhas e as regiões entre os dedos, e usa o dermatoscópio nas lesões que chamam atenção. A dermatoscopia é hoje parte do exame padrão para câncer de pele, recomendada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. Conheça os tumores que ela ajuda a detectar em Câncer de pele.

O que o dermatologista enxerga na dermatoscopia?

Cada tipo de lesão tem uma "assinatura" dermatoscópica. Reconhecer essas estruturas é o que permite diferenciar uma pinta comum de um melanoma inicial, ou uma verruga de um carcinoma basocelular.

LesãoO que a dermatoscopia mostra
Pinta comum (nevo)Rede pigmentar regular, cor uniforme, simetria, glóbulos organizados
MelanomaRede pigmentar atípica e irregular, várias cores, assimetria, véu azul-esbranquiçado, estrias e pontos irregulares, áreas de regressão
Carcinoma basocelularVasos arboriformes (em forma de galhos de árvore), ninhos ovoides azul-acinzentados, ulceração, ausência de rede pigmentar
Carcinoma espinocelular e ceratose actínicaEscamas, vasos em ponto ou em grampo, padrão em "morango" na ceratose actínica do rosto, áreas brancas
Ceratose seborreica (verruga senil)Pseudocistos córneos, aberturas parecidas com comedões, bordas bem delimitadas ("colada" na pele)
Lentigo malignoPigmentação assimétrica ao redor dos folículos, estruturas em losango, pontos e glóbulos cinzentos
Angioma (lesão de vasos)Lagos vermelhos ou roxos bem delimitados

Na prática, o dermatologista aplica algoritmos que combinam esses achados, como a regra do ABCD dermatoscópico, a lista de 7 pontos ou a análise de padrões. Os vasos arboriformes, por exemplo, são um dos sinais mais confiáveis de carcinoma basocelular, e uma rede pigmentar irregular com várias cores é um dos principais sinais de alerta para melanoma. Saiba mais sobre esses tumores em Carcinoma basocelular e Melanoma.

A dermatoscopia é confiável para diagnosticar melanoma?

Sim, mais do que o exame a olho nu, e essa é a principal razão de sua adoção. Revisões sistemáticas e meta-análises, citadas nas diretrizes internacionais e nos consensos brasileiros, mostram que a dermatoscopia, nas mãos de um profissional treinado, aumenta a sensibilidade para o diagnóstico de melanoma em comparação com o exame clínico simples, e ao mesmo tempo reduz o número de biópsias desnecessárias de lesões benignas. Em outras palavras, o dermatologista com dermatoscópio acerta mais e opera menos pintas que não precisavam ser retiradas.

Ela permite ainda identificar melanomas menores e mais finos, em fase in situ ou com espessura mínima, quando a chance de cura é maior. Para o carcinoma basocelular, a dermatoscopia ajuda a reconhecer lesões pequenas e a suspeitar de subtipos pigmentados ou superficiais, e também a estimar as bordas da lesão antes da cirurgia, o que é útil no planejamento da cirurgia de Mohs.

O que a dermatoscopia não faz é dar certeza absoluta. Algumas lesões são indeterminadas mesmo ao dermatoscópio, e nesses casos o caminho é a biópsia ou o acompanhamento fotográfico em curto prazo.

Dermatoscopia substitui a biópsia?

Não. A dermatoscopia orienta a suspeita; a biópsia confirma o diagnóstico. Uma lesão com padrão dermatoscópico claramente benigno pode ser apenas acompanhada. Uma lesão com padrão claramente maligno vai para a biópsia, e a dermatoscopia ajuda a escolher o melhor ponto para retirar o fragmento. Uma lesão com padrão duvidoso pode ser biopsiada ou reavaliada em 3 meses com fotos dermatoscópicas para comparar.

Nenhum tratamento de câncer de pele é definido apenas pela dermatoscopia. O laudo histopatológico, que informa o tipo, o subtipo e a profundidade, é o que determina se o tumor é de alto ou baixo risco e qual cirurgia é indicada. Entenda o laudo em Como entender o laudo da biópsia de pele e os critérios de tratamento em Quando a cirurgia de Mohs é indicada (e quando não é).

O que é o mapeamento corporal com dermatoscopia digital?

O mapeamento corporal, ou dermatoscopia digital, é a versão fotográfica do exame. Todo o corpo é fotografado de forma padronizada, e as lesões de interesse são registradas com imagens dermatoscópicas de alta resolução, armazenadas em um sistema que permite comparar as fotos em consultas futuras. O objetivo não é olhar cada pinta isoladamente, mas detectar mudanças ao longo do tempo: uma pinta que cresceu, mudou de padrão ou surgiu onde não havia nada.

O mapeamento é indicado para pessoas com risco aumentado de melanoma:

  • muitas pintas (mais de 50) ou várias pintas atípicas;
  • história pessoal de melanoma;
  • história de melanoma em parentes de primeiro grau;
  • pele muito clara com muitas queimaduras solares na infância;
  • imunossupressão;
  • síndromes genéticas de predisposição.

Para quem tem poucas pintas e nenhum fator de risco, a dermatoscopia simples na consulta anual costuma ser suficiente. O mapeamento é repetido em intervalos de 6 a 12 meses, conforme o risco.

Quando fazer a dermatoscopia e com que frequência?

A recomendação geral é uma consulta dermatológica anual com exame de toda a pele e dermatoscopia, a partir da idade adulta, e antes disso se houver fatores de risco. No Nordeste, onde a exposição solar é intensa o ano inteiro e o dano acumulado começa cedo, essa consulta anual faz ainda mais sentido. Além da rotina, procure o exame sem esperar a data marcada se notar:

  • uma pinta nova depois dos 40 anos;
  • uma pinta que mudou de tamanho, cor ou forma, ou que coça, sangra ou dói;
  • uma pinta diferente de todas as outras (o "patinho feio");
  • uma ferida que não cicatriza em quatro semanas;
  • um caroço brilhante, rosado ou perolado no rosto;
  • uma mancha escura na sola do pé ou uma faixa escura na unha.

A lista completa de sinais está em Sinais de câncer de pele. Pessoas que já tiveram câncer de pele, transplantados e quem tem muitas ceratoses actínicas devem ser examinados a cada 3 a 6 meses, conforme orientação do dermatologista.

A dermatoscopia é usada na cirurgia de Mohs?

Sim, em duas etapas. Antes da cirurgia, o cirurgião de Mohs usa o dermatoscópio para delimitar com mais precisão as bordas do tumor, sobretudo em carcinomas basocelulares pouco visíveis e em lentigos malignos, o que ajuda a planejar a primeira camada. Depois da cirurgia, no acompanhamento, a dermatoscopia da cicatriz e da pele ao redor é a forma mais sensível de detectar uma recidiva precoce, antes que ela seja visível a olho nu. Veja como a cirurgia é feita em Como é feita a cirurgia de Mohs.

Dermatoscopia com aplicativos de celular funciona?

Os aplicativos que prometem analisar fotos de pintas e dizer se são câncer não têm, até o momento, precisão suficiente para substituir a avaliação médica, e estudos independentes mostram que eles erram em uma parcela importante dos melanomas. Fotografar as próprias pintas para acompanhar mudanças é útil e recomendado, mas a interpretação deve ser feita por um dermatologista com dermatoscópio. Uma foto enviada ao médico pode ajudar a decidir a urgência da consulta, e é isso que oferecemos como orientação inicial, sem substituir o exame presencial.

Perguntas frequentes

A dermatoscopia dói ou tem contraindicação?

Não. A dermatoscopia é um exame não invasivo, que não causa dor, sem radiação e sem preparo. O aparelho é apenas encostado sobre a pele. Pode ser feita em qualquer idade, em gestantes e em qualquer parte do corpo, incluindo unhas, couro cabeludo e mucosas.

Quanto tempo dura o exame de dermatoscopia?

O exame de uma lesão isolada leva segundos. O exame completo da pele com dermatoscopia, em uma consulta de rastreamento, leva em torno de 15 a 30 minutos, dependendo do número de pintas. O mapeamento corporal com fotografia digital pode levar de 30 a 60 minutos.

Dermatoscopia detecta câncer de pele com certeza?

A dermatoscopia aumenta muito a precisão do diagnóstico, mas a certeza vem da biópsia, que examina o tecido ao microscópio. Uma lesão suspeita na dermatoscopia é biopsiada; uma lesão claramente benigna é acompanhada. Lesões duvidosas podem ser reavaliadas com fotos em poucos meses.

Quem deve fazer mapeamento corporal de pintas?

Pessoas com mais de 50 pintas, com pintas atípicas, com história pessoal ou familiar de melanoma, com pele muito clara e muitas queimaduras solares na juventude, ou imunossuprimidas. Para quem tem poucas pintas e nenhum fator de risco, a dermatoscopia simples na consulta anual é suficiente.

Preciso tirar as pintas que aparecem na dermatoscopia?

Não. A maioria das pintas é benigna e não precisa ser retirada. A dermatoscopia serve justamente para separar as poucas lesões que merecem biópsia das muitas que podem ficar. Retirar pintas benignas por precaução não reduz o risco de melanoma e deixa cicatrizes desnecessárias.

Onde fazer a cirurgia de Mohs

A cirurgia de Mohs exige um cirurgião com formação específica na técnica e laboratório de congelação ao lado da sala cirúrgica. Por isso a oferta no Nordeste se concentra em poucas capitais. Fortaleza reúne parte dessa estrutura, com cirurgiões formados em centros de referência, e recebe pacientes do interior do Ceará e dos estados vizinhos. Se você mora no Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba ou Pernambuco, veja a situação da oferta no seu estado em Cirurgia de Mohs no Nordeste. Ao escolher, pergunte se o cirurgião tem formação formal em Mohs e se ele mesmo interpreta as lâminas durante a cirurgia.

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