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Cirurgia de Mohs. Especialidade em Câncer de Pele.

Tipos de câncer de pele · 11 min de leitura

Tratamento de câncer de pele sem cirurgia: curetagem, crioterapia, terapia fotodinâmica e imiquimode

O tratamento de câncer de pele sem cirurgia é possível em casos selecionados: carcinoma basocelular superficial, ceratose actínica e doença de Bowen (carcinoma espinocelular in situ) podem ser tratados com curetagem e eletrocoagulação, crioterapia, terapia fotodinâmica ou cremes como imiquimode e 5-fluorouracil. Esses métodos são menos invasivos, mas têm taxas de cura menores que a cirurgia e não permitem examinar as margens.

Revisado por médico. Conteúdo produzido pela equipe editorial Cirurgia de Mohs e revisado por médico dermatologista com formação em cirurgia micrográfica de Mohs. Este portal é independente: não realiza consultas, não agenda cirurgias e não responde dúvidas clínicas individuais.

Tratamento de câncer de pele sem cirurgia serve para lesões superficiais, não para tumores profundos

Existe tratamento de câncer de pele sem cirurgia?

Sim, e ele é usado todos os dias nos consultórios de dermatologia. O que muda é para quem ele serve. As opções não cirúrgicas funcionam bem quando o tumor é fino, restrito às camadas mais superficiais da pele, bem delimitado e localizado em uma área de baixo risco, como o tronco, os braços ou as pernas. Elas não substituem a cirurgia em tumores que crescem em profundidade, em subtipos agressivos, em tumores que já voltaram ou em áreas críticas do rosto.

A diferença central está no controle. Quando um tumor é removido por cirurgia, a peça vai para o laboratório e o patologista verifica se as margens estão livres. Na Cirurgia de Mohs, esse exame cobre praticamente 100% da borda ainda durante o procedimento. Nos tratamentos não cirúrgicos, não existe peça para examinar: o tumor é destruído no local, e a única forma de saber se ele foi eliminado é acompanhar a pele ao longo dos anos.

Quais são as opções não cirúrgicas para o câncer de pele?

Curetagem e eletrocoagulação

É o método mais antigo e ainda muito usado. Com anestesia local, o médico raspa o tumor com uma cureta, um instrumento em forma de colher, e depois cauteriza a base com corrente elétrica, repetindo o ciclo duas ou três vezes. Serve para carcinomas basocelulares superficiais e nodulares pequenos em áreas de baixo risco e para algumas doenças de Bowen. Deixa uma cicatriz redonda, clara e um pouco deprimida. Não deve ser usada em subtipos infiltrativos, esclerodermiformes ou micronodulares, porque a cureta não consegue "sentir" o limite desses tumores e deixa raízes para trás.

Crioterapia com nitrogênio líquido

O nitrogênio líquido a cerca de 196 graus negativos congela e destrói as células. É o tratamento padrão para ceratose actínica isolada e pode ser usado, com técnica mais intensa e ciclos repetidos, para carcinoma basocelular superficial e doença de Bowen pequenos. Causa bolha, ferida e, com frequência, uma mancha clara definitiva no local. Não é adequada para tumores nodulares espessos, para o rosto central nem para pessoas de pele mais escura, nas quais a perda de pigmento é mais visível.

Terapia fotodinâmica (PDT)

Na terapia fotodinâmica, aplica-se um creme fotossensibilizante (ácido aminolevulínico ou metil-aminolevulinato) sobre a lesão, aguarda-se algumas horas para que as células doentes o absorvam e, então, a área é iluminada com luz vermelha ou luz do dia. A reação destrói seletivamente as células alteradas. Está indicada para ceratoses actínicas múltiplas, carcinoma basocelular superficial e doença de Bowen. Costuma exigir duas sessões, arde durante a iluminação e provoca vermelhidão e descamação por alguns dias. O resultado estético tende a ser bom, mas a taxa de cura no carcinoma basocelular é inferior à da cirurgia.

Imiquimode 5%

O imiquimode é um creme que estimula o sistema imunológico local a atacar as células tumorais. É aplicado pelo próprio paciente em casa, geralmente cinco vezes por semana durante seis semanas para carcinoma basocelular superficial, ou em esquemas mais curtos para ceratose actínica. A pele fica vermelha, com crostas e às vezes ferida durante o tratamento; essa reação é esperada e indica que o medicamento está agindo. Estudos de longo prazo mostram taxas de cura na faixa de 80% para carcinoma basocelular superficial, abaixo da cirurgia, que fica acima de 95% nesses mesmos tumores.

5-fluorouracil

O 5-fluorouracil (5-FU) é um creme quimioterápico tópico que interfere na multiplicação das células. É bastante usado para campos de ceratose actínica em rosto, couro cabeludo e antebraços, e também para doença de Bowen e carcinoma basocelular superficial. O esquema típico é de duas aplicações diárias por duas a quatro semanas, com inflamação intensa da área. Assim como o imiquimode, exige que o paciente tolere semanas de pele irritada e que faça acompanhamento depois.

Para quais tumores esses tratamentos servem?

A tabela resume as indicações mais aceitas nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da NCCN.

MétodoCeratose actínicaCBC superficialCBC nodular pequenoDoença de BowenCBC agressivo, recidivado ou em área de risco
Curetagem e eletrocoagulaçãoSimSim (tronco e membros)Sim, em área de baixo riscoSimNão
CrioterapiaSim (indicação principal)Sim, em lesões pequenasRaramenteSim, em lesões pequenasNão
Terapia fotodinâmicaSim (campos extensos)SimNãoSimNão
Imiquimode 5%SimSim (indicação principal)NãoUso fora de bulaNão
5-fluorouracilSim (campos extensos)SimNãoSimNão

Repare que todas as colunas terminam com "não" para os tumores agressivos, recidivados ou em áreas de risco. Nesses casos, o tratamento é cirúrgico, e frequentemente com controle de margem. Explicamos os critérios em Quando a cirurgia de Mohs é indicada (e quando não é).

Por que a taxa de cura é menor que a da cirurgia?

Existem dois motivos. O primeiro é a profundidade: cremes, luz e frio agem nas camadas superficiais da pele e não alcançam com segurança um tumor que já desceu pela derme ou que se estende por baixo da superfície, além do que se vê a olho nu. O segundo é a ausência de controle de margem. Como não há peça cirúrgica, não há como confirmar que o tumor acabou. Um pequeno foco residual pode ficar quieto por anos e reaparecer como um tumor recidivado, que é mais difícil de tratar.

A literatura reflete isso. Para o carcinoma basocelular, estudos comparativos mostram cura acima de 95% com cirurgia e em torno de 80% a 90% com as modalidades destrutivas e tópicas, dependendo do método e do subtipo. Para o carcinoma basocelular primário tratado com Mohs, as séries chegam a 99%. Esses números valem para lesões bem selecionadas; quando um método não cirúrgico é usado no tumor errado, a taxa de falha sobe bastante.

Quando não usar tratamento sem cirurgia?

Há situações em que a escolha de um tratamento não cirúrgico traz mais risco do que benefício, mesmo que pareça mais simples.

A primeira é o subtipo histológico. Se o laudo da biópsia descreve carcinoma basocelular esclerodermiforme, infiltrativo, micronodular ou basoescamoso, ou carcinoma espinocelular invasivo, o tratamento tópico ou destrutivo não é adequado. Aprenda a identificar esses termos em Como entender o laudo da biópsia de pele.

A segunda é a localização. Nariz, pálpebras, lábios, orelhas e a região ao redor dos olhos são áreas onde o tumor cresce de forma imprevisível e onde uma recidiva custa caro em tecido e em função. A terceira é a história: um tumor que já foi tratado e voltou não deve receber um segundo tratamento às cegas. E a quarta é o paciente: transplantados e pessoas com imunidade baixa têm tumores mais agressivos e respondem pior aos cremes que dependem da resposta imunológica, como o imiquimode.

Há ainda um ponto prático. A biópsia examina apenas um fragmento. Um tumor descrito como "superficial" na biópsia pode ter um componente nodular ou infiltrativo em outra parte da lesão. Por isso, o dermatologista avalia a lesão inteira, com dermatoscopia, antes de indicar um método sem controle de margem.

E a ceratose actínica, precisa de cirurgia?

Não. A ceratose actínica é uma lesão pré-cancerosa, muito comum em quem vive sob o sol intenso do Nordeste, e é justamente o cenário em que os tratamentos não cirúrgicos brilham. Crioterapia para lesões isoladas e cremes ou terapia fotodinâmica para áreas com muitas lesões (o chamado campo de cancerização) são o padrão. A cirurgia só entra quando uma lesão é espessa, dolorosa, sangra ou não responde ao tratamento, porque aí a suspeita é de que já se transformou em carcinoma espinocelular. Saiba mais em Ceratose actínica.

Como é o acompanhamento depois de um tratamento não cirúrgico?

Como não existe laudo de margens, o acompanhamento é a única rede de segurança. A recomendação habitual é revisar a área a cada três a seis meses no primeiro ano e, depois, anualmente, junto com o exame de toda a pele. Qualquer área que volte a ficar avermelhada, descamativa, brilhante ou que sangre no local tratado deve ser reavaliada e, se necessário, biopsiada. Se houver recidiva, o tratamento passa a ser cirúrgico, e a cirurgia de Mohs é a opção com maior taxa de cura na literatura para tumores recidivados, como explicamos em Câncer de pele que voltou.

Como decidir entre cirurgia e tratamento não cirúrgico?

A decisão é compartilhada e leva em conta o laudo, a localização, o tamanho, o número de lesões, a idade e a saúde geral do paciente e a sua preferência. Um carcinoma basocelular superficial de 8 mm nas costas de um paciente de 45 anos pode ser tratado com imiquimode ou curetagem com ótimo resultado. O mesmo subtipo, na asa do nariz, merece cirurgia com controle de margem. Um paciente idoso e frágil com um tumor de baixo risco pode preferir um método não cirúrgico mesmo aceitando uma chance maior de recidiva. Não existe resposta única, e sim a resposta certa para cada caso. Para uma visão geral dos tipos de tumor e das opções, visite Câncer de pele.

Perguntas frequentes

Existe pomada que cura câncer de pele?

Existe, para casos específicos. O imiquimode 5% e o 5-fluorouracil são cremes com indicação para carcinoma basocelular superficial, doença de Bowen e ceratose actínica, sempre com prescrição e acompanhamento dermatológico. Eles não funcionam para carcinomas nodulares espessos, subtipos agressivos ou melanoma, e a taxa de cura na literatura é menor que a da cirurgia.

A crioterapia cura o carcinoma basocelular?

Pode curar carcinomas basocelulares superficiais pequenos, em áreas de baixo risco, quando feita com técnica adequada. Estudos mostram taxas de cura inferiores às da cirurgia, e a crioterapia deixa com frequência uma mancha clara definitiva. Não é indicada para o rosto central, para subtipos agressivos nem para tumores recidivados.

Terapia fotodinâmica dói?

Durante a iluminação, a maioria dos pacientes sente ardor ou queimação, que varia de leve a intenso conforme o tamanho da área e a localização. Resfriamento, pausas e anestesia local ajudam a controlar. Depois da sessão, a pele fica vermelha e descama por alguns dias.

Posso tratar com creme um tumor no nariz?

Em geral, não é recomendado. O nariz é uma área de alto risco, onde o tumor cresce de forma imprevisível e a recidiva compromete tecido escasso. As diretrizes indicam tratamento cirúrgico com controle de margem, e a cirurgia de Mohs é a primeira escolha na maioria dos casos. Veja Cirurgia de Mohs no nariz.

O que acontece se o tratamento sem cirurgia falhar?

O tumor reaparece no mesmo local, às vezes anos depois, e passa a ser considerado recidivado. Tumores recidivados são mais difíceis de tratar e têm indicação de cirurgia com controle completo das margens, como a cirurgia de Mohs.

Onde fazer a cirurgia de Mohs

A cirurgia de Mohs exige um cirurgião com formação específica na técnica e laboratório de congelação ao lado da sala cirúrgica. Por isso a oferta no Nordeste se concentra em poucas capitais. Fortaleza reúne parte dessa estrutura, com cirurgiões formados em centros de referência, e recebe pacientes do interior do Ceará e dos estados vizinhos. Se você mora no Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba ou Pernambuco, veja a situação da oferta no seu estado em Cirurgia de Mohs no Nordeste. Ao escolher, pergunte se o cirurgião tem formação formal em Mohs e se ele mesmo interpreta as lâminas durante a cirurgia.

Este portal é independente e não realiza atendimento. As indicações seguem os critérios descritos em Sobre o portal Cirurgia de Mohs.

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