Revisado por médico. Conteúdo produzido pela equipe editorial Cirurgia de Mohs e revisado por médico dermatologista com formação em cirurgia micrográfica de Mohs. Este portal é independente: não realiza consultas, não agenda cirurgias e não responde dúvidas clínicas individuais.
Definições: localmente avançado e metastático
Não há definição histológica ou de tamanho universalmente aceita para o CBC localmente avançado (CBCla). Nos ensaios clínicos que embasaram a aprovação dos inibidores de Hedgehog, o critério foi operacional: tumor considerado inapropriado para cirurgia (por deformidade ou perda funcional substancial esperada, por múltiplas recidivas após ressecções adequadas ou por extensão que torna a ressecção curativa improvável) e inapropriado para radioterapia (por dose prévia no campo, contraindicação ou expectativa de resposta insuficiente). Na prática, o grupo inclui tumores com invasão orbitária, de base de crânio, de cartilagem e osso extensos, CBC gigantes (maiores que 5 cm) de longa evolução, tumores multirrecidivados em campo irradiado e tumores em pacientes com síndrome de Gorlin com carga tumoral incontrolável por cirurgia.
O CBC metastático é raro, com incidência estimada em frações de 1% dos CBC na literatura, e acomete linfonodos regionais, pulmão e osso. Os fatores de risco são tumores grandes, de longa evolução, subtipos agressivos (basoescamoso, morfeiforme, infiltrativo), invasão perineural e recidivas múltiplas. O carcinoma basoescamoso merece tratamento como CEC de alto risco em vários aspectos.
A definição de alto risco do CBC, que antecede esse cenário, está em Carcinoma basocelular de alto risco. O CBCla é, em geral, um CBC de alto risco que não foi tratado ou que foi tratado de forma insuficiente ao longo de anos.
Avaliação inicial e estadiamento
O CBC não tem sistema de estadiamento próprio consolidado; utiliza-se o AJCC 8 para carcinoma de cabeça e pescoço quando aplicável, mas a utilidade prática é limitada. A avaliação do CBCla é essencialmente anatômica e funcional.
| Etapa | Objetivo |
|---|---|
| Biópsia com subtipo e padrão de invasão | Confirmar CBC, excluir basoescamoso e outros tumores; descrever perineural |
| Tomografia com contraste | Invasão óssea, extensão orbitária, base de crânio, linfonodos |
| Ressonância magnética | Extensão em partes moles, invasão perineural ao longo de nervos cranianos (V e VII), órbita |
| Exame de linfonodos e imagem de tórax | Estadiamento em tumores gigantes, basoescamosos ou com sintomas |
| Avaliação funcional | Visão, motricidade facial, deglutição, fala, conforme o sítio |
| Avaliação clínica global | Comorbidades, expectativa de vida, capacidade de tolerar cirurgia extensa ou terapia sistêmica prolongada |
| Fotografia padronizada e medida | Base para avaliação de resposta a tratamento sistêmico |
A ressonância é particularmente importante quando há sintomas neurológicos (parestesia, dor, fraqueza facial) ou invasão perineural na biópsia, pela possibilidade de disseminação perineural até a base do crânio, que altera radicalmente a ressecabilidade e o campo de radioterapia. As técnicas de controle de margens e suas limitações em doença extensa estão em Margens cirúrgicas e controle histológico.
Imagem · para-medicos-cbc-avancado-01 · Corte de tomografia de face com CBC extenso da região orbitária medial invadindo a órbita, ao lado de foto clínica com régua
alt: “Carcinoma basocelular localmente avançado com invasão orbitária em imagem e clínica” · 1600 px de largura · para-medicos-cbc-avancado-01-carcinoma-basocelular-localmente-avancado-com-invasao-orbita.webp
Onde a cirurgia de Mohs ainda cabe
A Mohs é o tratamento de escolha para o CBC de alto risco ressecável e continua sendo, na maioria dos tumores grandes ou recidivados, uma opção curativa com preservação de tecido. Os limites da técnica no CBCla são práticos: invasão óssea profunda e de base de crânio, extensão perineural ao longo de nervos cranianos, invasão orbitária com necessidade de exenteração e tumores cuja ressecção completa exigiria reconstrução que o paciente não aceita ou não tolera.
Dentro desses limites, a Mohs tem três papéis no CBCla:
- Ressecção primária de tumores extensos, mas ressecáveis, incluindo tumores maiores que 5 cm em tronco e couro cabeludo, tumores recidivados em campo operado e tumores com invasão de cartilagem e periósteo, frequentemente em cooperação com cirurgia de cabeça e pescoço ou cirurgia plástica para a reconstrução. A Mohs mapeia a extensão subclínica e define o defeito real; a reconstrução é planejada com margens comprovadamente livres.
- Ressecção após neoadjuvância com inibidor de Hedgehog, quando a redução tumoral torna ressecável um tumor que não era, ou reduz a morbidade da ressecção.
- Controle de doença residual ou recidivada após radioterapia ou terapia sistêmica, em campo alterado, em que o mapeamento completo é ainda mais relevante.
O que a Mohs não deve fazer é ser tentada como ressecção heroica de tumor com extensão além do alcance da anestesia local e do procedimento ambulatorial, ou ser repetida indefinidamente em recidivas sucessivas sem discussão de terapia sistêmica.
Inibidores da via Hedgehog: vismodegibe e sonidegibe
A quase totalidade dos CBC tem ativação da via Hedgehog por mutação inativadora de PTCH1 ou ativadora de SMO. Vismodegibe e sonidegibe são inibidores orais de SMO aprovados para CBCla (ambos) e metastático (vismodegibe), com aprovação da ANVISA e disponibilidade no Brasil por via privada e, em alguns contextos, judicial.
| Parâmetro | Vismodegibe | Sonidegibe |
|---|---|---|
| Dose | 150 mg/dia, via oral | 200 mg/dia, via oral |
| Estudo de registro | ERIVANCE | BOLT |
| Taxa de resposta objetiva no CBCla (literatura) | Em torno de 43% a 60% conforme critério e análise | Em torno de 44% a 56% conforme critério e análise |
| Resposta completa no CBCla | Fração dos respondedores; maior em análise de longo prazo | Fração dos respondedores |
| Indicação em metastático | Sim | Não formalmente (dados limitados) |
| Meia-vida e implicações | Longa; contracepção por meses após suspensão | Muito longa; contracepção por meses após suspensão |
Os efeitos adversos são de classe e quase universais: espasmos musculares, alopecia, disgeusia ou ageusia, perda de peso, fadiga e náusea. São a principal causa de descontinuação: uma parcela substancial dos pacientes interrompe o tratamento por intolerância antes de progressão. Estratégias de manejo incluem esquemas intermitentes (por exemplo, ciclos de tratamento e pausa, estudados no MIKIE para vismodegibe), suporte nutricional, e tratamento sintomático dos espasmos. A teratogenicidade é grave e exige contracepção rigorosa em mulheres em idade fértil e em homens, com orientação sobre não doar sangue nem sêmen durante e após o tratamento.
A resposta costuma ser evidente em 2 a 3 meses, e a duração mediana de resposta na literatura é de meses a poucos anos. A resistência adquirida, por mutações secundárias em SMO ou ativação de vias alternativas, e a recidiva após suspensão são frequentes. Também se descreve, após resposta, a persistência de focos tumorais microscópicos em áreas clinicamente curadas, o que fundamenta a biópsia ou a ressecção do leito ao final da resposta.
Os inibidores de Hedgehog têm ainda indicação na síndrome de Gorlin (nevóide basocelular), para reduzir a carga tumoral e o surgimento de novos CBC, geralmente em esquemas intermitentes pela toxicidade cumulativa.
Neoadjuvância: reduzir para operar
A estratégia neoadjuvante consiste em usar o inibidor de Hedgehog por um período definido, tipicamente 3 a 6 meses, para reduzir um tumor inicialmente irressecável ou de ressecção mutilante, e então operar com margem controlada. O estudo VISMONEO e séries menores mostraram redução do tamanho do defeito cirúrgico e, em uma proporção dos casos, ausência de tumor residual na peça. Os pontos de cautela são:
- a resposta clínica pode ser heterogênea, com regressão central e persistência de ilhas tumorais periféricas ou profundas, sem correspondência exata entre a área clinicamente curada e a ausência de tumor histológico;
- a fibrose induzida pelo tratamento dificulta a delimitação clínica e a interpretação das margens em congelação, o que reforça o valor do mapeamento completo da Mohs no leito tumoral original;
- a ressecção deve contemplar toda a área originalmente acometida, ou ao menos amostrá-la, não apenas o tumor residual visível;
- o tempo de neoadjuvância deve ser definido em conjunto, com reavaliação por imagem e fotografia.
Neste cenário, a Mohs é a técnica com maior capacidade de identificar focos residuais dispersos em campo fibrótico, e a reconstrução, planejada após margens livres, é discutida com a equipe conforme descrito em Reconstrução após Mohs.
Radioterapia: indicações e contraindicações
A radioterapia é tratamento curativo para CBC em pacientes não candidatos a cirurgia e tratamento adjuvante em situações definidas. As taxas de controle local para tumores primários de pequeno e médio porte são elevadas na literatura, inferiores às da Mohs em comparações retrospectivas e em ensaio randomizado antigo, e diminuem com o tamanho do tumor e em tumores recidivados.
Indicações no contexto do CBCla e de alto risco:
- tratamento primário em pacientes que recusam ou não toleram cirurgia, ou com tumor cuja ressecção teria morbidade inaceitável;
- adjuvante após ressecção com margens comprometidas não passíveis de reoperação;
- adjuvante em invasão perineural de nervo nomeado ou extensa, especialmente com sintomas ou imagem positiva, mesmo com margens livres;
- adjuvante em invasão óssea ou de cartilagem com ressecção duvidosa;
- paliativa para controle de sangramento, dor e crescimento em doença irressecável.
Contraindicações e cautelas:
- síndrome de Gorlin: a radioterapia é contraindicada, porque induz o surgimento de numerosos CBC no campo irradiado anos depois; a mesma cautela vale para xeroderma pigmentoso e outras síndromes de instabilidade genômica;
- campo previamente irradiado com dose limite atingida;
- pacientes jovens, pelo risco de neoplasia radioinduzida e pela deterioração estética tardia da pele irradiada;
- áreas com cartilagem ou osso expostos, com risco de radionecrose (a contraindicação não é absoluta, mas exige planejamento);
- doença de tecido conjuntivo com fotossensibilidade e doenças com má cicatrização, avaliadas caso a caso.
A recidiva após radioterapia é mais difícil de tratar, com bordas indefinidas e comportamento agressivo, e é indicação de Mohs pelos critérios de uso apropriado.
Imunoterapia: cemiplimabe após inibidor de Hedgehog
O cemiplimabe, anticorpo anti-PD-1, foi aprovado para CBCla e metastático após progressão ou intolerância a inibidor de Hedgehog, com base em estudo de fase II que mostrou taxas de resposta objetiva em torno de 30% no localmente avançado e um pouco menores no metastático, com respostas duráveis em parte dos pacientes. O perfil de eventos adversos é o da classe: reações imunomediadas (colite, hepatite, pneumonite, endocrinopatias, dermatite), em geral manejáveis, mas que exigem seguimento em serviço com experiência em imunoterapia.
O cemiplimabe é, portanto, segunda linha sistêmica no CBC, e sua disponibilidade no Brasil, por via privada e regulatória, deve ser verificada no momento da decisão. Não há, até a última revisão desta página, evidência que sustente seu uso em primeira linha no CBC fora de estudo clínico. Outras opções para doença refratária, como quimioterapia à base de platina, têm evidência fraca e são reservadas a cenários paliativos após discussão em tumor board.
Imagem · para-medicos-cbc-avancado-02 · Fluxograma de decisão para CBC localmente avançado: ressecável (Mohs ou excisão ampla ± radioterapia adjuvante), irressecável ou de ressecção mutilante (inibidor Hedgehog → reavaliação → cirurgia após resposta ou manutenção → cemiplimabe após progressão), com tumor board no centro
alt: “Fluxograma de conduta no carcinoma basocelular localmente avançado” · 1600 px de largura · para-medicos-cbc-avancado-02-fluxograma-de-conduta-no-carcinoma-basocelular-localmente-av.webp
Tumor board multidisciplinar
O CBCla é uma doença de comitê. A decisão entre cirurgia extensa, neoadjuvância, radioterapia, terapia sistêmica de manutenção e cuidados paliativos exclusivos depende de dermatologia e cirurgia de Mohs, cirurgia de cabeça e pescoço, cirurgia plástica, oftalmologia (em invasão orbitária), radioterapia, oncologia clínica, radiologia e patologia. Em Fortaleza, esses casos são conduzidos em conjunto com os serviços oncológicos da cidade; pacientes de outros estados do Nordeste podem ter a avaliação inicial e a discussão organizadas de forma a reduzir deslocamentos.
A tabela resume o raciocínio de conduta por cenário, como síntese das diretrizes NCCN vigentes.
| Cenário | Conduta preferencial | Alternativas |
|---|---|---|
| CBC grande ou recidivado, ressecável com morbidade aceitável | Mohs (ou excisão com controle completo de margens) + reconstrução; RT adjuvante se perineural extensa ou margens positivas irrressecáveis | RT primária em não candidatos a cirurgia |
| CBC ressecável apenas com ressecção mutilante | Neoadjuvância com inibidor Hedgehog, reavaliação, Mohs/ressecção | RT primária; inibidor Hedgehog de manutenção |
| CBC irressecável, RT possível | RT primária ou inibidor Hedgehog, conforme localização, síndrome genética e preferência | Combinação sequencial |
| CBC irressecável, RT contraindicada (Gorlin, campo irradiado) | Inibidor Hedgehog | Cemiplimabe após falha; cuidados paliativos |
| CBC metastático | Vismodegibe | Cemiplimabe após falha; quimioterapia paliativa; RT paliativa |
| Múltiplas recidivas em idoso frágil | Discussão de objetivos de cuidado; RT paliativa ou inibidor Hedgehog intermitente | Cirurgia limitada para controle de sintomas |
Cuidados paliativos e objetivos de cuidado
Uma parcela dos pacientes com CBCla é de idosos com longa evolução, comorbidades e, por vezes, negligência do tumor por décadas. Para eles, a pergunta "o que é possível fazer" deve ser precedida de "o que faz sentido fazer". A terapia sistêmica com toxicidade contínua, uma cirurgia de exenteração ou uma ressecção craniofacial podem não ser compatíveis com a expectativa de vida, a capacidade funcional ou a preferência do paciente.
Os cuidados paliativos no CBCla envolvem controle de sangramento (curativos hemostáticos, radioterapia hipofracionada, eventual embolização), controle de dor, especialmente na invasão perineural, manejo de odor e exsudato em tumores ulcerados, suporte nutricional e psicossocial, e a decisão explícita e documentada sobre a intensidade do tratamento. Esquemas curtos de radioterapia paliativa e cursos limitados de inibidor de Hedgehog, com objetivo de reduzir sintomas e não de curar, são opções razoáveis nesse contexto. A abordagem de decisão compartilhada, com o paciente e a família, é a mesma que orienta a cirurgia no idoso em qualquer estágio.
Seguimento
Após tratamento de CBCla, o seguimento é mais frequente do que para o CBC comum: exame clínico e dermatoscópico a cada 3 meses no primeiro ano, com imagem periódica quando houve invasão óssea, perineural ou tratamento sistêmico, e atenção a recidivas tardias. Pacientes em uso de inibidor de Hedgehog devem ser reavaliados a cada 2 a 3 meses com fotografia e medidas padronizadas, e a decisão de biópsia ou ressecção do leito após resposta completa clínica deve ser planejada. Pacientes que fizeram radioterapia devem ter o campo irradiado examinado com dermatoscopia a longo prazo. O seguimento de CEC de alto risco, que frequentemente coexiste no mesmo paciente, está em Carcinoma espinocelular de alto risco.
Perguntas frequentes
O vismodegibe cura o carcinoma basocelular avançado?
Uma fração dos pacientes atinge resposta completa clínica, mas focos microscópicos residuais são descritos e a recidiva após suspensão é frequente. Por isso, quando a resposta torna o tumor ressecável, a ressecção com controle de margens é considerada; quando não, a manutenção ou o esquema intermitente são discutidos conforme a tolerância.
Devo indicar radioterapia em paciente com síndrome de Gorlin?
Não. A radioterapia é contraindicada na síndrome de Gorlin pela indução de numerosos CBC no campo irradiado. As opções são cirurgia (Mohs, pela preservação de tecido em pacientes com múltiplos tumores ao longo da vida), inibidores de Hedgehog em esquema intermitente e tratamentos tópicos e destrutivos para lesões pequenas.
A Mohs pode ser feita após vismodegibe?
Sim, e é uma das aplicações mais úteis da técnica no CBCla. A fibrose pós-tratamento e a heterogeneidade da resposta dificultam a delimitação clínica, e o mapeamento completo permite identificar focos residuais dispersos. A ressecção deve contemplar a área originalmente acometida.
Quando encaminhar o CBC avançado para tumor board?
Sempre que houver invasão óssea, orbitária ou perineural extensa, tumor maior que 5 cm, múltiplas recidivas, tumor em campo irradiado, síndrome genética com carga tumoral alta, doença metastática ou paciente cuja condição clínica torne qualquer tratamento curativo questionável.
Serviços de referência para encaminhamento
Ao encaminhar um paciente para cirurgia de Mohs, verifique se o serviço reúne três condições: cirurgião com formação formal na técnica, laboratório de congelação anexo à sala cirúrgica e leitura das lâminas pelo próprio cirurgião. No Nordeste, essa estrutura se concentra em poucas capitais. Fortaleza conta com cirurgiões formados em centros de referência e recebe encaminhamentos de todo o Ceará e dos estados vizinhos. O conjunto de informações que agiliza a avaliação (laudo, foto, comorbidades e medicações) está descrito em Como encaminhar um paciente para cirurgia de Mohs.
Este portal é independente e não intermedeia encaminhamentos. As indicações seguem os critérios descritos em Sobre o portal Cirurgia de Mohs.
Referências
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- Sekulic A, Migden MR, Oro AE, et al. Efficacy and safety of vismodegib in advanced basal-cell carcinoma (ERIVANCE). N Engl J Med. 2012;366(23):2171-2179.
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- Dréno B, Kunstfeld R, Hauschild A, et al. Two intermittent vismodegib dosing regimens in patients with multiple basal-cell carcinomas (MIKIE). Lancet Oncol. 2017;18(3):404-412.
- Bertrand N, Guerreschi P, Basset-Seguin N, et al. Vismodegib in neoadjuvant treatment of locally advanced basal cell carcinoma: first results of a multicenter, open-label, phase 2 trial (VISMONEO). EClinicalMedicine. 2021;35:100844.
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